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Nenhuma Oração, Nenhum Poder

por John Piper


Reflexão sobre a ofensiva e a defesa da vida espiritual

Arrumei meu escritório, em casa, mas não removi o cantinho de oração e a poltrona de oração. Eu o tornei mais privado. Tudo o que já li e experimentei me ensina que a profunda influência espiritual para o bem dos pecadores e para a glória de Deus procede de homens e mulheres que se dedicam à oração e à meditação. Meus anelos sempre excederam minhas ações, eu admito, mas não desistirei sem lutar, e separar um lugar faz parte do esforço de guerra.

Acabei de ler, por exemplo, sobre o segredo de Charles Simeon, que suportou imensas dificuldades em seu poderoso pastorado de cinqüenta e quatro anos, em Cambridge, na Inglaterra (1782-1836). R. Housman, um dos amigos de Charles Simeon, esteve com ele por alguns meses e nos diz algo sobre a devoção deste homem: "Nunca vi tal consistência e realidade de devoção, tal fervor de piedade, tal zelo e amor... Invariavelmente, ele se levantava cada manhã, mesmo no inverno, às quatro horas. E, depois de acender o fogo, ele dedicava as primeiras quatro horas do dia à oração particular e ao estudo devocional das Escrituras... Este era o segredo de sua grande graça e vigor espiritual. Ao receber instrução dessa fonte e procurá-la com diligên¬cia, ele era confortado em todas as suas provações e se preparava para todos os seus deveres".

Isto é verdade tanto para os crentes individualmente quanto para as igrejas. Nenhuma oração, nenhum poder. Considere a história relatada em Marcos 9. Os discípulos foram incapazes de expulsar um espírito imundo de um jovem oprimido. Jesus entrou em cena e expulsou o espírito imundo. Os discípulos perguntaram: "Por que não pudemos nós expulsá-lo?" Jesus respondeu-lhes: "Esta casta não pode sair senão por meio de oração"2 (Mc 9.28-29). Jesus disse que existem forças espirituais difíceis de serem vencidas. Os discípulos perguntaram por que eram incapazes de vencer o demônio. Jesus respondeu: "Oração insuficiente!"

O que significa a resposta de Jesus? Provavelmente, Ele não estava dizendo que os discípulos não haviam orado em favor do jovem endemoniado; parece que essa foi a maneira inicial como eles lidaram com o problema. Talvez Jesus queria dizer que os discípulos não viviam em oração. Haviam sido apanhados em período sem oração ou uma atitude mental sem oração. Observe que Jesus expulsou o demônio sem oração: "Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele" (Mc 9.25). Mas Jesus havia orado. Ele vivia em oração. Gastava noites em oração. Estava pronto quando o mal se manifestou. Porém, os discípulos, aparentemente, haviam se tomado fracos e negligentes em sua atitude de orar, por isso, ficaram incapazes diante de poderosas forças malignas. "Esta casta não pode sair senão por meio de oração."

Em outras palavras, sem oração persistente não temos qualquer ofensiva na batalha contra o mal. Individualmente e como igrejas, somos destinados a invadir e despojar as fortalezas de Satanás. Mas, nenhuma oração, nenhum poder.

O mesmo é verdade no que concerne à defesa. Considere as palavras do Senhor Jesus dirigidas a Pedro, Tiago e João, quando eles se renderam ao sono, no jardim, em vez de vigiarem em defesa contra o mal — "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação" (Mc 14.38). Se não vigiarmos, seremos enredados pela tentação. Nossa defesa e nosso ataque é a oração ativa, persistente, fervorosa e confiante.

Que o exemplo de Charles Simeon, as palavras de nosso Senhor e a repreensão aos discípulos nos impulsionem não somente a orações ocasionais, mas também a uma vida de oração — como disse Housman, à "consistência e à realidade da devoção".

http://www.ocristaohedonista.com

Orações Extensas e Amplas, Mas Não-Insípidas

por John Piper

Este é um dos fatos admiráveis sobre as orações da Bíblia: quão grandes e abrangentes freqüentemente elas são. Mas não têm aquele tom vago de “Ó Deus, abençoa os missionários”, que parece tão fraco. Às vezes, tentamos remediar este erro, acrescentando: “Devemos fazer orações específicas em favor dos outros, apresentando suas necessidades específicas, e não orações generalizadas”. Isso é verdade. Devemos orar assim.

No entanto, existe outro motivo por que nossas grandes orações cotidianas parecem insípidas, enquanto as grandes orações na Bíblia não o eram. Freqüentemente, as nossas orações não contêm muito da pessoa de Deus e não expressam as grandes bênçãos espirituais que desejamos Deus realize em favor dos “missionários”, ou pelas “nações”, ou pelo “mundo”, ou pelos “perdidos”. As palavras “Deus abençoe” não pareceriam tão vagas e frágeis, se dissessem que tipo de bênção desejamos para eles. Existe um mundo de diferença entre “Senhor, ajuda os nossos missionários” e “Senhor, ajuda os nossos missionários a beberem abundantemente do rio de teus deleites”, ou “Senhor, ajuda os nossos missionários a se regozijarem nas tribulações e lembrarem-se de que as tribulações produzem perseverança, e a perseverança, esperança”.

Orações extensas e generalizadas tornam-se poderosas, quando são preenchidas com os objetivos bíblicos, concretos e radicais, em favor da pessoa por quem oramos. Em Mateus 6.9,10, “Santificado seja o teu nome... faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” é uma oração sublime, de amplo alcance. Ela roga por duas coisas concretas: que em todo o mundo o nome de Deus seja considerado precioso e que corações sejam transformados para fazerem a vontade de Deus, com o mesmo zelo e pureza que os anjos têm no céu.

Mencionar estes objetivos espirituais, com fervor, transforma nossas generalizações insípidas em generalizações dinâmicas. Portanto, não deixe de fazer orações extensas e de amplo alcance. Por exemplo, em Efésios 6.18, Paulo disse que devemos orar “em todo tempo no Espírito... com toda perseverança e súplica por todos os santos”. Pense nisso. Que inacreditável alcance e generalização. Todos os santos! Você faz isso? Ora por todos os santos? Admito que não o tenho feito com bastante freqüência. Meu coração é muito pequeno. Mas estou tentando levá-lo a esta amplitude. A Bíblia o ordena.

Estas palavras de Paulo não parecem tão simples como: “Ó Deus, abençoa todos os santos”. Parecem robustas e de notável amplitude, como: “Ó Deus, olha para toda a tua igreja, em todos os lugares, e tem misericórdia; desperta-a e dá-lhe nova vida, esperança, pureza doutrinária e santidade, de modo que todos os santos permaneçam fortes e Te glorifiquem em dias de tentação e provação”.

Façamos grandes orações em favor dos bilhões de perdidos e dos milhões de pessoas que vivem na “Janela 10/40”. Paulo disse: “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a Palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós” (2 Ts 3.1). Oh! que Deus faça esta obra em nossos dias! Encorajo todos os meus leitores a comprarem o livro Intercessão Mundial, escrito por Patrick Johnstone (um guia de oração em favor de todos os países do mundo). Depois, faça orações intensas e abrangentes em favor das pessoas e dos missionários desta vasta região chamada Janela 10/40.

A Janela 10/40 se estende do oeste da África até ao leste da Ásia, de 10o ao norte até 40o ao sul do Equador. Esta região contém três dos maiores blocos religiosos do mundo. A maioria das pessoas entenebrecidas na incredulidade pelo islamismo, hinduísmo e budismo vive na Janela 10/40. Este é o lar da maioria dos povos não-evangelizados.

Embora a Janela 10/40 constitua somente 1/3 da área total da terra, é o lar de aproximadamente 2/3 da população mundial, com aproximadamente 4 bilhões de pessoas. Dos 50 países menos evangelizados do mundo, 37 se encontram nesta Janela. E esses 37 países têm 95% da população total dos 50 países menos evangelizados.

Oitenta por cento das pessoas mais pobres do mundo, vive na Janela 10/40. Em média, eles vivem com uma renda inferior a 500 dólares anuais, por pessoa. Embora 2,4 bilhões dessas pessoas vivam na Janela 10/40, somente 8% de todos os missionários trabalham entre elas. Com certeza, este é um assunto digno de orações intensas, abrangentes e bíblicas!


Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Uma Razão Constrangedora para o Treinamento Rigoroso da Mente

Recentemente, enquanto lia e meditava sobre a carta aos Hebreus, ocorreu-me, vigorosamente, que uma razão básica e constrangedora para a educação — o treinamento rigoroso da mente — é que uma pessoa pode ler a Bíblia com entendimento.

Esta afirmativa parece óbvia demais para ser útil ou compelidora, mas isto é porque vemos a preciosidade da leitura como algo garantido. Erramos em não apreciar o tipo de pensamento que uma passagem bíblica complexa exige.

A carta aos Hebreus, por exemplo, é um argumento intelectualmente desafiador, fundamentado em textos do Antigo Testamento. As questões que o autor aborda estão ligadas a observações bíblicas que percebemos tão-somente por uma leitura rigorosa, e não por uma leitura rápida e superficial. Entender as interpretações do Antigo Testamento no texto de Hebreus exige esforço mental e meditação árdua. O mesmo poderia ser dito sobre os extensivos argumentos de Romanos, Gálatas e outros livros da Bíblia.

Este é um argumento convincente para darmos aos nossos filhos um treinamento disciplinado e inflexível a respeito de como pensar os pensamentos de um autor, em determinado texto — especialmente, um texto da Bíblia. Temos de aprender o alfabeto, o vocabulário, a gramática, a sintaxe, os rudimentos da lógica e a maneira como o significado é transmitido por meio da conexão de sentenças e parágrafos.

A razão por que os crentes sempre têm estabelecido escolas onde implantam igrejas é que somos um povo dado à leitura de um livro. É verdade que o livro não terá seus efeitos apropriados sem a oração e o Espírito Santo. A Bíblia não é um livro-texto a ser debatido. É uma fonte que satisfaz a sede espiritual e a fome da alma. É uma revelação de Deus, um poder vivificante, uma espada de dois gumes. Nada disso, porém, muda o fato de que, sem a disciplina da leitura, a Bíblia é tão incapaz como o papel. Talvez alguém tenha de ler a Bíblia para você, mas, o fato é que sem a sua leitura, o seu poder e significado permanecem trancados.

Não é notável que muitas vezes Jesus esclareceu grandes assuntos com uma referência à leitura? Por exemplo, quanto ao assunto do sábado, Ele disse: "Não lestes o que fez Davi...? (Mt 12.3) No que concerne ao divórcio e ao novo casamento, Jesus disse: "Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher...?" (Mt 19.4) Sobre a verdadeira adoração e louvor, Ele disse: "Nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?" (Mt 21.16) Quanto à ressurreição, Jesus disse: "Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular?" (Mt 21.42) Ao intérprete da Lei que provou a Jesus inquirindo-O sobre a vida eterna, Ele disse: "Que está escrito na Lei? Como interpretas?" (Lc 10.26)

O apóstolo Paulo também deu à leitura um importante lugar na vida da igreja. Por exemplo, ele disse aos crentes de Corinto: "Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo" (2 Co 1.13). À igreja de Éfeso, ele disse: "Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo" (Ef 3.4). À igreja de Colossos, Paulo disse: "E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós" (Cl 4.16). Ler as cartas do apóstolo Paulo era tão importante, que ele o ordenou com uma imprecação: "Conjuro-vos, pelo Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos" (1 Ts 5.27).

A habilidade de ler não é intuitiva. Tem de ser ensinada. E aprender a ler com entendimento é uma tarefa vitalícia. As implicações para os crentes são imensas. A educação da mente na rigorosa disciplina de leitura meditativa é um dos primeiros objetivos da educação. A igreja de Jesus fica debilitada, quando seu povo é seduzido a pensar que é humilde, ou democrático, ou relevante oferecer uma educação prática que não envolve o treinamento rigoroso da mente, para que esta pense com dedicação e interprete o significado de textos difíceis. O assunto de ganhar a vida não é tão importante quanto o de a próxima geração ter acesso direto ao significado da Palavra de Deus.

Precisamos de uma educação que dê o mais elevado valor (depois de o dar ao próprio Deus) ao conhecimento do significado do Livro de Deus e ao desenvolvimento das habilidades que nos trarão as suas riquezas por toda a vida. Seria melhor morrer por falta de alimento do que não assimilar o significado da carta aos Romanos. Senhor, não permita que falhemos para com a próxima geração!

Extraído do livro:

Uma Vida Voltada para Deus
Uma Vida Voltada para Deus
John Piper

Ajudando os Crentes a Terem Segurança da Salvação

Os crentes são chamados a lutarem por sua própria certeza de salvação e a ajudarem os outros a lutarem por esta mesma certeza. Deus almeja que tenhamos certeza de que já somos salvos e desfrutemos de ousada confiança diante de oposição e ameaças. “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1 Jo 5.13). O que podemos dizer uns aos outros para ajudar-nos a manter a segurança de salvação? Eis o que eu diria:

1. A plena segurança é a vontade de Deus.

Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança (Hb 6.11).

2. A segurança é sustentada parcialmente pelas evidências objetivas da verdade cristã.

A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus (At 1.3).

3. A segurança não pode negligenciar a dolorosa obra de auto-análise.

Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados (2 Co 13.5).

4. A segurança diminui na presença de pecado escondido.

Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia (Sl 32.3).

5. A segurança resulta do ouvir a Palavra de Deus.

E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10.17).

Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (Jo 20.31).

6. Focalizar-se repetidamente na suficiência da cruz de Cristo é crucial para a segurança.

Tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura (Hb 10.21-22).

7. Temos de orar suplicando olhos para vermos as verdades que sustentam a segurança.

Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder (Ef 1.18,19).

8. A segurança não é mantida no isolamento pessoal.

Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós (1 Co 12.21).

Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado (Hb 3.13).

9. A segurança não é destruída pelo desprazer ou pela disciplina de Deus.

Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o Senhor será a minha luz. Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito; ele me tirará para a luz, e eu verei a sua justiça (Mq 7.8-9).

10. Freqüentemente, temos de esperar com paciência pelo retorno da segurança.

Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no Senhor (Sl 40.1-3).

11. A segurança é uma luta que perdura até ao dia de nossa morte.

Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas (1 Tm 6.12).

Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé (2 Tm 4.7).

12. A segurança é um dom do Espírito Santo.

O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16).

Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho (1 Jo 5.10,11).


Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Os Piores Amigos de Deus

Por John Piper

A medida de seu amor por nós aumenta ainda mais quando observamos nossa indignidade. "Poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5.7-8). Nós merecíamos a punição divina, não o sacrifício divino.

Eu já ouvi alguém dizer: "Deus não morreu pelos animais. Então, ao morrer Ele estava respondendo ao valor que temos como humanos". Isto torna a graça ainda maior. Somos piores que animais. Os animais não pecaram. Eles não se rebelaram, não desprezaram a Deus como alguém sem importância em sua vida. Jesus não teve de morrer pelos animais. Eles não são tão maus. Nós somos. Nosso débito é tão grande que somente um sacrifício divino poderia pagá-lo

Existe apenas uma explicação para o sacrifício de Deus em nosso favor, E ela não se encontra em nós. "A riqueza da sua graça" (Efésios 1.7). O sacrifício é totalmente gratuito; não é uma resposta ao nosso valor.



FONTE: PAra Sua alegria ( clique aqui e baixe GRATIS desse livreto, e redistribua a tantos quantos)

Quando Estou Ansioso!

Por John Piper

Deveríamos seguir o padrão de Jesus e Paulo. Deveríamos lutar contra a incredulidade da ansiedade com as promessas da graça futura. Quando estou ansioso sobre alguma nova aventura ou encontro arriscado, luto com uma das minhas promessas mais frequentemente usadas: Isaías 41:10. O dia que parti para Alemanha, para ficar três anos ali, meu pai me ligou de uma longa distância e me deu essa promessa ao telefone. Por três anos eu devo ter citado-a para mim mesmo umas quinhentas vezes em meio a períodos de tremendo estresse. "Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel" (Isaías 41:10). Quando o motor da minha mente está no neutro, o zunido do sistema de marchas é o som de Isaías 41:10.

Quando estou ansioso sobre meu ministério ser inútil e vazio, eu luto contra a incredulidade com a promessa de Isaías 55:11: "Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei."

Quando estou ansioso sobre ser muito fraco para realizar o meu trabalho, eu luto contra a incredulidade com a promessa de Cristo: "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Coríntios 12:9).

Quando estou ansioso sobre decisões que preciso tomar sobre o futuro, eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho" (Salmos 32:8).

Quando estou ansioso sobre encarar oponentes, eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8:31).

Quando estou ansioso sobre o bem-estar daqueles a quem amo, eu luto contra a incredulidade com a promessa que se eu, sendo mau, sei como dar coisas boas para os meus filhos, "quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?" (Mateus 7:11). E luto para manter meu equilíbrio espiritual com a lembrança que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor a Cristo "que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna" (Marcos 10:29-30).

Quando estou ansioso sobre ficar doente, eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra" (Salmos 34:19). E tomo a promessa com temor: "A tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado" (Romanos 5:3-5).

Quando estou ansioso sobre estar ficando velho, eu luto contra a incredulidade com a promessa: "Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei" (Isaías 46:4).1

Quando estou ansioso sobre morrer, eu luto contra a incredulidade com a promessa que "nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos" (Romanos 14:7-9).

Quando estou ansioso sobre a possibilidade de naufragar na fé e me afastar de Deus, eu luto contra a incredulidade com as promessas: "aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6); e "também pode salvar totalmente os que por ele [Cristo] se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hebreus 7:25).

Essa é a forma de vida que ainda estou aprendendo à medida que me aproximo dos meus cinqüenta anos. Estou escrevendo este livro na esperança, e com a oração, que você se unirá a mim. Lutemos, não contra outras pessoas, mas contra nossa própria incredulidade. Ela é a raiz da ansiedade, a qual, por sua vez, é a raiz de muitos outros pecados. Assim, liguemos nossos pára-brisas, o jato de água e mantenhamos nossos olhos fixos nas mui grandes e preciosas promessas de Deus. Tome a Bíblia, peça auxílio ao Espírito Santo, guarde as promessas em seu coração, e lute o bom combate - viver pela fé na graça futura.

1 Nota do tradutor: "Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele, aquele que os susterá. Eu os fiz e eu os levarei; eu os sustentarei e eu os salvarei" (NVI).

(Translated from Future Grace, pp. 59-61)

Via http://armandomarcos.blogspot.com/

Morrer é Grande Lucro. Cinco Razões para Isto



por John Piper




Para toda pessoa melancólica, que pensa de maneira patológica sobre a morte, existem provavelmente milhões de pessoas que não pensam muito a respeito dela. Quando Moisés  contemplou a brevidade da vida, ele orou: "Ensina-nos a contar os nossos dias" (Sl 90.12). É bom pensarmos na morte. Devemos viver bem para que morramos bem. Parte do viver bem inclui o aprendermos por que a morte é lucro.


Nesta meditação, oferecemos cinco razões, mas elas representam apenas um pouco das glórias. Por exemplo, elas não contemplam a grande glória da ressurreição; mas, embora fiquem aquém daquele grande Dia, existe o suficiente para nos deixar sem fôlego e dizer, como Paulo:


Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.




1. No momento da morte, os crentes serão aperfeiçoados.


Não haverá mais pecado em nós. Acabaremos com a luta interior e com os desapontamentos de ofender o Senhor, que nos amou e a Si mesmo se entregou por nós.


"Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hb 12.22-23).




2. No momento da morte, seremos libertos do sofrimento deste mundo.


Ainda não desfrutaremos da alegria da ressurreição, mas teremos o gozo de ser livres do sofrimento. Jesus contou a história de Lázaro e o rico para mostrar a grande reversão que ocorre na morte: "Então, [o rico] clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos" (Lc 16.24-25).




3. No momento da morte, ganharemos profundo descanso em nossa alma.


Haverá uma serenidade sob o olhar e o cuidado de Deus que ultrapassa qualquer coisa que já conhecemos neste mundo, no mais brando entardecer de verão, ao lado do mais pacífico lago, em nossos momentos mais felizes.


"Vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo" (Ap 6.9-11).




4. No momento da morte, experimentaremos um profundo senso de estar em casa.


Toda a raça humana, mesmo sem perceber, sente muita falta de Deus. Quando formos ao lar, para viver com Cristo, haverá um contentamento que excede qualquer senso de segurança e paz que conhecemos. "Estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor" (2 Co 5.8).




5. No momento da morte, estaremos com Cristo.


Cristo é a pessoa mais maravilhosa que qualquer outra na terra. Ele é mais sábio, mais forte e mais amável do que qualquer pessoa com quem nos alegramos em passar tempo. Cristo é sempre interessante. Ele sabe exatamente o que fazer e o que dizer, em cada momento, para tornar os seus amigos tão felizes quanto puderem ser. Cristo transborda amor e infinita percepção a respeito de como usar seu amor para fazer que os seus sintam-se amados. Por isso, Paulo disse: "Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor" (Fp 1.21-23).




Com estas cinco razões para considerarmos a morte como lucro, vimos apenas a superfície da maravilha. Existe mais — muito mais.


Extraído do livro:


Uma Vida Voltada para Deus

Uma Vida Voltada para Deus
John Piper


Editora Fiel

Porque Deus é justo em punir Jesus por nossos pecados?

Vamos interrogar o texto

Por John Piper. 

Tradução por Gertrudes Mendonca.


Se a Bíblia é coerente, então entender a Bíblia significa compreender a forma como as coisas se ajustam mutuamente. Tornar-se um teólogo da Bíblia significa ver cada vez mais peças que se ajustam mutuamente num glorioso mosaico da divina vontade. E praticar exegese significa interrogar o texto sobre a forma como muitas proposições são coerentes na mente do autor.
Se nós vamos alimentar o nosso povo, devemos sempre avançar no nosso entendimento de verdade bíblica. E para avançarmos no nosso entendimento da verdade bíblica, devemos preocupar-nos pelas afirmações bíblicas.
Deve incomodar-nos que Jaime e Paulo não parecem escarnecer. Apenas quando estamos perturbados e aborrecidos é que pensamos muito. E se nós não pensarmos muito sobre a forma como as afirmações bíblicas se ajustam mutuamente, nunca iremos penetrar na sua raiz comum nem descobrir a beleza da verdade divina unificada. O resultado final é que a nossa leitura da Bíblia se tornará insípida, iremos ficar fascinados pela “literatura secundária”, os nossos sermões serão como o trabalho duvidoso de “vendedores em segunda mão” e as pessoas terão fome.
“Nós nunca pensamos até sermos confrontados com um problema”, afirmou John Dewey. Ele estava certo. E é por isso que nós nunca pensamos muito sobre a verdade bíblica antes de sermos perturbados com a sua complexidade.
Devemos adquirir o hábito de estarmos sistematicamente perturbados por coisas que, ao primeiro olhar, não fazem sentido. Ou, colocando de outra forma, devemos interrogar o texto sem cessar. Uma das maiores honras que recebi enquanto ensinava em Bethel foi quando os assistentes de ensino no departamento da Bíblia me deram uma T-shirt com as iniciais de Jonathan Edwards na frente com as seguintes palavras nas costas: “Fazer perguntas é a chave para o entendimento.”
Mas existem algumas forças fortes que se opõem à nossa interrogação incansável e sistemática de textos bíblicos. Uma dessas forças é aquela que consome muito tempo e energia numa pequena porção das Escrituras. Fomos ensinados na escola (de forma muito errónea) que existe uma correlação directa entre ler muito e aquisição de conhecimento. Mas na verdade não existe correlação positiva nenhuma entre a quantidade de páginas lidas e a qualidade de conhecimento adquirido. Muito pelo contrário.
Excepto no que se refere a poucos génios, o conhecimento diminui à medida que tentamos ler cada vez mais. O conhecimento ou entendimento é o produto de meditação intensiva, que produz dores de cabeça, sobre dois ou três versículos e sobre a forma como eles se ajustam mutuamente. Este tipo de reflexão e meditação é provocado quando interrogamos o texto. E você não pode fazer isso com pressa. Portanto, devemos resistir à pressa enganadora de esculpir com detalhes a nossa arma bibliográfica. Demore duas horas a fazer dez perguntas a Gálatas 2:20 e você vai ganhar cem vezes a compreensão que teria obtido depois de ler 30 páginas do Novo Testamento ou qualquer outro livro. Vá devagar. Interrogue. Pondere. Rumine.
Uma outra razão pela qual é difícil gastar horas a experimentar as raízes da coerência consiste em que é hoje fundamentalmente pouco popular sistematizar e procurar a harmonia e unidade. Esta busca nobre tornou-se difícil porque tem sido descoberta tanta harmonia artificial por defensores impacientes e nervosos da Bíblia.
Mas se a mente de Deus é verdadeiramente coerente e não confusa, então a exegese deve pretender ver a coerência da revelação bíblica e a unidade profunda da divina verdade. A não ser que nos dediquemos para sempre à superfície das coisas (satisfeitos por descobrirmos “tensões” e “dificuldades”) então devemos resistir a modas atomizadas (e basicamente anti-intelectuais) no estabelecimento teológico contemporâneo. Existe muito descrédito de erros passados e muito pouca construção em andamento.
Uma terceira força que se opõe ao esforço de interrogar a Bíblia é o seguinte: Fazer perguntas é o mesmo que colocar problemas e nós temos sido desencorajados durante toda a nossa vida de encontrarmos problemas no Livro Sagrado de Deus.
É impossível respeitar muito a Bíblia, mas é muito possível respeitá-la de forma errada. Se nós não perguntarmos seriamente como é que textos diferentes se ajustam mutuamente, então somos ou super-humanos (e olhamos toda a verdade num relance) ou indiferentes (e não nos incomodamos em conhecermos melhor a verdade).
Mas eu não considero que alguém que seja indiferente ou super-humano possa ter um respeito adequado pela Bíblia. Portanto, a reverência pela Palavra de Deus exige que nós façamos perguntas e coloquemos problemas que nós acreditemos que existem respostas e soluções que irão recompensar o nosso trabalho com “tesouros novos e antigos” (Mat. 13:52). Devemos treinar o nosso povo que não é irreverente ver dificuldades no texto bíblico e pensar muito sobre a forma como elas podem ser resolvidas.
Eu não acuso o meu irmão de 6 anos, Benjamim, de irreverência quando ele não consegue perceber o sentido de um versículo da Bíblia e me faz perguntas sobre isso. Ele começou agora a aprender a ler. Mas será que as nossas capacidades de ler são perfeitas? Algum de nós pode compreender a leitura da lógica de um parágrafo e ver a forma como cada parte se relaciona com todas as outras e a forma como todas se ajustam mutuamente para fazer um ponto unificado? Muito menos o pensamento de uma epístola inteira, quanto mais o Novo Testamento ou a Bíblia! Se nós nos preocuparmos com a verdade, devemos interrogar incansavelmente o texto e adquirir o hábito de nos incomodarmos com as coisas que lemos.
Isto é apenas o contrário de irreverência. É aquilo que fazemos se imploramos a mente de Cristo. Nada nos envia mais profundamente aos conselhos de Deus do que vermos aparentes discrepâncias teológicas na Bíblia e pensarmos sobre elas dia e noite até que se ajustem num sistema emergente de verdade unificada. Por exemplo, há um ano lutei durante dias sobre a forma como Paulo conseguiu afirmar por um lado, “Não sinta ansiedade sobre nada” (Phil. 4:5) mas por outro lado dizer (com aparente impunidade) que a sua “ansiedade por todas as igrejas” era uma pressão diária sobre ele (2 Cor. 11:28). Como conseguiu ele afirmar “Regozije-se sempre” (1 Thess. 5:16), e “Chore com aqueles que choram” (Rom. 12:15)? Como conseguiu ele dizer para agradecermos “sempre e por tudo” (Eph. 5:20) e depois admitir “Tenho uma grande pena e uma angústia incessante no meu coração” (Rom. 9:2)?
Mais recentemente perguntei O que significa aquilo que Jesus disse em Mateus 5:39 para dar a outra face quando lhe batessem, mas disse em Mateus 10:23, “Quando eles te perseguirem numa cidade, foge ...”? Quando você foge e quando suporta as dificuldades e oferece a outra face? Também tenho pensado em que sentido é verdade que Deus é “lento em zangar-se” (Ex. 34:6) e em que sentido “A Sua ira é rapidamente acesa” (Ps. 2:11).
Existem centenas e centenas de discrepâncias deste tipo nas Sagradas Escrituras e nós desonramos o texto quando não as vemos e quando não as analisamos. Deus não é um Deus de confusão. A sua língua não é bifurcada. Existem resoluções profundas e maravilhosas para todos os problemas. Ele tem-nos chamado para uma infinidade de descobertas de modo que todas as manhãs durante as eras vindouras nós devemos irromper em novas canções de glorificação.
Em 2 Timóteo 2:7 Paulo dá-nos uma ordem e uma promessa. Ele ordenou, “Pensem no que eu digo.” E ele prometeu, “Deus te dará compreensão de tudo.
Como é que se ajustam mutuamente a ordem e a promessa? O título “para” dá a resposta. “Pensem .... porque Deus irá recompensá-lo pela sua compreensão.”
A promessa não é feita a todos. É feita para aqueles que pensam. E nós não pensamos até sermos confrontados com um problema. Por isso, irmãos, vamos interrogar o texto.

Via: gospel translations

Como posso livrar-me do vício em entretenimento?

jp008.jpg (8K) - John Piper

John Piper
P.: Eu creio que amo a Cristo de verdade, mas a maior parte do tempo eu prefiro passar o tempo entretendo-me do que gastá-lo na Palavra de Deus. Como eu quebro essa influência que o entretenimento tem sobre o meu coração?
Essa é uma pergunta muito boa. E eu penso que ela é especialmente pertinente porque nós vivemos, eu creio, mais agora do que nunca, em dias em que coisas que entretêm estão imediatamente acessíveis.
Eu estava pensando esses dias na diferença entre nossas tentações e, digamos, as tentações de 250 anos atrás, nos dias de Jonathan Edwards. Edwards escreveria sobre a tolice de pessoas jovens que se juntam para ter "conversações frívolas" ou outras coisas ainda piores. (Uma delas chamava-se "Empacotar": ir juntos para a cama, permanecendo vestidos. Apenas apimentando a vida um pouco. A vida era enfadonha há 250 anos na Nova Inglaterra.)
"Eu quero defender a seriedade a respeito de Deus, em vez de torná-lo palatável fazendo com que Ele pareça 'divertido', transformando-O em mais uma peça de entretenimento."
Hoje nós levamos em nossos bolsos, rádio, televisão, internet e jogos e qualquer coisa que seja excitante e cheia de diversão! E "diversão" é uma palavra que é usada hoje na igreja de forma desenfreada! É um adjetivo, é um substantivo, é um verbo, porque nós exercemos o ministério buscando ajustar-nos a essa mentalidade.
Estou profundamente preocupado com isso. Eu quero defender a seriedade a respeito de Deus, em vez de torná-lo palatável fazendo com que Ele pareça "divertido", transformando-O em mais uma peça de entretenimento.
Assim, a pergunta é: "Como você se livra dessa dependência?"
1. Reconhecer que ela existe é um enorme passo na direção certa.
2. Busque a Deus seriamente sobre isso. Ore como um louco para que Deus abra seus olhos para ver coisas maravilhosas na Sua lei.
3. Aprofunde-se na Bíblia, até mesmo quando você não tem vontade, suplicando a Deus que abra seus olhos para ver o que realmente está lá.
4. Entre em um grupo onde se conversa sobre coisas sérias.
5. Comece a compartilhar sua fé. Uma das razões porque nós não somos movidos por nossa própria fé como deveríamos é porque nós quase nunca conversamos sobre ela com os não-crentes. Nossa fé começa a ficar como um tipo de coisa de estufa e então começa a gerar um sentimento de irrealidade sobre si mesma. E então as forças do entretenimento começam a ter maior influência sobre nossas vidas.
Portanto essas seriam algumas das coisas, mas no final das contas é um presente da graça poder sentir a glória de Deus.
Uma última sugestão: pense em sua morte. Pense muito em sua morte. Pergunte a si mesmo o que você gostaria de estar fazendo no fim da vida, ou nas horas, ou dias, que antecedem o encontro com Cristo. Eu tenho feito muito isso por esses dias. Eu penso no impacto da morte e o que eu gostaria de estar fazendo e como eu me prepararia para encontrá-lO e prestar contas a Ele.

Fonte: Extraído do site Desiring God

Via: Juliano Heyse

O cristão e a televisão

Se todas as variáveis são iguais, a sua capacidade de conhecer a Deus talvez diminuirá profundamente em proporção a quanto tempo você assiste à televisão. Há várias razões para isto. Uma das razões é que a
televisão reflete nossa cultura em sua maior trivialidade. E uma dieta permanente de trivialidade arruína a alma. Você se acostuma com ela.
Começa parecendo normal. Aquilo que é tolo se torna divertido. E o divertido se torna agradável. E o agradável se torna satisfatório à alma. E, no final, a alma que é criada para Deus, desceu ao ponto de
satisfazer-se comodamente em trivialidades.Talvez isto não seja percebido, porque, se tudo o que você conhece é a nossa cultura, não pode perceber que há alguma coisa errada. Quando se lê apenas revistas em quadrinhos, não é de se estranhar que não haja qualquer boa literatura em casa. Quem vive onde não há estações, não sente saudades das cores do outono. Quem assiste a cinqüenta comerciais de televisão, todas as noites, talvez esqueça que existe uma coisa chamada sabedoria. Na maior parte de sua programação, a televisão é trivial. Raramente ela inspira grandes pensamentos ou fortes sentimentos com vislumbres de grandes verdades. Deus é a Realidade absoluta e suprema, que modela todas as coisas. Se Ele obtém algum tempo de transmissão, é tratado como uma opinião. Não há reverência. Não há tremor. Deus e tudo que Ele pensa a respeito do mundo está ausente da televisão. Alienadas de Deus, todas as coisas se encaminham a ruína. Pense em quão nova é a televisão. Nestes 2.000 anos de história desde a vinda de Cristo, a televisão tem moldado apenas os últimos 2,5% dessa história. Nos outros 97,5% do tempo desde a vinda de Jesus, não havia televisão. E, durante 95% desse tempo, não havia rádio. O rádio entrou em cena no início dos anos 1900. Portanto, durante 1.900 anos de história cristã, as pessoas gastaram seu tempo livre fazendo outras
coisas.
Perguntamos a nós mesmos: o que elas fizeram? Talvez liam mais. Ou conversavam mais sobre as coisas. Com certeza, elas não foram bombardeadas com trivialidades prejudiciais à alma, transmitidas durante
todo o dia.
Você já perguntou: "O que poderíamos fazer que é realmente de valor, se não assistíssemos a televisão?" Observe: não estamos refletindo apenas sobre o que a televisão nos faz com seus rios de vacuidade, mas também sobre o que ela nos impede de fazer. Por que você não faz uma experiência? Faça uma lista do que você poderia realizar, se usasse o tempo que gasta assistindo a televisão e o dedicasse a outra coisa. Por
exemplo:
1. Você poderia ser inspirado a uma grande realização por aprender sobre  a vida de Amy Carmichael, uma mulher nobre e piedosa, e sobre a coragem dela ao servir sozinha às crianças da Índia. De onde vêm esses sonhos radicais? Não vêm de assistirmos à televisão. Abra sua alma para que ela seja dilatada por meio de uma indescritível vida de consagração a uma grande causa.
2. Você poderia ser inspirado pela biografia de um homem de negócios, ou de um médico, ou de uma enfermeira, para obter a habilidade de abençoar outros com a excelência de uma profissão dedicada a um alvo mais elevado do que qualquer coisa que a televisão recomenda sem jamais incluir a Jesus.
3. Poderia memorizar o oitavo capítulo da Carta aos Romanos e penetrar nas profundezas da percepção de Paulo quanto à pessoa de Deus. E, ainda, descobrir o precioso poder da memorização das Escrituras em sua vida e seu ministério. Ninguém pode avaliar o poder que viria a uma igreja, se todos os seus membros desligassem a televisão por um mês e dedicassem o mesmo tempo à memorização das Escrituras.
4. Poderia escrever uma poesia simples ou uma carta para um parente, um filho, um amigo ou um colega, expressando profunda gratidão pela vida deles ou anelos em relação a alma deles.
5. Poderia fazer um bolo ou um prato especial para os vizinhos e entregá-lo com um sorriso e um convite de virem à sua casa, para se conhecerem mutuamente.
Portanto, existem muitas razões para se tentar um jejum de televisão ou simplesmente afastarmo-nos dela por completo. Não temos possuído um aparelho de televisão por trinta e quatro anos, exceto por três anos,
quando estivemos na Alemanha e o usamos para aprender o idioma. Não existe virtude inerente nisto. Menciono-o apenas para provar que podemos criar cinco filhos sensíveis à cultura e informados biblicamente sem a televisão. Eles nunca se queixaram disso. Na verdade, freqüentemente se admiram com o fato de que pessoas conseguem encontrar tanto tempo para assistirem a televisão.

por John Piper, em Penetrado Pela Palavra

Bebendo suco de laranja para a glória de Deus

Quando me perguntam: “A Doutrina da Depravação Total é bíblica?”, minha resposta é: “Sim”. Uma das coisas que pretendo dizer com esta resposta é que todas as nossas ações (sem a graça salvadora) são moralmente maculadas. Em outras palavras, tudo o que o incrédulo faz é pecaminoso e, portanto, inaceitável a Deus.

Uma de minhas razões para crer nisto encontra-se em 1 Coríntios 10.31: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. É pecado desobedecermos este mandamento das Escrituras? Sim.

Por isso, chego a esta triste conclusão: é pecado alguém comer, ou beber, ou fazer qualquer outra coisa, se não for para a glória de Deus. Em outras palavras, o pecado não é apenas uma lista de coisas prejudiciais (matar, roubar, etc.). Pecamos quando deixamos Deus fora de consideração nas realizações triviais de nossa vida. Pecado é qualquer coisa que fazemos, que não seja feito para a glória de Deus.

Mas, o que os incrédulos fazem para a glória de Deus? Nada. Conseqüentemente, tudo o que eles fazem é pecaminoso. É isso que pretendo dizer, quando afirmo que, sem a graça salvadora, tudo que fazemos é moralmente ruim.

Evidentemente, isto suscita uma questão prática: como podemos “comer e beber” para a glória de Deus? Tal como, por exemplo, beber suco de laranja no café da manhã?

Uma das respostas encontra-se em 1 Timóteo 4.3-5: "…[alguns] proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado."

Suco de laranja foi criado para ser “recebido com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade”. Portanto, os incrédulos não podem usar suco de laranja para cumprir o propósito que Deus tencionou - ou seja, uma ocasião para ações de graça sinceras, dirigidas a Ele, provenientes de um coração de fé.

Mas os crentes podem, e esta é a maneira como glorificam a Deus. O suco de laranja que eles bebem é santificado “pela palavra de Deus e pela oração” (1 Tm 4.5). A oração é a nossa humilde resposta de agradecimento do coração. Crer nesta verdade, apresentada na Palavra de Deus, e oferecer ações de graça, em oração, é uma das maneiras de bebermos suco de laranja para a glória de Deus.

A outra maneira é bebermos com amor. Por exemplo, não insista na porção maior. Isto é ensinado no contexto de 1 Co 10.33: “Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos“. “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). Tudo o que fazemos - inclusive beber suco de laranja - pode ser feito com a intenção e a esperança de que será proveitoso para muitos, a fim de que sejam salvos.

Louvemos a Deus porque, pela sua graça, fomos libertos da ruína completa de nossos atos. E façamos tudo, quer comamos, quer bebamos, para a glória de nosso grande Deus!

Extraído do livro Penetrado pela Palavra, John Piper, Editora Fiel.

O que significa ter um relacionamento com Deus?

Ó que todos os crentes tivessem como prioridade cada vez maior responder essa pergunta! Que eles se juntassem àqueles na história de igreja que se aprofundaram em seu relacionamento com Deus! Citarei John Owen como um exemplo. Ele escreveu um livro chamado Comunhão com Deus que é um jeito antiquado de dizer "relacionamento com Deus."

O que um relacionamento com Deus significa é que nós recebemos comunicações de Deus sobre Ele tanto através da Sua Palavra como através da história. Ele vem até nós em Jesus Cristo, no Seu ensino, na Sua
cruz, nos Seus apóstolos, através da Sua Palavra, e Ele está falando conosco. E o Seu falar é tornado vital para nós pela presente presença do Espírito Santo que habita dentro de nós. Isso é a metade do relacionamento. Ele toma a iniciativa.

Nós recebemos as comunicações dEle e, pelo Espírito, somos tornados vivos para elas. Nós as vemos chegando - suas comunicações de Si mesmo, Seu caráter e a Sua obra em nosso favor – e então somos despertados para elas. Nós passamos a admirá-las, a deleitarmo-nos com elas, e ficamos contentes, esperançosos e encorajados. Então nós devolvemos a Ele também por meio da Palavra, pelo Espírito, e pelo nome de Jesus Cristo, orações, ações de graças, resoluções de lutar a batalha da fé e atos de obediência. O resultado é que nossas vidas caminham em direção a Deus enquanto a Sua vida para nós caminha em direção ao homem. Esse é o relacionamento.

Um relacionamento com Deus fundamentalmente acontece pelo Espírito, através da Palavra. Não tente correr para longe da Bíblia tentando achar uma relação com Deus nos bosques ou em algum tipo de encontro estético com a natureza ou em alguma grande obra de arte. Tudo isso é suplementar. Sim, os céus manifestam a glória de Deus (Salmo 19:1). De fato, Deus usa arte e poesia de qualidade para nos despertar. Mas se nós
não centrarmos na Bíblia, onde ele fala autoritativa e infalivelmente, então nosso relacionamento tornar-se-á distorcido pelo erro e pelo pecado.

Portanto, deixe a Bíblia ser o lugar onde Deus encontra e fala com você e deixe a Bíblia ser o lugar onde você fala de volta para Ele. O relacionamento reside nesta comunhão: Ele para nós e nós para Ele.
E isso ocorre o tempo todo ao longo do dia. Nós nos lembramos quando estamos desencorajados: "não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te
sustento com a minha destra fiel." (Isaías 41:10). Você se lembra dessas palavras e as traz à memória, porque elas vêm de uma promessa na Bíblia. Então você diz: "Obrigado Senhor. Eu darei este passo de obediência." E naquele momento desfrutou-se de um relacionamento e uma comunhão foi experimentada. E é assim que você caminha dia após dia com Deus por esta vida.

Por John Piper
Tradução: Juliano Heyse
Via: Bom Caminho

Irmãos, leiam biografias cristãs

Hebreus 11 é um mandato divino para ler biografias cristãs. A inconfundível implicação do capítulo é que, se nós ouvimos sobre a fé de nossos pais distantes (e mães), nós iremos "deixar de lado todo peso e pecado" e "correr com perseverança a carreira que nos está proposta"(12:1). Se perguntássemos ao autor, "Como devemos considerar-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras?" (10:24), sua
resposta seria: "Através do encorajamento dos vivos (10:25) e dos mortos (cap. 11). Biografia cristã é o meio pelo qual a "vida em corpo"atravessa as gerações.

A comunhão dos vivos e dos mortos é especialmente crucial para pastores. Como líderes na igreja nós devemos ter visões para o futuro. Nós devemos declarar profeticamente onde nossa igreja deveria estar indo. Devemos inspirar pessoas com grandiosas possibilidades. Não que Deus não possa dar visão e direção e inspiração. Mas ele também usa agentes humanos para encorajar Seu povo. Então a pergunta para nós pastores é: Através de que agentes humanos Deus nos dá visão e direção e inspiração? Para mim, uma das respostas mais importantes tem sido grandes homens e mulheres de fé que, embora mortos, ainda estão falando.

Biografia cristã, bem escolhida, combina todo tipo de coisas que  pastores precisam mas teem tão pouco tempo para procurar. Boa biografia é história e nos protege contra o esnobismo cronológico (como C.S. Lewis o chama). Ela é também teologia - das mais poderosas - porque ela emana da vida de pessoas como nós. Ela também é aventura e suspense, pela qual nós temos uma fome natural. Ela é psicologia e experiência pessoal que aprofunda nosso entendimento da natureza humana (especialmente nós mesmos). Boas biografias de grandes cristãos promovem uma notável leitura eficiente.

Uma vez que a biografia é sua própria melhor testemunha, deixe-me contar um pouco do meu próprio encontro biográfico com as biografias. Biografias teem servido tanto quanto qualquer outra força humana em
minha vida para superar a inércia da mediocridade. Sem elas eu tenho a tendência de esquecer que alegria há em inexorável trabalho e aspiração. Eu tenho devotado mais tempo à vida de Jonathan Edwards (boa biografia de O. Winslow) que a qualquer outra pessoa não-bíblica. Antes dos seus 20 anos Edwards escreveu 40 resoluções que por anos teem incendiado meu trabalho. A número 6 era: "Viver com toda minha força, enquanto eu viver." A número 11: "Quando eu pensar em qualquer teorema em divindade a ser resolvido, fazer imediatamente o que eu posso para resolvê-lo, se as circunstâncias não impedirem." Número 28: "Estudar as Escrituras tão firmemente, constantemente e frequentemente, que eu possa me encontrar,
e plenamente perceber meu crescimento no conhecimento da mesma."

Quando eu vim para ser pastor de Bethlehem eu comecei a ter fome de biografias para carregar minhas baterias pastorais e me dar orientação e encorajamento. Uma vez que acredito muito no pastor-teólogo, eu evoquei não somente Edwards mas, é claro, João Calvino (T.H.L. Parker tem um pequeno Retrato e uma biografia maior).E como Calvino podia trabalhar! Depois de 1549 seu cargo especial em Geneva era pregar duas vezes no domingo e uma vez todo dia em semanas alternadas. No domingo, 25 de agosto, 1549, Calvino começou a pregar em Atos e continuou semanalmente naquele livro até março de 1554. Nos dias
de semana durante esse tempo, ele pregou através de oito dos profetas menores bem como em Daniel, Lamentações e Ezequiel. Mas o que me surpreende é que entre 1550 e 1559 ele fez 270 casamentos. Isto é um a cada duas semanas! Ele também batizou (cerca de uma vez por mês), visitou o enfermo, conduziu extensas correspondências e sustentou pesadas responsabilidades organizacionais.
Quando olho para Calvino e Edwards e o trabalho deles, é difícil sentir pena de mim mesmo por causa das minhas poucas obrigações. Eles me inspiram a romper com trabalho medíocre.

T.H.L. Parker (que, a propósito, passou a maioria dos seus 40 anos de ministério em paróquias do interior) publicou um pequeno estudo de Karl Barth em 1970 que eu devorei no meu ano intermediário no seminário. Ele teve um tremendo impacto em mim por causa de duas simples sentenças. Uma era: "Aquela noite Barth começou [a escrever] um panfleto que ele terminou no dia seguinte, um domingo [13.000 palavras em um dia!]," Eu respondi, "Se neo-ortodoxia merece tamanho trabalho fenomenal, quanto mais ortodoxia!"
A outra sentença era, "Barth aposentou-se do magistério em Basel em março de 1962 e então perdeu o estímulo que vinha da necessidade de lecionar." Eu escrevi na aba do livro, "Tem a grandeza emergido de
qualquer coisa que não seja a pressão? Se a grandeza é para ser a serva de todos, deveríamos nós não estar debaixo de autoridade, debaixo de ordens, empurrados, pressionados?"

Recentemente eu fui grandemente encorajado em meu próprio trabalho pastoral por Walking with the Giants and Listening to the Giants [Caminhando com Gigantes e Escutando Gigantes] de Warren Wiersbe. O
principal motivo pelo qual essas mini-biografias teem sido úteis é ver a completa diversidade de estilos pastorais que Deus tem escolhido para abençoar. Existiram grandes e frutíferos pastores cujos modelos de
pregação, hábitos de visitas e personalidades foram tão diferentes que todos nós podemos nos encorajar.
Um exemplo cômico: Contra o sóbrio Edwards, que media a quantidade de comida que ingeria para maximizar sua atenção no estudo, você pode colocar Spurgeon, que pesava mais de 130 kg e fumava cigarros. Ambos os homens ganharam mais conversões a Cristo que qualquer dez de nós conseguirão.
Spurgeon disse a um crítico metodista, "Se algum dia eu me achar fumando em excesso, eu prometo que irei parar totalmente."
"O que você chamaria fumar em excesso?" o homem perguntou.
"Ora, fumar dois cigarros ao mesmo tempo!" foi a resposta.

George Muller tem por anos sido um bom exemplo pra mim em oração. Sua Autobiografia é um verdadeiro pomar de frutos de construção da fé. Em uma seção ele nos conta, depois de 40 anos de tentativas, "como estar constantemente feliz em Deus." Eu vi mais claro do que nunca que o primeiro grande e principal negócio ao qual eu devia dedicar-me todo dia era ter minha alma feliz no Senhor."Por dez anos, ele explicou, ele caminhou no sentido oposto. "Antigamente, quando eu levantava eu começava a orar assim que possível
e geralmente passava todo meu tempo até o café da manhã em oração." O resultado: "Frequentemente depois de ter sofrido bastante com a mente voando nos primeiros dez minutos, ou 15 minutos, ou mesmo meia hora, só então eu começava realmente a orar."
Então Muller mudou seu padrão e fez uma descoberta que o sustentou por 40 anos. "Eu comecei a meditar no Novo Testamento, no começo do dia, cedo de manhã... buscando em todo verso alimento para minha própria alma. O resultado que encontrei quase invariavelmente foi esse, que depois de alguns minutos minha alma era guiada a confissão ou a ações de graça, ou a intercessão, ou a suplica; de modo que, embora não tenha me entregado à oração (da maneira como fazia) mas à meditação; ainda sim isso se tornava quase imediatamente uma espécie de oração."

Eu tenho achado o caminho de Muller absolutamente crucial em minha própria vida: estar com o Senhor antes de estar com qualquer outra pessoa e deixar Ele falar comigo primeiro.Uma outra coisa marcou-me na vida de Muller. Ele orava com uma convicção surpreendente por suprimentos para seu orfanato. Mas quando sua esposa ficou enferma com febre reumática, ele orou,

"Sim, meu Pai, os tempos de minha querida esposa estão em Suas mãos. Tu farás a melhor coisa para
ela e para mim, quer seja vida ou morte. Se possível for, levante novamente minha preciosa esposa - Tu és capaz de fazer isso, embora ela  esteja tão doente; mas seja qual for a forma que tu lides comigo, apenas
ajude-me continuar a ser perfeitamente satisfeito em Tua santa vontade."

Sua esposa morreu, e Muller pregou o sermão de seu funeral em Salmos 119:68: "Tu és bom e fazes o bem."
Que mundo de diferença entre essa visão de Deus e aquela que achei quando li Spiritual Autobiography [Autobiografia Espiritual] de Willian Barclay. Barclay perdeu sua filha no mar, mas sua resposta não foi aquela de Muller: "Eu sei, Oh Deus, que em fidelidade Tu me afligiste"  (Sl. 119:75). Ao invés disso Barclay disse, "Eu acredito que dor e sofrimento nunca são a vontade de Deus para Seus filhos" (a despeito de
1 Pedro 3:17!). Chamar um acidente fatal de "ato de Deus", ele diz, é blasfêmia.
A Autobiografia de Barclay é mais deprimente quando eu penso em quantos pastores buscam alimento em Barclay para cada sermão. Ele despreza uma visão da reconciliação na qual a morte de Cristo faz propiação da ira de Deus. E ele diz, "Eu sou um universalista convicto." Não posso deixar de me perguntar se a fraqueza teológica de muitos púlpitos é devida à simples dependência na teologia anêmica de comentadores como Barclay. Eu prefiro fixar minha vida na teologia de Sarah Edwards. Quando ela soube que seu marido Jonathan tinha morrido por causa de uma vacina de malária aos 54 anos, ela escreveu para sua filha: "O que posso dizer? Um Deus santo e bom nos cobriu com uma nuvem escura. Oh, que nós possamos aceitar a punição e colocarmos as mãos nas nossas bocas! O Senhor fez isso. Ele me fez adorar Sua bondade, pois o tivemos por tanto tempo. Mas meu Deus vive; e Ele tem meu coração. Oh, que legado meu marido, e seu
pai, nos deixou. Nós estamos todos nas mãos de Deus; e lá eu estou a amo estar."
Eu concluo com uma palavra de apreciação por uma autobiografia viva - Carl Lundiquist, que completa seus 28 anos na presidência do Bethel College and Seminary esse mês.
Eu estava no meio da Autobiografia de Augustus Strong quando uma oportunidade veio no último mês de maio de escrever ao Dr. Lundiquist uma carta de apreciação. Strong, que foi presidente do Rochester
Seminary por 40 anos, me deu as palavras que precisava (que mostra o valor da biografia para ilustrações de sermões). Ele escreveu, "Eu tenho sempre pensado que deve haver uma vida futura para cavalos de canal,
mulheres lavadeiras, e presidentes de faculdade; uma vez que eles não conseguem seus desertos nessa vida, deve existir uma outra vida, para justificar os caminhos de Deus."

Teologia viva. Santos falhos e encorajadores. Histórias de graça. Profunda inspiração. O melhor entretenimento. Irmãos, valem a pena suas preciosas horas. Lembrem-se de Hebreus 11. E leiam biografia cristã.

Por John Piper
Extraído de Traduções Evangélicas

O que Acontece com os Infantes que Morrem?

por John Piper

        Este é um assunto difícil e sensível. Qualquer resposta deve levar em consideração que todos nós nascemos pecaminosos e, portanto, merecedores de julgamento. A ênfase consistente do Novo Testamento sobre a necessidade de um segundo nascimento indica que nosso estado natural é aquele de pecado, não de inocência (João 3:1-12; Efésios 2:1-5; cf. Salmo 51:5). Nós somos “por natureza filhos da ira” (Efésios 2:1).

        Em adição, ao possuirmos uma natureza pecaminosa, nós também entramos neste mundo com o pecado de Adão imputado em nós. Por causa de nossa união com Adão, nós nascemos com a culpa de seu primeiro pecado (Romanos 5:12-21). Nós analisaremos esta doutrina com mais detalhe em outra parte, mas por ora é suficiente apontar que, de acordo com Paulo, o fato de que todos morrem fisicamente (mesmo aqueles que, como infantes, não tiveram a oportunidade de conscientemente transgredir a lei de Deus – Romanos 5:13-14) é uma demonstração que nós estamos unidos com a culpa do pecado de Adão.

        Se todos nós nascemos sob pecado, e a salvação é pela fé em Cristo (a qual os infantes parecem não ter a capacidade mental de exercer), então poderia parecer, à primeira vista, que nenhum infante pode ser salvo. Nós não estamos, contudo, cientes de alguém que assuma realmente esta posição. Estamos convencidos que isto seria uma conclusão prematura, anti-bíblica.

        Uma razão é que há aparentes exemplos nas Escrituras de infantes que foram salvos. Nós somos informados que João o Batista foi cheio do Espírito enquanto ainda estava no ventre de sua mãe (Lucas 1:15). Na teologia de Lucas, ser cheio do Espírito é consistentemente visto como um aspecto da obra do Espírito entre aqueles que são regenerados (Lucas 1:41,67; Atos 2:4-8,31; 6:3,5; 9:17; 11:24).

        Centenas de anos antes de João o Batista, Davi escreveu: “Mas tu és o que me tiraste do ventre: o que me preservaste estando ainda aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe” (Salmos 22:9-10). Por causa da aparente menção de Davi de ter fé em Deus, embora ainda um infante, alguns têm concluído que Deus salva os infantes dando-lhes uma forma “primitiva” de fé. Esta conclusão, contudo, não é necessária para o nosso propósito; a coisa principal neta passagem é que Davi evidentemente estava em uma relação salvífica com Deus, desde o ventre de sua mãe.

        Estes versos tornam muito improvável que todos infantes que morrem estão perdidos. Se Deus salvou João o Batista e Davi na infância, certamente estamos autorizados a concluir que Ele tem salvado outros na infância que não tiveram a oportunidade de crescer. Todavia, não estamos também autorizados para concluir destes textos que todos que morrem na infância estão salvos. A regeneração dos infantes não parece ser uma forma comum da obra de Deus; devemos guardar em mente que “os ímpios alienam-se desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras” (Salmos 58:3).

        À luz destas coisas, alguns têm sustentado que Deus salva alguns infantes que morrem e outros não. Eles declaram que esta é uma visão mais consistente com as doutrinas da eleição e do pecado original.

        John Piper e muitos outros, contudo, crêem que há mais margens bíblicas de evidência que devem ser consideradas. Esta evidência leva-nos a concluir que Deus salva todos os infantes que morrem.

        Em um sermão fúnebre, anos atrás, de um infante, o Dr. Piper sumarizou a base para sua conclusão:

            Jesus disse em João 9:41, para aqueles que foram ofendidos por Seu ensino e perguntaram se Ele pensava que eles fossem cegos – Ele disse, “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado: mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece”.

            Em outras palavras, se uma pessoa carece da capacidade natural de ver a revelação da vontade de Deus ou da glória de Deus, então, o pecado desta pessoa não permanece – Deus não trará esta pessoa para o julgamento final porque não creu no que ela não tinha capacidade natural para ver.

            O outro texto é Romanos 1:20, onde Paulo está tratando com pessoas que não tinham ouvido o evangelho e que não tinham tido acesso a ele, mas que tinham acesso à revelação da glória de Deus na natureza.

            Romanos 1:20 – “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”.

            Em outras palavras: se uma pessoa não tem acesso à revelação da glória de Deus – não tem a capacidade natural para ver e entendê-la, então Paulo implica que eles terão uma escusa no julgamento.

            O principal para nós é que, embora nós seres humanos estejamos sob a penalidade do julgamento e morte eterna por causa da queda de nossa raça em pecado e da natureza pecaminosa que todos nós temos, todavia, Deus apenas executa este julgamento sobre aqueles que possuem a capacidade natural para ver Sua glória e entender Sua vontade, e recusar abraçá-la como seu tesouro.

            Os infantes, creio, ainda não possuem tal capacidade; e, portanto, no modo inescrutável de Deus, Ele lhes traz sob o sangue perdoador de Seu Filho.

        Em outro sermão, ele adiciona:

            Deus, em Sua justiça, encontrará um modo para absolver os infantes que morrem na sua depravação. Isto será certamente através de Cristo. Mas além disto, estaremos supondo. Parece-me que a suposição mais natural seria que os bebês crescerão no reino (seja imediatamente ou não) e serão pela graça de Deus trazidos à fé, de forma que sua justificação seja pela fé somente como a nossa.

        É importante enfatizar que, em nossa visão, Deus não salva os infantes porque eles são inocentes. Eles não são inocentes, mas culpados. Ele os salva porque, embora eles sejam pecaminosos, em Sua misericórdia Ele deseja que esta compaixão seja exercida sobre aqueles que são pecaminosos e, todavia, carecem da capacidade para captar a verdade revelada sobre Ele na natureza e ao coração humano.

        Deve ser também enfatizado que a salvação de todos que morrem na infância não é inconsistente com a eleição incondicional (a visão de que Deus escolhe a quem salvar de Sua própria vontade, aparte de qualquer coisa no individuo). Como Spurgeon assinalou, não é que Deus escolha alguém para a salvação porque eles estão morrendo na infância. Antes, Ele ordenou que somente àqueles que tenham sido escolhidos para a salvação seja permitido morrer na infância. A justiça de Deus na condenação será mais claramente vista permitindo aqueles que não serão salvos demonstrar sua inerente pecaminosidade através de uma transgressão deliberada, conhecida.

        Finalmente, para aqueles que têm lutado com este assunto através de uma perda pessoal, queremos dizer que, conhecendo o que acontece aos infantes que morrem é um bom lugar para o descanso de suas almas. Mas isto é somente o segundo melhor lugar para o descanso de suas almas. Como John Piper disse em outro sermão fúnebre para um jovem infante:

            O primeiro melhor lugar é simplesmente este: Salmos 119:68 – “Tu és bom e fazes o bem”.

            Este foi o texto fúnebre de George Mueller quando sua esposa Mary morreu de febre reumática em 1860. Seus três pontos foram:

            O Senhor é bom, e fez o bem, em me dar você.

            O Senhor é bom, e fez o bem, em por tanto tempo deixar você comigo.

            O Senhor é bom, e fez o bem, em tomar você de mim.

            Ele não começou com Mary e se moveu para a bondade de Deus. Ele começou com a inabalável confiança na bondade de Deus originada em Jesus Cristo, e ele interpretou a sua vida e a sua perda à vista desta bondade.

            Este é o ponto principal: a bondade de Deus – esta é a esperança para todos nós, a única esperança.

            Nossa melodia final é uma súplica ao Espírito de Deus para nos privar de tudo na terra que possa nos tentar à não crer nisto.

        Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
        Cuiabá-MT, 29 de Setembro de 2003.
Via: Monergismo.com