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Conversões Abortivas: Culpa Nossa ou de Satanás?

por John White

O evangelismo não é uma lavagem cerebral
A primeira vez que vi a “lavagem cerebral” evangelística foi na Inglaterra, em 1945. Eu havia recebido a tarefa de ajudar uma jovem que “viera à frente” na noite anterior, mas que acordara no dia seguinte reconhecendo haver caído em uma armadilha que a levara a tomar uma decisão apressada. Sua angústia e confusão perturbaram-me profundamente.
Alguém poderia argumentar que a conversão da jovem foi genuína e que sua reação subseqüente foi inspirada por Satanás. Lembro-me de que naquela ocasião adotei esta opinião. Agora, porém, estou mais inclinado a pensar que sua conversão foi psicológica e não espiritual.
Deixe-me definir meus termos.

Em certo sentido, toda conversão é psicológica. Toda conversão inclui uma decisão e uma mudança de perspectiva. Ora, decisão e mudança de perspectiva são fenômenos psicológicos. Mas, enquanto as alterações emocionais de uma conversão espiritual resultam da ação de Deus, em uma conversão puramente psicológica tais alterações resultam de uma técnica empregada ou de uma pressão emocional. Não representam um milagre da graça.
Esta distinção começou a resplandecer em minha mente quando ouvi falar sobre as técnicas de “doutrinamento” usadas pelos comunistas chineses, logo depois da revolução na China. Eles organizavam grandes concentrações com testemunhos pessoais, coros, oradores “dinâmicos”, apelos e obreiros pessoais — tudo comunista. Imitação fraudulenta do diabo? Não exatamente. Pelo contrário, era a maneira chinesa de empregar, aberta e deliberadamente, as técnicas que alguns evangelistas (talvez de modo inconsciente) usam para obter convertidos.
Nossas mentes estão sujeitas a determinadas leis e, em grau limitado, estão abertas a manipulações. Se, em uma multidão numerosa, me fizerem rir e, depois, chorar; e, em seguida, rir e chorar novamente; e

se, em adição a isso, repetirem certas frases com insistência e, alternadamente, me falarem e me consolarem, a minha mente, se eu não estiver vigilante, se tornará cada vez mais flexível nas mãos daqueles que assim agem para comigo.
Poderei chegar a um ponto em que farão comigo o que desejarem. Meu juízo perde a sua sensibilidade, minha consciência se inflama, minhas emoções fazem tudo parecer diferente. Se, em tal condição, eu tomar a decisão que desejarem que eu tome, não importando qual seja esta “decisão”, provavelmente experimentarei alívio, alegria e paz. Este é um fenômeno psicológico bem conhecido. As suas técnicas também são bastante conhecidas. Ainda que eu permaneça alerta, talvez seja difícil resistir, pelo menos temporariamente.
A conversão espiritual autêntica é muito mais profunda. Possui uma dimensão imaterial, não-psicológica. É acompanhada por uma alegria e uma paz mais do que temporária. A conversão autêntica dá lugar à mansidão, à fome e sede de justiça, à humildade de espírito e a todos os frutos da justiça.
Se você é um pregador do evangelho, compete-lhe saber o que está fazendo. Tenha cuidado para não utilizar suas habilidades como pregador na realização de psicoterapia coletiva. Lembre-se de que está colaborando com o Espírito Santo. Você deve ter cautela em almejar grandes números de conversões, para que não tente realizar a obra que compete ao Espírito Santo. Seu trabalho, como pregador, consiste em explicar a Palavra de Deus, mostrando como ela se aplica. A obra do Espírito Santo consiste em fazer a Palavra arraigar-se na consciência do homem, a fim de que este permaneça sob o efeito da convicção. Portanto, não brinque com a consciência do pecador, relatando-lhe histórias espantosas. Permita que o Espírito Santo realize a convicção e desperte o temor. As histórias servem para esclarecer pontos obscuros da mensagem, não para produzir calafrios na congregação.
Isto significa que todas as técnicas de evangelismo estão erradas?

Não, não penso assim. É impossível fazer qualquer coisa sem alguma técnica. Precisamos de técnicas para comunicar a verdade com clareza. Prefiro dizer que as técnicas se tornam imorais quando, consciente ou inconscientemente, nós as utilizamos para manusear a vontade, as emoções ou a consciência de outrem; quando adquirem maior importância, em nossos pensamentos, do que o Espírito de Deus; quando os resultados se tornam mais importantes do que as pessoas.
Emoções falsas
Não sou contra as emoções na pregação, e sim contra o emocionalismo. Não me declaro contrário à persuasão fervorosa, e sim contra os truques utilizados para levar um homem a mudar de opinião. Paulo pleiteava com homens e mulheres, chorando enquanto os exortava. Uma atitude magnífica! Porquanto o evangelho de Jesus Cristo não consiste de uma inexpressiva proposição intelectual, e o destino de um homem impenitente não é uma questão de simples interesse acadêmico.
Por conseguinte, que haja lágrimas e não os que “arrancam lágrimas”; que haja persuasão e não as técnicas persuasivas. Em áreas não- espirituais, quando tratamos sobre algo que nos preocupa, lemos livros e manuais para aprender técnicas persuasivas, a fim de levarmos os indivíduos a tomarem decisões. Porém, na pregação, prefiro mais um pregador que chora e uma congregação de olhos enxutos do que o contrário. O pregador tem algo a respeito do qual pode chorar. Ele enxerga, ou deveria enxergar, como as pessoas realmente são, e sua tarefa consiste em transmitir o que vê. E neste processo talvez não seja capaz de controlar suas emoções.
O perigo das manipulações psicológicas não se limita às grandes concentrações de pessoas. As técnicas de evangelismo pessoal podem ser igualmente perigosas.

Vocês já se encontraram com pessoas que lhes perguntaram: “Oh! Será que passei pela experiência?” Ao questioná-las, vocês descobriram que elas haviam “aceitado o Senhor”, quando algum evangelista pessoal excessivamente zeloso apenas as pressionou demais. É verdade que alguns desses “convertidos” podem ser pessoas regeneradas que estão se afastando do Senhor. Mas estou igualmente certo de que a maioria destes casos resulta da “lavagem cerebral” evangelística aplicada por certos “obreiros pessoais”.
Parte de nossa dificuldade se origina de nosso desespero em busca de resultados. Os pastores que trabalham de “tempo integral” têm de provar que estão labutando de tal modo que merecem seu salário. São obrigados a obter resultados e se desesperam por desejarem ser bons agentes de vendas do seu produto. Os que estudam para o ministério evangélico tentam provar seu desempenho cristão (como alguns guerreiros índios provam sua masculinidade) arrancando alguns escalpos.
Ora, os resultados nos deixam perplexos. Não estou dizendo que não devemos ficar preocupados, quando as pessoas ao nosso redor não se deixam levar à salvação. De fato, neste caso deveríamos ficar extremamente preocupados. Entretanto, os resultados precisam ser genuínos, a fim de que tenham qualquer valor. É a regeneração que torna o pecador apto para o céu, e não a manipulação de uma conversão psicológica.
O que posso dizer sobre os motivos que tenho em mente, quando busco resultados? Eles se originam de um sincero interesse pelo meu próximo? Originam-se do amor de Cristo que me constrange? Anseio pela glória de Deus? Ou simplesmente estou procurando comprovar algo?
Motivos falsos
Outro problema que está por trás de nossa paixão por resultados é que pertencemos à cultura do agente de vendas. O verdadeiro representante de nossa época não é o cientista, nem o herói do espaço, e sim o vendedor. Este é o homem que realmente mantém as rodas girando.
Ora, o sucesso de um vendedor é medido pelo número de coisas que ele pode vender. Se estiver vendendo, então, ele é sucesso.

Muitos vendedores são assaltados por dúvidas secretas quanto à qualidade do produto que vendem. Têm de reprimir essas dúvidas, usando as técnicas nas quais foram treinados. Na realidade, as grandes companhias têm as suas próprias técnicas que visam manter em alto nível a moral dos vendedores.
O vendedor deve vestir-se bem e dirigir um automóvel. Isto cria uma aura de sucesso; e isto gera mais sucesso. O vendedor deve estar interessado nos seus clientes, e seu interesse deve ser “genuíno”. (Todavia, qualquer interesse pode ser genuíno quando o motivo final é uma venda, a comissão e o sucesso?) O vendedor tem de mostrar não apenas a virtude de seus produtos, mas também que o seu produto é exatamente aquilo do que seu cliente necessita.
Vivendo em um mundo de vendedores que batem de porta em porta, em um mundo de seus parentes mais sofisticados: os comerciais de rádio e televisão, a propaganda de revistas e os milhares de truques publicitários, é natural muitos imaginarem que o evangelho é apenas mais alguma coisa a ser vendida. Por isso, muitos ensinam abertamente que o evangelismo é uma questão de boa técnica de vendas.
As comparações são óbvias. Na realidade, possuímos algo do que o mundo inteiro necessita. Temos a responsabilidade de levar o conhecimento desse Algo (ou Alguém) a toda criatura. O fator tempo é importante. Homens e mulheres deveriam estar fazendo decisões favoráveis por nosso Produto (desculpem esta palavra tão repugnante).
No entanto, há certos perigos nesta comparação. D. Maria pode (devido às técnicas do vendedor) comprar vassouras, para mais tarde perceber que isso não era o que ela queria. Até certo ponto, embora muito sutilmente, ela foi vítima de “lavagem cerebral”. Isso poderá deixá-la perturbada, mas não será uma grande tragédia. Muito mais trágica é uma decisão de seguir a Cristo que representa apenas a anuência do decidido à “técnica de vendas” do evangelista.
Esperança falsa
Em primeiro lugar, se o Espírito Santo não tiver agido em seu coração, esse indivíduo não terá nascido de novo. Sua “fé” não será a fé que conduz à salvação. Terá uma esperança falsa.

Se, por outro lado, ele reagir contra a sua “conversão”, sua resistência ao evangelho aumentará muito no futuro. Em todo o mundo, existem grandes multidões que estão duplamente vigilantes contra o evangelho, por haverem passado por uma experiência espúria de conversão.
Acrescente-se a isto o fato de que a filosofia de vendedor está repleta de precipícios morais. É contrária à própria natureza do testemunho do evangelho. Vestir-se bem? Para quê? Para impressionar? Por amor ao testemunho? Será que o testemunho consiste de um terno impecável e roupas bem passadas? Ou estaremos confundindo testemunho com reputação e “imagem pública”?
E, o que é pior, você é um daqueles que está procurando exibir uma aparência vitoriosa, “para atrair pessoas a Cristo”? Isto, naturalmente, é o equivalente espiritual das roupas bem passadas. Você sorri (ou pelo menos espera-se que o faça), visto que o crente é um homem cheio de alegria. Você tenta ser semelhante a Cristo, embora não tenha uma idéia clara do que significa ser semelhante a Ele.
Faz parte da técnica. Você deve atrair pessoas a Cristo. E, se isto significa que deve suprimir uma parte do seu verdadeiro “eu”, desempenhando um grande papel em público, isto faz parte do testemunho. Mas o seu verdadeiro “eu” surge repentinamente no dormitório, onde não há ninguém, exceto Deus, para vê-lo. E, quanto a Ele, isso não tem importância. Ele não é um cliente; Ele já se encontra do lado certo.
Nunca lhe passou pela mente que a essência do testemunho (parte importantíssima da evangelização) é apenas honestidade franca? Você é sal, quer sinta isso, quer não. A Bíblia não ensina que o crente deve agir como sal, somente declara que ele é sal. Você é luz. Deus realizou algo em sua vida. Não tente brilhar. Permita que resplandeça a luz que Deus colocou ali.
Existência honesta
Ora, para que a luz do crente brilhe, nada é mais importante do que a honestidade. Temos de ser honestos perante os incrédulos. De fato, essa honestidade, por si mesma, constitui noventa por cento do testemunho. O testemunho não consiste em levantar uma fachada cristã com o propósito de convencer possíveis clientes. Testemunhar é ser honesto, é ser veraz quanto ao que Deus nos fez, tanto em nosso falar como em nossa conduta diária.
Tal honestidade exigirá que você fale a respeito de Cristo aos incrédulos com quem estiver conversando. O fato de que, no passado, você teve de criar oportunidades para falar sobre assuntos espirituais comprova que, no subconsciente, você estava evitando as oportunidades que lhe eram constantemente apresentadas.
Todos nós ocultamos a nossa verdadeira personalidade por trás de uma fachada. Para preservarmos a imagem que criamos é necessário que falemos e nos comportemos de determinada maneira. Nossa conversa é designada a criar certa impressão nas pessoas com quem falamos, a fim de que edifiquemos ou preservemos a nossa própria imagem, que desejamos vender. Ora, para muitos de nós, o “testemunho” significa adicionar determinadas características cristãs a essa imagem.
O verdadeiro testemunho, por outro lado, consiste em abandonar a fachada por trás da qual nos escondemos, e não em modificar tal fachada. Viver por trás de uma fachada é o mesmo que ocultar a lâmpada debaixo de um balde. E a falsidade é opaca em relação à luz divina.

Ora, se você é honesto, ao menos parcialmente (a honestidade total é rara e difícil), na conversa que tiver com o incrédulo, descobrirá que é extremamente difícil não falar sobre coisas pertencentes ao cristianismo bíblico. Você diz que é difícil testemunhar? Eu lhe asseguro, porém, que com um pouco de honestidade é quase impossível não testemunhar.
Ignorância honesta
Ora, a honestidade também exige que admitamos não saber tudo. Um bom vendedor jamais fica sem resposta. Mas você não foi chamado para ser um vendedor, e sim uma testemunha. E isto significa que você deve ser franco a respeito do que sabe e do que tem experimentado.
Você está esperando até que tenha todas as respostas, antes de começar a testemunhar? Não o faça. De todos os modos, busque meios de responder às questões, mas não adie seu testemunho até que obtenha todas as respostas. Esteja preparado para dizer que não sabe isto ou aquilo. Ninguém ficará surpreendido. Deus não depende dos poderes de argumentação dos crentes.
Há algum tempo, estudantes do Instituto Bíblico Moody tiveram uma reunião na Universidade de Chicago. Durante o período de debate, foram apresentadas algumas perguntas difíceis. Os estudantes do Instituto Moody tiveram o bom-senso de admitir que não podiam responder certas inquirições. A honestidade deles fazia parte integral do seu testemunho.
E isto cumpriu o seu propósito. Um membro do corpo docente da Universidade de Chicago expressou publicamente seu interesse por ouvir mais. Afirmou que, pela primeira vez, havia encontrado crentes que admitiam não saber tudo. Ele afirmou que isto, ao invés de diminuir sua confiança neles, na realidade, despertou-a.
Avaliação honesta
A honestidade também exige que reconheçamos nossos fracassos. Fracassar é algo ruim, mas enganar a respeito do fracasso é muito pior. O fim nunca justifica os meios.

Não quero dizer com isto que a honestidade consiste em extravasar os nossos piores instintos. Afirmo, porém, que admitir a própria indignação é melhor do que fingir não estarmos indignados. Também afirmo que admitir o fracasso, em nossa vida cristã, ao invés de ser prejudicial ao nosso testemunho, pode até constituir uma parte dele. Nossa própria honestidade é um testemunho. É mister grande graça e coragem espiritual para admitir o fracasso. Somente o homem que não se preocupa consigo mesmo, nem com sua imagem pública, tendo em vista exclusivamente o seu Senhor, será capaz disso.
O pecado e o fracasso não expõem Cristo ao opróbrio? É verdade. No entanto, o opróbrio não é removido quando encobrimos o pecado. É evidente que ninguém pode cuidar deste problema, enquanto não for suficientemente honesto consigo mesmo e, quando necessário, com seus semelhantes no que diz respeito a este assunto.
Não espere até ser perfeito para testemunhar de Cristo. O testemunho envolve a franqueza em todas as ocasiões, inclusive agora. Jamais encubra uma fraqueza sua com a finalidade de testemunhar. O que o mundo espera ver não é um crente perfeito, e sim o milagre da graça de Deus agindo em um crente fraco e imperfeito.
Muitos crentes de nossos dias têm a trágica e errônea idéia de que desempenham um papel extremamente importante na conversão de um pecador. Devemos exortar o pecador, não porque nossa exortação seja capaz de salvá-lo, e sim porque não podemos agir de outra maneira. Fazendo isto, seremos autênticos em relação ao que o Espírito Santo está fazendo em nós. O Espírito Santo é Aquele que verdadeiramente tem a incumbência de cuidar de uma alma recém-nascida. Desempenhar o papel dEle é perigoso, imoral e blasfemo.
Acredito que, no evangelismo moderno, tanto público como pessoal, estamos trocando nosso direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Julgamos estar seguindo o Espírito Santo, quando, na realidade, estamos seguindo apenas uma psicologia barata. Não estamos apresentando uma Pessoa, e sim promovendo um símbolo. Fomos chamados à glória e à honra de sermos testemunhas do Senhor da História e do Redentor da humanidade, porém temos apenas produzido confusão por meio de todas as nossas técnicas que visam “obter decisões”.

É tempo de abandonarmos nossos enganos blasfemos, permitindo que nossa luz brilhe diante dos homens, a fim de que glorifiquem nosso Pai, que está no céu.

via editorafiel 

A Visão Puritana do Pecado

Os Puritanos, como um corpo, manifestaram uma percepção aguda da santidade, retidão, aversão ao pecado e severidade no juízo contra ele, que é uma das marcas do grande, gracioso, onisciente e onipresente Deus da Bíblia. Seu perspicaz discernimento da capacidade que o pecado tem para penetrar, causar repulsa e matar, brotou diretamente deste profundo senso de santidade na pessoa de Deus.

Sua sensibilidade ao pecado como uma força interior, divergente e astuta, que tiraniza o não-convertido e tormenta os santos foi extraordinária. Eles continuaram sendo os mestres do Cristianismo do passado neste campo particular de entendimento.

Viam o pecado como uma energia pervertida dentro das pessoas, que as escraviza. Levando-as a desafiar a Deus, ter um comportamento de satisfação própria, e algo que, por meio da distração, engano e oposição direta, enfraquece e derruba seus intentos de retidão. Tinham o pecado com o equivalente moral de um lobo em pele de ovelha, apresentando-se a nós constantemente como algo bom e desejável e necessário, nisso corrompendo a nossa consciência para que perdêssemos o senso de sua culpabilidade e o tratássemos como um amigo em vez de um inimigo.

C. S. Lewis, em seu livro The Great Divorce (O Grande Divórcio), descreve um homem com um camaleão nos ombros , que representa a lascívia. O camaleão murmura em seu ouvido sobre o quanto a lascívia é essencial para o seu bem-estar contínuo. Quando o anjo pergunta: “Devo matá-lo?”, a primeira reação do homem é dizer: “Não”. (Alguém lembra-se da oração de Agostinho: “Dê-me a castidade, mas não agora”.

Os puritanos teriam aplaudido o camaleão de Lewis como uma projeção perfeita do modo como o pecado assume suas diversas formas de expressão na vida do cristão. A teologia puritana afirma que o pecado foi destronado, mas não destruído ainda na vida do cristão. Agora o pecado encarrega-se, como o fazia, de buscar restabelecer o domínio que perdeu. Seu poder apresenta-se tanto nos maus hábitos, que muitas vezes estão profundamente enraizados e ligados às fraquezas humanas temperamentais, quanto nos repentinos assaltos e ataques frontais a áreas onde acredita-se estar invulnerável.

O pecado em si nunca perde a força. O máximo que acontece é que, com o avanço da idade, os altos e baixos da saúde e a mudança das circunstâncias pessoais, o pecado anterior encontra formas diferentes de expressão. Mas independente da ocasião em que ele se manifeste ou da forma que assuma, o cristão não tem apenas a responsabilidade de resisti-lo, mas de atacá-lo e procurar faze-lo até a morte – em outras palavras, mortificá-lo, no sentido bíblico dessa palavra (Rm 8.13; Cl 3.5).

O ensino puritano sobre a mortificação da carne que nos tenta é completo e exaustivo. Inclui as disciplinas da auto-humilhação, do auto-exame, do preparar-se contra todos os pecados existentes nos eu sistema espiritual como uma preliminar para enfrentar qualquer um deles, evitando situações que acendam o fogo do pecado, vigiando para não se tornar uma de suas vítimas antes de perceber sua aproximação e orando especificamente ao Senhor Jesus para aplicar o poder mortal de sua cruz ao vício específico que tenta engendrar um contra-ataque.

Como escreveu o maior mestre puritano, John Owen: “Exercite a fé em Cristo para a MORTIFICAÇÃO de seus pecados. O sangue de Cristo é o remédio mais eficaz para a alma que tem a doença do pecado. Viva esta verdade, e morrerá como um conquistador; pela boa providência de Deus, viverá pra ver os desejos de sua carne mortos aos seus pés”.

Os Puritanos sempre foram mal recebidos pela crítica. Sua ênfase na guerra contínua do cristão até a morte contra o pecado “constante” (habitual” foi rejeitada como sendo um ensino maniqueísta ( a negação da bondade da natureza humana criada ), mórbido (a negação da alegria do comportamento natural) e moralmente irreal.

Mas de acordo com os fatos, tudo isso é correto, e a idéia de que todos os santos puritanos apenas pensavam em combater o pecado está completamente equivocada. O amor a Deus, a alegria da segurança, a mente espiritual, a sinceridade e o espírito público, a aceitação plácida da vontade de Deus, o caminho da persistência no oração e o poder da esperança da glória estão entre os muitos temas que são bem elaborados no ensino puritano sobre a santidade.

Nem todos batem na mesma tecla. No entanto, é verdade que a insistência em detectar, resistir e vencer os grilhões do pecado aparece em toda parte de sua teologia. Esta ênfase impediu muitos no passado de ver que a santidade no ensino puritano é fundamentalmente um alegre questão de paz, alegria, adoração, comunhão e crescimento.

O assunto sério que trata do auto-exame e do sofrimento, do interior e do exterior, na luta contra o pecado é apenas um lado da questão. Mas em uma época em que a ignorância, o espírito secular, a fraqueza moral e o pecado evidentes são tão comuns entre os cristãos são tão comuns, quanto o são hoje, sem dúvida esta lado rígido do puritanismo – O LADO QUE NOS FORÇA A PERCEBER a nossa pecaminosidade e os nossos pecados – É O QUE MAIS TEM A NOS ENSINAR.


via josemarbessa.com

O QUE É A "DEPRAVAÇÃO TOTAL?


John MacArthur

A expressão "depravação total" (que não pertence a João Calvino, mas é uma expressão que descreve seu ponto de vista) contém em si uma ambigüidade infeliz. Muitos dos que se expõem pela primeira vez a essa terminologia supõem ser este o seu significado: Calvino ensinava que todos os pecadores são tão completamente maus quanto podem ser.

Mas Calvino negava expressamente essa idéia. Reconhecia que "em cada época, existem pessoas que, guiadas por natureza, se empenham pela virtude durante toda a vida".[i] Ele sugeriu que tais pessoas ("embora haja lapsos... em sua conduta moral")[ii] possuem caráter recomendável, conforme o ponto de vista humano. "Por meio do próprio zelo de sua honestidade, elas têm dado provas de que há alguma retidão em sua natureza."[iii] Ele foi mais além: "Esses exemplos parecem advertir-nos contra o sentenciarmos a natureza do homem como totalmente corrupta, porque alguns homens têm, por seu impulso, não somente sido excelentes em obras notáveis, mas também se comportado de maneira honrosa durante a vida".[iv]

No entanto, Calvino prosseguiu afirmando que isso, na verdade, remete-nos à direção contrária. Antes, "deve ocorrer-nos que, em meio a esta corrupção da natureza, há algum lugar para a graça de Deus, não a graça que purifica essa natureza, e sim que a restringe interiormente".[v]

Nessa altura, Calvino estava descrevendo o que os teólogos chamaram posteriormente de "graça comum" — a influência restringente da parte de Deus que mitiga os efeitos do nosso pecado e capacita até criaturas caídas a manifestarem — nunca com perfeição, mas sempre de modo débil e gravemente prejudicado — a imagem de Deus que ainda faz parte de nossa natureza humana, embora tenha sido maculada pela Queda.

Em outras palavras, a depravação é "total" no sentido de que afeta todas as partes de nosso ser — não somente o corpo, não somente as emoções, mas igualmente a carne, o espírito, a mente, as emoções, os desejos, os motivos e a vontade, juntos. Não somos tão maus quanto podemos ser, mas isso acontece apenas por causa da graça restringente de Deus. Nós mesmos somos totalmente corruptos, porque de uma maneira ou de outra o pecado contamina tudo que pensamos, desejamos e fazemos. Portanto, nunca tememos a Deus da maneira como deveríamos, nunca O amamos como deveríamos e nunca Lhe obedecemos com um coração completamente puro. Isso era o que significava depravação total para Calvino.

O tratado completo de Calvino sobre a depravação humana é um dos seus mais importantes legados. Depois de sua obra a respeito da justificação pela fé, esse talvez seja um dos aspectos mais vitais de seu sistema doutrinário. Ele trouxe esclarecimento a um princípio crucial que caíra em obscuridade durante séculos desde o conflito de Agostinho com Pelágio. Magnificar o livre-arbítrio humano ou minimizar a extensão da depravação humana significa tornar irrelevante a necessidade da graça divina e subverter cada aspecto da verdade evangélica.

Uma vez que uma pessoa assimile a verdade sobre a depravação humana, os princípios controversos e difíceis da depravação se encaixam em seu devido lugar. A eleição incondicional, a primazia e a eficácia da graça salvadora, a necessidade da expiação vicária e a perseverança de todos os que Deus redime graciosamente são conseqüências necessárias deste princípio.

Embora este capítulo não possa ser mais do que uma introdução e um breve resumo da obra de Calvino quanto à doutrina da depravação, podemos ver na maneira como ele lidou com este assunto todos os melhores aspectos do ministério do grande reformador e da sua abordagem da doutrina bíblica. Nisto, vemos Calvino no seu melhor — perfeitamente informado da história da igreja, da filosofia humana e dos melhores aspectos da tradição cristã, mas determinado resoluta e incondicionalmente a submeter sua mente e ensino à verdade das Escrituras.

Sua habilidade extraordinária de enfrentar com franqueza assuntos difíceis, explicar de modo simples o seu ponto de vista e sustentar a verdade de maneira bíblica é visto mais poderosamente ou apresentada com mais excelência em seu tratado marcante a respeito da depravação total.
______________________________________
[i] John Calvin, Institutes of Christian Religion, 2.3.3.
[ii] Ibid.
[iii] Ibid.
[iv] Ibid., ênfase acrescentada.
[v] Ibid.

Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright © Editora Fiel & Reformation Trust 2009.
Retirado do livro: John Calvin, a Heart for devotion, doctrine and doxology, cap. 11. (Reformation Trust, 2008).
Permissões: O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Uma Razão Constrangedora para o Treinamento Rigoroso da Mente

Recentemente, enquanto lia e meditava sobre a carta aos Hebreus, ocorreu-me, vigorosamente, que uma razão básica e constrangedora para a educação — o treinamento rigoroso da mente — é que uma pessoa pode ler a Bíblia com entendimento.

Esta afirmativa parece óbvia demais para ser útil ou compelidora, mas isto é porque vemos a preciosidade da leitura como algo garantido. Erramos em não apreciar o tipo de pensamento que uma passagem bíblica complexa exige.

A carta aos Hebreus, por exemplo, é um argumento intelectualmente desafiador, fundamentado em textos do Antigo Testamento. As questões que o autor aborda estão ligadas a observações bíblicas que percebemos tão-somente por uma leitura rigorosa, e não por uma leitura rápida e superficial. Entender as interpretações do Antigo Testamento no texto de Hebreus exige esforço mental e meditação árdua. O mesmo poderia ser dito sobre os extensivos argumentos de Romanos, Gálatas e outros livros da Bíblia.

Este é um argumento convincente para darmos aos nossos filhos um treinamento disciplinado e inflexível a respeito de como pensar os pensamentos de um autor, em determinado texto — especialmente, um texto da Bíblia. Temos de aprender o alfabeto, o vocabulário, a gramática, a sintaxe, os rudimentos da lógica e a maneira como o significado é transmitido por meio da conexão de sentenças e parágrafos.

A razão por que os crentes sempre têm estabelecido escolas onde implantam igrejas é que somos um povo dado à leitura de um livro. É verdade que o livro não terá seus efeitos apropriados sem a oração e o Espírito Santo. A Bíblia não é um livro-texto a ser debatido. É uma fonte que satisfaz a sede espiritual e a fome da alma. É uma revelação de Deus, um poder vivificante, uma espada de dois gumes. Nada disso, porém, muda o fato de que, sem a disciplina da leitura, a Bíblia é tão incapaz como o papel. Talvez alguém tenha de ler a Bíblia para você, mas, o fato é que sem a sua leitura, o seu poder e significado permanecem trancados.

Não é notável que muitas vezes Jesus esclareceu grandes assuntos com uma referência à leitura? Por exemplo, quanto ao assunto do sábado, Ele disse: "Não lestes o que fez Davi...? (Mt 12.3) No que concerne ao divórcio e ao novo casamento, Jesus disse: "Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher...?" (Mt 19.4) Sobre a verdadeira adoração e louvor, Ele disse: "Nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?" (Mt 21.16) Quanto à ressurreição, Jesus disse: "Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular?" (Mt 21.42) Ao intérprete da Lei que provou a Jesus inquirindo-O sobre a vida eterna, Ele disse: "Que está escrito na Lei? Como interpretas?" (Lc 10.26)

O apóstolo Paulo também deu à leitura um importante lugar na vida da igreja. Por exemplo, ele disse aos crentes de Corinto: "Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo" (2 Co 1.13). À igreja de Éfeso, ele disse: "Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo" (Ef 3.4). À igreja de Colossos, Paulo disse: "E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós" (Cl 4.16). Ler as cartas do apóstolo Paulo era tão importante, que ele o ordenou com uma imprecação: "Conjuro-vos, pelo Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos" (1 Ts 5.27).

A habilidade de ler não é intuitiva. Tem de ser ensinada. E aprender a ler com entendimento é uma tarefa vitalícia. As implicações para os crentes são imensas. A educação da mente na rigorosa disciplina de leitura meditativa é um dos primeiros objetivos da educação. A igreja de Jesus fica debilitada, quando seu povo é seduzido a pensar que é humilde, ou democrático, ou relevante oferecer uma educação prática que não envolve o treinamento rigoroso da mente, para que esta pense com dedicação e interprete o significado de textos difíceis. O assunto de ganhar a vida não é tão importante quanto o de a próxima geração ter acesso direto ao significado da Palavra de Deus.

Precisamos de uma educação que dê o mais elevado valor (depois de o dar ao próprio Deus) ao conhecimento do significado do Livro de Deus e ao desenvolvimento das habilidades que nos trarão as suas riquezas por toda a vida. Seria melhor morrer por falta de alimento do que não assimilar o significado da carta aos Romanos. Senhor, não permita que falhemos para com a próxima geração!

Extraído do livro:

Uma Vida Voltada para Deus
Uma Vida Voltada para Deus
John Piper

Servindo a Deus com Alegria

por George Müller
 

No meio do povo de Deus, muitos certamente estão com as mentes cheias de planos para o futuro e para as diversas esferas do serviço nas quais, se o Senhor nos conceder mais tempo de vida, nos engajaremos. Pode ser que o bem-estar de nossas famílias, a prosperidade dos negócios, ou a atividade no serviço para o Senhor sejam considerados como as questões que mais deveriam ocupar nossa atenção. Mas, de acordo com minha avaliação, o ponto que mais requer cuidado é este: se temos verdadeira satisfação e alegria interior no Senhor!
Outras coisas podem pressioná-lo; a obra do Senhor pode, inclusive, requerer urgência sobre seu tempo e preocupação. Mas eu repito deliberadamente: é de suprema importância que você busque acima de todas as coisas encontrar verdadeira alegria e satisfação no próprio Deus. Dia após dia, procure fazer disso o assunto mais importante de sua vida. Essa tem sido minha firme e determinada convicção nos últimos 35 anos. Nos primeiros quatro anos após minha conversão, eu não sabia de sua vasta importância, mas agora, depois de muita experiência, recomendo este ponto de maneira especial para ser ponderado por meus irmãos e irmãs em Cristo. A chave para servir na obra de Deus de modo realmente eficaz é – ter alegria em Deus e experimentar verdadeiro relacionamento e comunhão com ele.
Mas de que maneira podemos alcançar essa permanente felicidade de alma? Como aprender a ter prazer em Deus? Como chegaremos a uma plena satisfação de alma em Deus a tal ponto de sermos capazes de abrir mão das coisas deste mundo como vãs e sem valor em comparação com o que temos nele? Eu respondo, essa felicidade pode ser obtida através do estudo das Sagradas Escrituras. Por meio delas, Deus tem se revelado a nós na face de Jesus Cristo.
Nas Escrituras, pelo poder do Espírito Santo, ele se manifesta ao nosso homem interior. Lembre-se, não é o Deus de nossos pensamentos ou de nossas imaginações que precisamos conhecer, mas o Deus da Bíblia, nosso Pai, que deu Jesus, seu Filho bendito, para morrer por nós. É esse Deus que devemos procurar conhecer intimamente, de acordo com a revelação que deu de si mesmo em sua tão preciosa Palavra.
A maneira como estudamos essa Palavra é uma questão da mais profunda importância. A parte mais cedo do dia que nos for disponível deve ser dedicada à meditação nas Escrituras. Devemos alimentar nosso homem interior na Palavra. Devemos lê-la – não para os outros, mas para nós mesmos. Todas as promessas, os encorajamentos, as advertências, as exortações, as repreensões devem ser recebidas diretamente no nosso coração.
De maneira especial, tomemos o cuidado de não negligenciar porção alguma da Bíblia. Ela deveria ser lida do princípio ao fim regularmente. Ler partes favoritas da Bíblia – e deixar outras de lado – é um hábito que deve ser evitado. Porém, mesmo a leitura completa da Bíblia não é suficiente. Precisamos buscar o conhecimento íntimo e experimental daquele que é revelado pelas Escrituras, o bendito Jesus que se entregou para morrer em nosso lugar. Oh, que satisfação verdadeira e duradoura nossa alma encontra nele!
Agir na Luz que Recebemos
Outro ponto precisa ser especialmente observado: a importância de se esforçar sempre para colocar em prática aquilo que aprendemos. Devemos procurar agir de acordo com a luz que já recebemos e, então, certamente mais nos será dado. Se deixarmos de fazer isso, nossa luz se tornará escuridão.
É da mais urgente importância que andemos com coração sincero, honesto e correto diante do Senhor. Se algum mal é praticado ou abrigado e tolerado, o canal de comunicação entre nós e Deus será cortado (temporariamente). É muito importante que nos lembremos disso. Enfermidades e fraquezas farão parte de nossa vida enquanto permanecermos no corpo, mas isso é diferente de voluntariamente permitirmos o mal. Eu preciso ser capaz de olhar para a face do meu Pai Celestial, com coração verdadeiro, honesto e íntegro,  e dizer, “Aqui estou, bendito Senhor; faze comigo conforme tu queres”.
Depois, lembremo-nos que somos mordomos de Deus. Nosso tempo, nossa riqueza, nossos talentos, tudo que temos é dele e dele somente. Procuremos nos lembrar disso e aplicá-lo na prática, e como será feliz então nossa vida cristã! É um princípio divino: "Ao que tem [mais] se lhe dará" (veja Mt 13.12; Mc 4.25; Lc 8.18; 19.26). Quanto mais nos empenharmos em aplicar bem aquilo que nos foi confiado, mais nos será concedido. Seremos usados pelo Senhor e nos tornaremos cada vez mais felizes em seu serviço tão abençoado. Temos apenas uma vida – uma breve vida. Busquemos com coração renovado consagrar esta única vida totalmente ao Senhor – com o propósito de viver dia após dia para Deus e para servi-lo com corpo, alma e espírito – que pertencem a ele!
Com o passar dos anos, cuidemos para que nosso poder espiritual não diminua, mas que haja um aumento de energia e vigor espiritual, de forma que nossos últimos dias sejam os melhores. A santa fé que nos foi dada não consiste em falar. Realidade, realidade, realidade é o que queremos! Que toda nossa atividade seja de coração. Sejamos genuínos. As pessoas do mundo devem ser compelidas a dizer de nós: “Se existe de fato um cristão verdadeiro, lá está um”.
Deus Revelado nas Escrituras

Voltando às Escrituras, podemos conhecer nelas, por meio do ensinamento do Espírito Santo, o caráter de Deus. Nossos olhos são abertos sobrenaturalmente para ver como Deus é amoroso! E esse bom, gracioso e amoroso Pai celestial é nosso pai, nossa porção para o tempo presente e para a eternidade. E é à bendita imagem e semelhança do Senhor Jesus, aquele que se entregou por nós, que seremos transformados. Servi-lo deve ser nossa maior alegria e privilégio enquanto permanecermos na Terra.
Quando provações e aflições vierem, quando nos parecer que Deus não é a Pessoa amável, bondosa e graciosa apresentada a nós em sua Palavra, devemos murmurar e nos desesperar? Ah, não! Amado em Cristo, confiemos em nosso Pai celeste. Como crianças pequenas, dependamos inteiramente dele, repousando na doce segurança de seu eterno e imutável amor. Lembremos como ele agiu com os santos do passado, como tratava com eles. Lembremos o que é registrado a respeito de suas histórias, pois agora Deus certamente agirá, como sempre agiu, de acordo com sua Palavra. Esse conhecimento íntimo e experimental de Deus nos tornará verdadeiramente felizes. Nada mais o fará. Se não somos cristãos felizes, há algo errado. A culpa é nossa e somente nossa.
Em Deus nosso Pai e no bendito Senhor Jesus, nossas almas têm um rico, divino, imperecível e eterno tesouro. Tomemos posse, na prática, dessas verdadeiras riquezas. Que os dias que nos restam, na nossa peregrinação terrena, sejam gastos em consagração crescente, devota e intensa de nossas almas a Deus.
 
George Müller, 1805-1898, foi um gigante da fé; é conhecido pelos orfanatos na Inglaterra que iniciou e que foram mantidos pela oração, sem pedir ofertas a ninguém. 


Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 26 nº 5 - Setembro/Outubro 2008

A Visão Puritana do Pecado

por Josemar Bessa





Os Puritanos, como um corpo, manifestaram uma percepção aguda da santidade, retidão, aversão ao pecado e severidade no juízo contra ele, que é uma das marcas do grande, gracioso, onisciente e onipresente Deus da Bíblia. Seu perspicaz discernimento da capacidade que o pecado tem para penetrar, causar repulsa e matar, brotou diretamente deste profundo senso de santidade na pessoa de Deus.

Sua sensibilidade ao pecado como uma força interior, divergente e astuta, que tiraniza o não-convertido e tormenta os santos foi extraordinária. Eles continuaram sendo os mestres do Cristianismo do passado neste campo particular de entendimento.

Viam o pecado como uma energia pervertida dentro das pessoas, que as escraviza. Levando-as a desafiar a Deus, ter um comportamento de satisfação própria, e algo que, por meio da distração, engano e oposição direta, enfraquece e derruba seus intentos de retidão. Tinham o pecado com o equivalente moral de um lobo em pele de ovelha, apresentando-se a nós constantemente como algo bom e desejável e necessário, nisso corrompendo a nossa consciência para que perdêssemos o senso de sua culpabilidade e o tratássemos como um amigo em vez de um inimigo.

C. S. Lewis, em seu livro The Great Divorce (O Grande Divórcio), descreve um homem com um camaleão nos ombros , que representa a lascívia. O camaleão murmura em seu ouvido sobre o quanto a lascívia é essencial para o seu bem-estar contínuo. Quando o anjo pergunta: “Devo matá-lo?”, a primeira reação do homem é dizer: “Não”. (Alguém lembra-se da oração de Agostinho: “Dê-me a castidade, mas não agora”.

Sua luta contra o orgulho

Dr. Joel Beeke


Joel BeekeAtente à sua atitude para com o ministério. Os pastores podem desenvolver duas atitudes paralisantes em relação ao ministério: orgulho ou pessimismo. Ambas são mundanas, pois demonstram que o mundo ainda não está crucificado em nós. Neste capítulo, abordaremos o orgulho; nos próximos capítulos, o pessimismo.



Mortificando o pecado pelo Espírito Santo

por David Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)


“Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Romanos 8.12-13).


A santificação é um processo em que o próprio homem desempenha uma parte. Nessa parte, o homem é chamado a fazer algo “pelo Espírito”, que está nele. Consideraremos agora o que exatamente o homem tem de fazer. A exortação é esta: “Se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo”. O crente é chamado a mortificar os feitos do corpo.


O "Crente Carnal" à Luz do ensino de John Owen sobre a Mortificação

por Valdeci dos Santos
 
INTRODUÇÃO
O atual renascimento do interesse pela espiritualidade parece confirmar a suspeita de Richard Lovellace de que a espiritualidade é uma "indústria promissora." Apesar dos protestos de alguns estudiosos a respeito da terminologia utilizada e da ausência de clareza teológica a esse respeito, a comunidade protestante continua não só usando o termo, mas também desenvolvendo outras aplicações para o mesmo. No entanto, o aumento do interesse cristão na espiritualidade não parece estar sendo acompanhado pela prática da mesma. Packer afirma que "um líder muito conhecido disse que o cristianismo na América do Norte tem 4.800 quilômetros de extensão e apenas 1,5 centímetros de profundidade; e indícios desta superficialidade têm sido divulgados também em outros lugares." As razões de tamanha deformidade? Packer sugere que isto se deve, "em última instância, a termos perdido nossa perseverança no evangelho bíblico" e que, "sem notar, durante o século passado permutamos aquele evangelho por um produto substituto, que, mesmo sendo bastante semelhante em certos detalhes, como um todo é completamente diferente." Na apresentação desse "novo evangelho," a falácia do crente carnal ocupa um dos papéis principais.

Este estudo procura discernir o ensinamento do evangelho bíblico através de uma comparação entre dois ensinos essencialmente opostos, a saber, a teoria moderna do "crente carnal" e a ênfase de John Owen na mortificação do pecado. A relevância deste estudo consiste não somente em ser um exercício acadêmico, mas também em oferecer um melhor entendimento bíblico de como viver a vida cristã. O presente trabalho consistirá da apresentação dos dois ensinos, com uma conclusão final baseada na exatidão bíblica de cada proposta, seguida de aplicações práticas.


Crente Carnal?

por Solano Portela

O conceito do crente carnal envolve o entendimento de que na igreja existiriam muitos que permanecem em um estágio inferior e primitivo de espiritualidade mantendo um comportamento virtualmente similar ao do incrédulo.

Essa idéia é perigosa, por que refletimos com ela a tendência renitente (mas não bíblica) de categorizarmos as pessoas em três classes [1] , quanto ao status espiritual dessas perante o soberano criador.

No conceito do "crente carnal", essa divisão tríplice seria:
(1) os incrédulos, (2) os crentes carnais e (3) os crentes espirituais.

O incrédulo, dispensa descrição. O crente espiritual seria uma superior categoria de crentes, dissociada do crente carnal - a categoria inferior. Crente espiritual não representaria, meramente, uma descrição dos salvos por Cristo, uma vez que os "carnais" também o seriam, mas identificaria aqueles que deram o segundo passo de aceitação, em direção a Deus. Já haviam aceito a Cristo como Salvador, mas, em um segundo passo e em uma segunda experiência, o aceitam como Senhor.

Essa idéia do "Crente Carnal" procede de uma compreensão superficial das palavras do apóstolo Paulo, em 1 Cor 3.1-4, e foi popularizada nas notas de rodapé da famosa Bíblia de Scofield. Infelizmente, essa "doutrina" encontrou abrigo em nosso meio, o que nos impele a esse esclarecimento maior.

Como imperfeitos e pecadores que somos, até a nossa glorificação, cada um de nós exibe um grau maior ou menor de carnalidade em nossas atitudes. Existe, portanto a possibilidade, nos crentes, de manifestações de comportamento semelhantes ao do incrédulo - isso écarnalidade no sentido ético/moral, utilizado por Paulo. Ela deve ser exposta, reprovada e a convicção de sua presença deve nos levar aos pés de Cristo em arrependimento sincero e genuíno.

Paulo não chega, entretanto, a transmitir a idéia da existência de uma terceira categoria de pessoas nas quais faltaria um passo adicional à salvação. No contexto da primeira carta aos coríntios, ele deixa claro, no cap. 1, que está escrevendo àqueles que foram santificados em Cristo Jesus. No cap. 2, ele descreve os seus leitores como "recebedores da graça de Deus, enriquecidos em toda palavra e em todo o entendimento" e traça aquela única distinção que é verdadeiramente bíblica: o ser humano natural e o ser humano espiritual - caracterizando o que se encontra ainda morto em delitos e pecados, e aquele que foi alcançado pela graça salvadora de Jesus Cristo.

Esse último, como espiritual que é (isto é: gerado pelo Espírito Santo), tem a possibilidade de discernir o ensinamento do Espírito e de manter sintonia com o Deus Supremo. Por essa razão, o comportamento específico tratado nos versos iniciais do capítulo 3 - partidarismo e espírito de divisão e dissensão (uns de Paulo, outros de Apolo), era incompatível com a fé professada. Paulo vê-se, portanto, forçado a dirigir-se a eles como descrentes procurando-os sacudi-los à racionalidade cristã. Como espirituais, tinham que apresentar crescimento. Não podiam permanecer como crianças e exibir carnalidade.

O ensinamento do "crente carnal" tem o resultado prático de confortar indevidamente aqueles que, mesmo fazendo parte da igreja local, levam uma vida desregrada, fora dos padrões das Escrituras, mas se auto-analisam como pertencentes a essa categoria. Essas pessoas, na realidade, deveriam estar examinando a genuinidade da salvação que professam. Aos que desejarem um tratamento mais aprofundado da questão, recomendamos Existe Mesmo o Crente Carnal? escrito por Ernest Reisinger (SP: Fiel, 1988) e o artigo do Rev. Augustus Nicodemus, "Paulo e os Espirituais de Corinto", em Fides Reformata 3/1, ponto II.B.3.
 
 
[1] Outras classificações tríplices errôneas, ao longo da história da igreja, que geram uma hierarquia de crentes, podem ser identificadas. (a) Entre os proto-gnósticos e gnósticos: os crentes eram divididos entre os que possuíam conhecimento espiritual apenas rudimentar e aqueles que possuíam o verdadeiro conhecimento (gnosis), velado aos demais. Teríamos então: (1) os incrédulos, (2) os crentes rudimentares e (3) os crentes iluminados. (b) No terceiro século temos os alegoristas dividindo os crentes entre aqueles que entendiam o sentido mais espiritual e profundo das passagens e aqueles que não conseguiam penetrar além do significado literal do texto. Orígenes, ensinava essa divisão: (1) Os incrédulos e os de mente simples, capazes de entender o sentido comum, histórico da Palavra de Deus, (2) os crentes capazes de entender o sentido espiritual-que se constituía na essência das Escrituras e (3) os agraciados, capazes de entender o sentido perfeito-que representava um sentido espiritual mais profundo da Palavra de Deus, possível de ser expresso somente por meio de alegorias, compreensível somente a essa casta de cristãos. (c) Os Quakers, no século 17, dividiam as pessoas, nesse sentido, em: (q) Incrédulos, (2) os crentes sem a "luz interior" do E. Santo e (3) os crentes com a "luz interior" do E. Santo, que os fazia vibrar, tremer ("quake"). (d) No pentecostalismo, temos: (1) os incrédulos; (2) os batizados com o E.S., ou "recebedores da segunda bênção" e (3) os não-batizados com o E.S., ou "ainda-carentes-de-uma-segunda-bênção" - deixando a expectativa de que sem esta experiência algo estaria a faltar na vida do cristão. Com a "segunda bênção" se atingiria um patamar superior, elevar-se-ia acima do nível do crente comum. Ainda no pentecostalismo, essa hierarquia pode tomar a seguinte forma: (1) os incrédulos; (2) os crentes, mas com fé insuficiente a serem curados fisicamente e (3) os crentes com fé suficiente a receberem a "cura divina".

Fonte: Solano Portela

Humildade arrogante

por C. S. Lewis

Há um vício do qual nenhum ser humano está isento, que todos detestam quando identificam nos outros, e do qual quase ninguém se diz culpado. As pessoas admitem que têm mau gênio, ou que perdem a cabeça por mulheres ou bebida, ou até que são covardes, mas poucos são os que acusam a si próprios deste vício.

Refiro-me ao orgulho, à presunção. Foi pelo orgulho que o demônio se tornou demônio. O orgulho leva a todos os outros vícios; ele é o perfeito estado de espírito anti-religioso.

Se quisermos saber o quanto somos orgulhosos, perguntemos a nós próprios: "Até que ponto me desgosta que outras pessoas me humilhem, recusem-se a reparar em mim, me tratem com ar de superioridade ou procurem exibir-se?". O fato é que o orgulho de cada um está em competição direta com o orgulho dos outros. O orgulho é essencialmente competitivo, ao passo que os outros vícios são apenas acidentalmente competitivos, por assim dizer.

O orgulho não vê prazer em se possuir algo, mas em possuir esse algo em maior quantidade do que o próximo. Dizemos que as pessoas se orgulham de ser ricas, inteligentes ou bonitas, mas não é bem assim. Elas se orgulham se der mais ricas, mais inteligentes, ou mais bonitas do que as outras. É a comparação que nos torna orgulhosos – o prazer de estar acima dos demais. Quase todos os males que se atribuem à cobiça ou ao egoísmo são, na realidade, muito mais o resultado do orgulho. [...]

Não imaginem que se encontrarem um homem realmente humilde, ele será o que a maioria das pessoas chamam de "humilde" hoje em dia. Em resumo, ele não será a espécie de pessoa que está sempre dizendo que, evidentemente, não é ninguém. Provavelmente só pensaremos que ele parece um indivíduo inteligente e bem disposto, e que tem um verdadeiro interesse pelo que nós dizemos a ele. Se não gostarmos dele, será porque sentimos uma certa inveja de alguém que parece apreciar a vida com facilidade. Ele não estará pensando em humildade. Ele não estará de modo algum pensando em si próprio.

Se alguém quiser compreender a humildade, acho que posso lhe dizer que passo dar. O primeiro passo é compreender que se é orgulhoso. É um grande passo. Nada mais pode ser feito antes disso. Pois quando alguém pensa que não é presunçoso, isso por si só denota uma grande presunção.


***
Citado em "O Homem em Três Tempos", do Tácito da Gama Leite Filho, Ed. CPAD, 2ª Edição, pág 247.
Extraído da revista Seleções, de Reader's Digest. Título Original: O grande pecado.
Via pulpitocristao

O perigo do pecado não-abandonado

por Jonathan Edwards

As instruções para você auto-examinar quanto a algum pecado do qual talvez você não esteja ciente já foram dadas. Como estão as coisas na sua vida? Você acha que está vivendo em algum caminho mal? Não estou perguntando se você está livre de pecado. Isso não é o esperado, pois não há quem não peque (1 Rs 8.46). Mas há algum tipo de pecado incorporado ao seu estilo de vida e prática? Sem dúvida alguns estão limpos nessa questão, alguns "irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor… que guardam as suas prescrições, e o buscam de todo coração; não praticam a iniqüidade e andam nos seus caminhos" (Sl 119.1-3).

Permita que sua consciência responda sobre como você vê sua própria vida. Você pratica algum pecado pela força do hábito? Você se deu permissão para isso? Se esse for o caso, considere o seguinte:

Se você tem procurado a salvação e ainda não a encontrou, a razão disso pode ser algum tipo de pecado em sua vida.

Talvez tenha se perguntado qual é o problema que o deixa tão preocupado em relação à sua salvação – quando diligentemente você a tem buscado – e ainda não teve retorno. Muitas vezes já implorou a Deus, e ele ainda não atentou para você. Outros recebem conforto, mas você ainda permanece em trevas. Mas isso não deve surpreender, se você se agarrou a algum pecado por muito tempo. Não é isso uma razão suficiente para que todas as suas orações e todas as suas pretensões deixem de ser atendidas?
Se você tem tentado reter seu pecado enquanto busca o Salvador, você não está buscando a salvação da maneira correta. O caminho certo é abandonar sua perversidade. Se você tem algum membro corrupto e não o corta fora, corre o risco de ele o levar para o inferno (Mt 5.29,30).

Se a graça parece estar definhando ao invés de florescer na sua alma, talvez a causa disso seja algum tipo de pecado.

A maneira de crescer na graça é andar em obediência, e ser muito determinado nisso. A graça vai florescer no coração de todo aquele que vive dessa maneira. Se você vive em algum caminho mau, ele será como uma doença incubada sugando sua vitalidade. O pecado então o manterá pobre, fraco e desfalecido.
Basta que um pecado seja praticado habitualmente para anular sua prosperidade espiritual e frear o crescimento e a força da graça em seu coração. Ele entristecerá o Espírito Santo (Ef 4.30). Ele impedirá a boa influência da Palavra de Deus. O tempo que ele permanecer será como uma úlcera, que o mantém fraco e deficiente, embora você se alimente da melhor e mais proveitosa comida espiritual.

Se você caiu em grande pecado, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha sido a raiz fundamental do seu grande fracasso.

Uma pessoa que não evita o pecado e não é meticulosamente obediente, não pode ser guardada dos grandes pecados. O pecado em que vive será sempre uma abertura, uma porta aberta pela qual Satanás encontrará a entrada. É como uma brecha na fortaleza, por onde o inimigo pode entrar e encontrar seu caminho. Se você caiu num pecado terrível, talvez seja essa a razão.
Ou se você permite algum tipo de pecado como um escape para sua corrupção, ele será como uma brecha numa represa que, se abandonada, se abrirá sempre mais até que não seja mais possível contê-la.

Se você vive em trevas espirituais, sem sentir a presença de Deus, a razão disso pode ser algum tipo de pecado.

Se você lamenta não ter um pouco da doce comunhão com o Senhor; se sente que Deus o desertou; se Deus parece ter lhe escondido sua face e raramente lhe mostra evidências da sua glória e graça; ou se parece que você foi deixado tateando e vagueando no deserto – essa pode ser a razão. Talvez você clame a Deus freqüentemente. Talvez você passe noites em claro e dias tristes. Se está vivendo desta maneira, é muito provável que essa seja a causa, a raiz dos seus desenganos, o seu Acã, o causador de problemas que ofende a Deus e traz tantas nuvens de trevas sobre sua alma. Você está entristecendo o Espírito Santo, e por isso você não recebe o seu conforto.

Cristo prometeu que se revelaria aos seus discípulos, mas com a condição de que eles guardassem os seus mandamentos: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele" (Jo 14.21). Mas se você rotineiramente vive em desobediência aos seus mandamentos, não é de se admirar que ele não se manifeste a você. A maneira de receber o favor divino é andar perto dele.

Se você duvida da sua salvação, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha levantado essas dúvidas.

O melhor jeito de se ter a clara evidência da sua salvação é por meio de um andar junto a Deus. Isso, como já notamos, é também a maneira de se ter a graça florescendo na alma. E quanto mais graça vigorosa de Deus em nós, mais provável é que seja vista. E quando Cristo se revela a nós, temos a certeza do seu amor e favor.

Mas se você vive com algum tipo de pecado, não é de surpreender que isso diminua grandemente a sua certeza. Afinal de contas, isso subjuga o exercício da graça e esconde a luz da face de Deus. E pode acontecer de você nunca saber se é um verdadeiro cristão até que tenha abandonado totalmente o pecado no qual vive.

Se Deus o reprovou, talvez algum tipo de pecado em sua vida explique o motivo.

Provavelmente a prática de um hábito pecaminoso ou o fato de tolerar um ato maldoso tenha sido a razão de ter recebido uma reprovação e um castigo dolorosos. Às vezes, Deus é excessivamente severo no trato com seu povo pelos seus pecados neste mundo. Deus não permitiu que Moisés e Arão entrassem na Terra Prometida porque o haviam desobedecido e pecado com seus lábios nas águas de Meribá. E como Deus foi terrível quando tratou com Davi! Que aflição levou para sua família! Um dos seus filhos violentou sua irmã; outro matou o irmão e depois de expulsar seu pai do trono na vista de todo Israel, deflorou a concubina de seu pai perante todos. O seu fim foi terrível; machucou completamente o coração de seu pai (2 Sm 18.33). Imediatamente depois, aconteceu a rebelião de Seba (2 Sm 20). No fim da vida, Davi viu seu outro filho usurpar o trono.

Quão severamente Deus tratou Eli por ele ter vivido no pecado, não refreando seus filhos da maldade! Os dois filhos foram mortos no mesmo dia, e o próprio Eli morreu violentamente. A arca foi levada cativa (1 Sm 4). A casa de Eli foi amaldiçoada para sempre; o próprio Deus jurou que a iniqüidade da casa de Eli nunca seria expiada por meio de sacrifícios e ofertas (1 Sm 3.13,14). O sacerdócio foi tirado de Eli e transferido para outra linhagem. Nunca mais houve um sacerdote na família de Eli (2 Sm 12.31).
O motivo das repreensões divinas que recebeu é algum tipo de pecado na sua vida? Na verdade, no tocante aos acontecimentos da Providência, você não pode ser julgado pelos seus vizinhos, porém com certeza você deveria se perguntar se Deus está contendendo com você (Jó 10.2).

Se a morte lhe causa medo, talvez seja porque você está vivendo em algum tipo de pecado.

Quando pensa na morte, você se encolhe a esse pensamento? Quando tem uma doença, ou quando alguma coisa ameaça sua vida, você sente medo? Os pensamentos de morte e a eternidade alarmam você, embora seja um cristão?
Se você vive num caminho mau, provavelmente essa seja a razão de seus medos. O pecado deixa a sua cabeça sensual e mundana e, portanto o impede de desfrutar de uma alegria celestial. O pecado diminui a graça e impede o desfrute das antecipações do conforto celestial que, de outra maneira, você desfrutaria. O pecado impede o sentimento da presença e do favor divinos. Sem isso, não é de espantar que você não veja a morte diante de si sem temor.

Não permaneça em qualquer tipo de pecado. Se, ao ler este livro [artigo], você percebeu que vive em um tipo de pecado, considere que de agora em diante, se viver da mesma maneira, estará vivendo com um pecado conhecido. Se era ou não era conhecido no passado, você talvez tenha vivido assim inadvertidamente. Mas, agora que é consciente dele, se continuar nele, seu pecado não será um pecado da ignorância, mas você se mostrará como um dos que vivem intencionalmente em caminhos de pecados conhecidos.

Sobre o autor: Jonathan Edwards (1703-1758) foi pastor congregacionalista e pregador influente durante o Grande Reavivamento nos Estados Unidos. Foi o maior teólogo-filósofo das Américas dos anos 1700, e um forte apologista calvinista contra a teoria do livre-arbítrio.

Extraído de John MacArthur, Jr. Sociedade sem Pecado. 1ª Edição. Editora Cultura Cristã, 2002. São Paulo, SP.

Eu Quero A Religião Show!

John. F. MacArthur

    “O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice.” (Charles Haddon Spurgeon [1])


No “final do século XIX... a ‘Era da Exposição’ começou a passar, e os primeiros sinais de sua substituição começaram a ser percebidos. Em seu lugar surgiu a ‘Era do Show Business’”. [2]

Enquanto Charles Spurgeon batalhava nA Controvérsia do Declínio, uma tendência mundial começava a emergir, a qual estabeleceria o curso dos afazeres humanos em todo o século XX. Era o surgimento do entretenimento como o centro da vida familiar e cultural. Essa mesma tendência viu o declínio do que Neil Postman chamou de “A Era da Exposição”, cuja característica era uma ponderada troca de idéias, de forma escrita e verbal (pregação, debates, preleções). Isso contribuiu para o surgimento da “Era do Show Business’” – na qual a diversão e o entretenimento se tornaram os aspectos mais importantes e que mais consumiriam o tempo de conversa das pessoas. Dramatização, filmes e, finalmente, a televisão colocaram o “Show Business” no centro de nossas vidas – em última análise, bem no centro de nossa sala de estar.

No “show business”, a verdade é irrelevante; o que realmente importa é se estamos sendo ou não entretidos. Atribui-se pouco valor ao conteúdo; o estilo é tudo. Nas palavras de Marshall McLuhan, o veículo é a mensagem. Infelizmente, hoje essa forma de pensar norteia tanto a igreja quanto o mundo.

Em 1955, A. W. Tozer escreveu as seguintes palavras:

    Durante séculos a igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o como um dispositivo para se perder tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um plano para se desviar a atenção de contas quanto à moral. Por manter sua posição, ela sofreu abusos por parte dos filhos deste mundo. Ultimamente, entretanto, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece ter firmado a posição de que, se não pode vencer o deus do entretenimento, o melhor que pode fazer é unir suas forças às dele e aproveitar o máximo de seus poderes. Por isso, contemplamos hoje o assombroso espetáculo de milhões de dólares sendo vertidos no negócio nada santo de prover entretenimento mundano aos chamados filhos dos céus. O entretenimento religioso está, em muitos lugares, rapidamente desalojando as sérias coisas de Deus. Muitas igrejas, em nossos dias, se tornaram nada mais que pobres teatros onde “produtores” de quinta categoria mascateiam suas mercadorias de baixo valor com plena aprovação dos seus líderes evangélicos, que chegam a citar textos bíblicos para justificar tal delinqüência. E é difícil acharmos alguém que ouse levantar a sua voz contra isso. [3]

De acordo com os padrões da atualidade, as questões que tanto inflamaram as paixões de Tozer parecem insignificantes. Por exemplo, igrejas estavam atraindo pessoas para seus cultos de Domingo à noite através da apresentação de filmes cristãos. Encontros de jovens eram realizados tendo como atração a música contemporânea e palestrantes cuja especialidade era o humor. Jogos e atividades onde se gasta muita energia passaram a desempenhar um papel chave no trabalho com os jovens das igrejas. Olhando para trás, parece difícil entendermos a angústia de Tozer. Raramente alguém hoje fica chocado ou preocupado com quaisquer métodos que pareciam radicalmente inovadores nos anos cinqüenta. A maioria deles é hoje vista com naturalidade.

Entretanto, Tozer não estava condenando jogos, estilos musicais ou filmes em si mesmos. Ele estava perplexo a respeito da filosofia que estava por trás do que vinha acontecendo à igreja. Ele soou o alarme contra a mortal mudança de enfoque. Contemplou os evangélicos fazendo uso do entretenimento como uma ferramenta para o crescimento da igreja, acreditava que isso eqüivalia à subversão das prioridades da igreja. Temia que os desvios frívolos e as diversões carnais da igreja, em última análise, destruiriam o apetite das pessoas pela verdadeira adoração e pela pregação da Palavra de Deus.

Tozer estava certo quanto a isso. Aliás, a sua repreensão revela-se a cada dia mais apropriada. Ele e Spurgeon, que o precedeu, estavam identificando uma tendência que desabrochou por completo em nossa geração. Aquilo com que a igreja flertava à época de Spurgeon tornou-se fascinação na época de Tozer. Atualmente, tornou-se uma obsessão. E o que é mais prejudicial ainda é que as formas de entretenimento encontradas hoje na igreja são, com freqüência, completamente seculares, destituídas de qualquer aspecto cristão.

Um artigo escrito no The Wall Street Journal descreveu a proposta de uma conhecida igreja no sentido de “reanimar a assistência aos cultos dominicais noturnos”. A igreja “exibiu uma luta livre entre seus empregados. Tendo em vista a preparação para o evento, dez funcionários foram instruídos por Tugboat Taylor, um ex-lutador profissional, em puxar os cabelos, chutar os queixos dos outros e arremessar seus corpos ao chão sem lhes causar qualquer dano”. [4] Isto não trouxe dano físico algum aos funcionários da igreja, mas qual o efeito de tal exibição sobre a mensagem anunciada por aquela igreja? O evangelho não se torna deturpado e pessimamente caricaturado por esse tipo de palhaçada? Você poderia imaginar o que Spurgeon ou Tozer teriam pensado a respeito disso? (...) O episódio aconteceu em um culto de Domingo à noite em uma das cinco maiores igrejas evangélicas dos Estados Unidos. Outros exemplos poderiam ser citados de várias das mais destacadas igrejas, supostamente pertencentes aos principais grupos da ortodoxia evangélica.

Alguns afirmarão que, se os princípios bíblicos forem apresentados, o instrumento para fazê-lo não é importante. Isso é bobagem. Se o entretenimento é a chave para conquistar pessoas, por que não sairmos completamente do prumo? Por que não termos um verdadeiro carnaval? Poderíamos contar com um acrobata tatuado, andando sobre um fio bem alto, fazendo malabarismos com as mãos e recitando versículos, enquanto um cão treinado se equilibraria na sua cabeça. Isso certamente atrairia uma multidão. E o conteúdo da mensagem ainda seria bíblico. É um cenário bizarro, mas ilustra bem como o veículo pode baratear e corromper a mensagem.

Infelizmente, isso não é tão diferente do que está, de fato, sendo realizado em algumas igrejas. Parece não haver limites com relação ao que alguns líderes na igreja moderna farão, a fim de atrair pessoas que não se interessam por adoração e pregação. Muitos já se renderam à idéia de que a igreja precisa conquistar os homens através do oferecer-lhes uma forma alternativa de entretenimento.

Até que ponto a igreja irá em sua competição com Hollywood? Uma grande igreja do sudoeste dos Estados Unidos acaba de instalar um sistema de efeitos especiais, que custou meio milhão de dólares, capaz de produzir fumaça, fogo, faíscas e luzes de lazer no auditório. A igreja enviou alguns de seus membros para estudar, ao vivo, os efeitos especiais de Bally’s Casino, em Las Vegas. O pastor terminou um dos cultos sendo elevado ao “céu” por meio de fios invisíveis que o tiraram da vista do auditório, enquanto o coral e a orquestra adicionavam um toque musical à fumaça, ao fogo e ao jogo de luzes. [5] Para aquele pastor, tudo não passou de um típico show dominical: “Ele lota a sua igreja através desses artifícios especiais, tais como derrubar uma árvore com uma serra para ilustrar um ponto de sua mensagem... realizar o maior espetáculo de fogos do 4 de julho da cidade e um culto de Natal com um elefante, um canguru e uma zebra alugados. O Show de Natal apresenta 100 palhaços com presentes para as crianças da igreja”. [6]

Bobagens desse gênero teriam sido o conteúdo dos piores pesadelos de Spurgeon. Até mesmo Tozer não poderia ter previsto o extremo ao qual os evangélicos chegariam em render homenagens ao grande deus entretenimento.

Energizados Pelo Pragmatismo

Não há como negar que essas excentricidades funcionam, isto é, atraem a multidão. Muitas igrejas que experimentaram tais métodos relatam desfrutar um crescimento numérico na assistência a seus cultos. E uma porção de megaigrejas – aquelas que podem pagar por produções, efeitos e instalações de primeira classe – têm se mostrado capazes de estimular um grande crescimento numérico. Algumas delas enchem auditórios enormes, com milhares de pessoas, várias vezes por semana.

Algumas dessas megaigrejas relembram elegantes clubes de campo ou estâncias de férias. Possuem instalações que impressionam, incluindo boliche, cinema, spas, restaurantes, quadras para jogos, rinques de patinação e ginásios poliesportivos de última geração. A recreação e o entretenimento são, inevitavelmente, os aspectos mais visíveis destes empreendimentos. Tais igrejas tornaram-se as Mecas dos estudantes de crescimento de igreja.

No momento, os evangélicos em toda parte estão procurando freneticamente novas técnicas e formas de entretenimento para atrair o povo. Seja o método bíblico ou não, hoje isso não parece ter importância para o líder de igreja. Produz resultados? Esse é o novo parâmetro para a legitimidade em nossos dias. Dessa forma, o pragmatismo tem se tornado a força impulsionadora de muitas das igrejas professas de nossos dias.

É Hora do Espetáculo!

Quando Charles Spurgeon nos advertiu a respeito daqueles que “gostaria de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças”, foi menosprezado como um alarmista. Mas a profecia de Spurgeon se cumpriu diante de nossos olhos. As igrejas modernas são construídas assemelhando-se a teatros (“casas de divertimento”, Spurgeon as chamou). Em lugar do púlpito, o enfoque está no palco. As igrejas estão contratando, em regime de tempo integral, especialistas em mídia, consultores de programação, diretores de cena, professores de teatro, peritos em efeitos especiais e coreógrafos.

Tudo isso não passa da extensão natural de uma filosofia norteada por marketing seguida pelas igrejas. Se a igreja funciona apenas com o objetivo de promover um produto, é bom mesmo que seus líderes prestem atenção aos métodos da Avenida Madison. Afinal, a maior competição para a igreja é um mundo repleto de diversões seculares e uma gama de bens e serviços mundanos. Portanto, dizem os especialistas de marketing, jamais conquistaremos as pessoas até que desenvolvamos formas alternativas de entretenimento a fim de ganhar-lhes a atenção e a lealdade, desviando-as das ofertas do mundo. Desta forma, esse alvo estipula a natureza da campanha de marketing.

E o que há de errado nisso? Por um lado, a igreja não deveria mercadejar seu ministério, como sendo uma alternativa aos divertimentos seculares (I Tessalonicenses 3:2-6). Isto acaba corrompendo e barateando a verdadeira missão da igreja. Não somos apresentadores de carnaval, ou vendedores de carros usados, ou camelôs. Somos embaixadores de Cristo (II Coríntios 5:20). Conhecendo o temor do Senhor (v.11), motivados pelo amor a Cristo (v. 14), tendo sido completamente transformados por Ele (v. 17), imploramos aos pecadores que se reconciliem com Deus (v. 20).

Também, em lugar de confrontar o mundo com a verdade de Cristo, as megaigrejas nortadas por marketing estão promovendo com entusiasmo as piores técnicas da cultura secular. Alimentar o apetite das pessoas por entretenimento apenas agrava o problema das emoções insensatas, da apatia e do materialismo. Com toda franqueza, é difícil conceber uma filosofia de ministério mais contrária ao padrão que o Senhor nos confiou.

Proclamar e expor a Palavra, visando o amadurecimento e a santidade dos crentes deveria ser âmago do ministério de toda igreja. Se o mundo olha para a igreja e vê ali um centro de entretenimento, estamos transmitindo a mensagem errada. Se os cristãos enxergam a igreja como um salão de diversões, a igreja morrerá. Uma senhora, inconformada com sua igreja, que tinha abraçado todas essas excentricidades modernas, queixou-se recentemente: “Quando é que a igreja vai parar de tentar entreter os bodes e voltar a alimentar as ovelhas?”

Nas Escrituras, nada indica que a igreja deveria atrair as pessoas a virem a Cristo através do apresentar o Cristianismo como uma opção atrativa. Quanto ao evangelho, nada é opcional: “E não há salvação em nenhum outro; porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). Tampouco o evangelho tem o objetivo de ser atraente, no sentido do marketing moderno. Conforme já salientamos, freqüentemente a mensagem do evangelho é uma “pedra de tropeço e rocha de escândalo” (Romanos 9:33; I Pedro 2:8). O evangelho é perturbador, chocante, transtornador, confrontador, produz convicção de pecado e é ofensivo ao orgulho humano. Não há como “fazer marketing” do evangelho bíblico. Aqueles que procuram remover a ofensa, ao torná-lo entretenedor, inevitavelmente corrompem e obscurecem os pontos cruciais da mensagem. A igreja precisa reconhecer que sua missão nunca foi a de relações públicas ou de vendas; fomos chamados a um viver santo, a declarar a inadulterada verdade de Deus – de forma amorosa, mas sem comprometê-la – a um mundo que não crê.

O Crescimento Numérico é Um Alvo Digno?

Convém dizer que não me oponho a igrejas grandes ou ao crescimento da igreja. A Grace Community Church, fundada há mais de trinta e cinco anos, tem experimentado um crescimento expressivo em toda a sua história. Aos domingos, quase dez mil pessoas assistem os nossos cultos. Passamos por ciclos de crescimento seguidos de “planaltos”. No momento, desfrutamos de outra fase de crescimento expressivo.

Oponho-me ao pragmatismo tão freqüentemente defendido por especialistas em crescimentos de igreja, que colocam o crescimento numérico acima do crescimento espiritual, crendo que podem induzir esse crescimento numérico por seguirem quaisquer técnicas que parecem produzir resultados naquele momento. O modismo provocado por essa filosofia está se tornando mais e mais indisciplinado. Está afastando as pessoas das igrejas bíblicas e desviando as igrejas das prioridades bíblicas, enquanto faz surgir um punhado de megaigrejas cujo crescimento depende da capacidade de se antecipar e responder adequadamente à próxima tendência cultural que aparecerá. A igreja foi atraída para longe do verdadeiro avivamento e seduzida por aqueles que advogam a popularização do cristianismo. E, infelizmente, a maioria dos cristãos parece desatenta ao problema, satisfeita com um cristianismo que está na moda e que é altamente vistoso.

É o crescimento numérico um alvo digno no ministério da igreja? É lógico que nenhum bom líder da igreja argumentaria seriamente contra o crescimento numérico, considerando-o inerentemente indesejável. E ninguém crê que a estagnação ou o declínio numérico devem ser buscados. Mas, o crescimento numérico é sempre o melhor indicador da saúde da igreja?

Concordo com George Peters, que escreveu:

    O crescimento quantitativo... pode ser enganador. Pode não ser mais do que a proliferação de um movimento social ou psicológico mecanicamente induzido, uma contagem numérica, uma aglomeração de indivíduos ou grupos, um crescimento de um corpo sem o desenvolvimento dos músculos e dos órgãos vitais. Talvez se trate de uma forma de cristandade, mas não da emergência do verdadeiro cristianismo. Muitos movimentos que alcançaram os povos no passado , tais como movimentos comunitários e tribais, foram assim. Um exemplo disso encontra-se nas adesões em massa na Europa, em especial na França e Rússia, quando muitos foram levados ao batismo e trazidoa para dentro da igreja, resultando em um grande número de pessoas que professavam a crsitandade, mas não resultando em uma dinâmica, vibrante, crescente e responsável igreja de Jesus Cristo... Precisamos admitir... que, em grande parte, essa expansão da forma, da profissão e do nome da cristandade manifesta pouca semelhança ao cristianismo definido no Novo Testamento e à igreja retratada no livro de Atos.

    De muitas formas, a expansão da cristandade veio em detrimento da pureza do evangelho e da verdadeira ordem e vida cristã. A igreja tornou-se infestada de práticas e crenças pagãs e sincretista em sua teologia... Grandes segmentos tornaram-se cristo-pagãos. [7]

Nenhum texto das Escrituras indica que os líderes eclesiásticos deveriam estipular alvos para o seu crescimento numérico da igreja. [8] Ouçam como o apóstolo Paulo descreveu o processo de crescimento da igreja: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma cousa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (I Coríntios 3:6,7).

Se nos preocuparmos com a profundidade de nosso ministério, Deus cuidará de sua largura. Se ministrarmos tendo em vista o crescimento espiritual, o crescimento numérico será aquilo que Deus tenciona que seja.

Afinal de contas, qual o benefício de um crescimento numérico que não está arraigado em um compromisso com o Senhorio de Cristo? Se as pessoas vêm à igreja primariamente por considerarem isso divertido, em breve hão de abandoná-la, tão logo acabe o entretenimento ou tão logo encontrem algo mais interessante. Desta forma, a igreja é forçada a participar de um ciclo vicioso, onde precisa constantemente sobrepujar cada espetáculo com algo maior e melhor.

As Raízes Pragmáticas do Movimento de Crescimento de Igreja

O pragmatismo como filosofia de ministério ganhou ímpeto a partir do movimento de crescimento de igreja que floresceu nos últimos cinqüenta anos. Donald McGravan, o pai do moderno movimento de crescimento de igreja, foi um pragmatista descarado. Ele afirmou:

    Criamos métodos e políticas missionárias à luz do que Deus abençoou e à luz daquilo que Ele, obviamente, não abençoou. A indústria chama isso de “modificar operações à luz da realimentação”. Nada atrapalha tanto as missões transculturais quanto os métodos, instituições e políticas que deveriam atrair as pessoas a Cristo, mas não o fazem; que deveriam multiplicar as igrejas, mas não o fazem. Se um método não contribui para a glória de Deus e para a expansão da igreja de Cristo, jogue-o fora e arranje algo que o faça. Quanto aos métodos, somos ousadamente pragmáticos; a doutrina é algo diferente. [9]

Como jovem missionário na Índia e sendo filho de missionários, McGravan percebeu que era comum ver organizações missionárias labutar na Índia durante muitos anos, e colher pouco ou nenhum fruto. A sua própria agência missionária plantou apenas vinte ou trinta pequenas igrejas em várias décadas de esforço missionário. [10] McGravan, então, resolveu desenvolver uma estratégia para missões que observasse quais métodos produziriam resultados e quais não funcionavam. “De acordo com sua própria declaração no prefácio de um livro de sua co-autoria, na década de 30, ele se dedicou a ‘descartar teorias de crescimento de igreja que não têm bom êxito e a aprender e praticar modelos produtivos...’” [11]

O pragmatismo de McGravan parece ter sido motivado por uma legítima preocupação com mordomia. Ele “ficou assustado ao perceber que muitos dos recursos de Deus – humanos e financeiros – estavam sendo usados, sem que ninguém questionasse se o reino de Deus estava avançando ou não, através dos programas que eles estavam sustentando”. [12] Mas o pragmatismo acabou se tornando a base filosófica para quase tudo que McGravan ensinou, e isso, por sua vez, tornou-se a agenda de todo o movimento moderno de crescimento de igreja.

McGravan fundou o Instituto de Crescimento de Igreja, que em 1965 se uniu à Escola Fuller de Missões Mundiais. A partir dali, os preceitos do pragmatismo têm alcançado praticamente todos os campos missionários do mundo.

C. Peter Wagner, professor do crescimento de igreja na Escola Fuller de Missões Mundiais, é o mais conhecido dos alunos de Donald McGravan. Atualmente, Wagner é o porta-voz mais profílico, se não o mais influente, do movimento de crescimento de igreja. Ele escreveu acerca do pragmatismo inerente ao movimento:

    O Movimento de Crescimento de Igreja sempre enfatizou o pragmatismo, e ainda o faz, embora muitos o tenham criticado. Não é o tipo de pragmatismo que compromete a doutrina ou a ética ou que desmumaniza as pessoas, usando-as como instrumento para um determinado propósito. Entretanto, é um tipo de pragmatismo consagrado que examina impiedosamente os programas e as metodologias tradicionais, questionando-as com severidade. Se algum tipo de ministério em uma igreja não está atingindo os alvos tencionados, o pragmatismo consagrado diz que há algo de errado e precisa ser corrigido. [13]

Wagner, como a maioria dos envolvidos no movimento de crescimento de igreja, reivindica que o “pragmatismo consagrado”, que ele advoga, não permite, comprometimento doutrinário ou ético. “A Bíblia não nos consente pecar, a fim de que a graça seja mais abundante, ou não permite usarmos quaisquer meios que Deus tenha proibido, a fim de alcançarmos os fins que Ele nos recomendou”, Wagner destaca corretamente. [14]

“Mas, com esta estipulação”, ele continua, “temos de perceber nitidamente que os fins, de fato, justificam os meios. O que mais poderia justificar os meios? Se o método que estou utilizando alcança o alvo a que me propus, por essa razão é um bom método. Se, por outro lado, o método não está atingindo o alvo, como posso justificar-me por continuar utilizando-o?” [15]

Isso é verdade? Não, com toda certeza. Especialmente se “o alvo a que me propus” é um alvo numérico sem o aval bíblico ou se o “método que não está atingindo o alvo” é a pregação cristalina da Palavra de Deus. É precisamente esta maneira de pensar que está retirando a exposição bíblica do ministério cristão, substituindo-a por espetáculos de variedades.

Um best-seller recente dá um passo além:

    É... crucial termos em mente o princípio da comunicação cristã: o auditório, e não a mensagem, é soberano. Se nossa pregação almeja fazer com que as pessoas parem, em meio a uma agenda confusa, e reflitam sobre o que lhes estamos dizendo, nossa mensagem terá de se adaptar às necessidades do auditório. Quando pregamos algo que se baseia na proposição do pegue-ou-largue, em vez de uma sensibilidade e resposta às necessidades das pessoas, estas acabarão, invariavelmente, rejeitando nossa mensagem. [16]

O que teria acontecido se os profetas do Antigo Testamento tivessem endossado essa filosofia? Jeremias, por exemplo, pregou durante quarenta anos sem ver qualquer resultado significativo. Pelo contrário, seus conterrâneos ameaçaram matá-lo, se não parasse de profetizar (Jeremias 11:19-23); sua própria família e amigos conspiraram contra ele (12:6); por não ser permitido casar-se, teve de sofrer uma solidão agonizante (16:2); houve conspirações secretas para matá-lo (18:20-23); foi ferido e colocado no tronco (20:1,2); foi espionado por amigos que buscavam vingança (v. 10); foi consumido por desgosto e vergonha, chegando a amaldiçoar o dia em que nasceu (v. 14-18); e por fim foi injuriado e considerado um traidor de sua própria nação (37:13,14). Ele foi açoitado e atirado em um calabouço, passando ali muitos dias sem comer (v. 15-21). Se um etíope não tivesse intercedido em seu favor, Jeremias teria morrido ali. Por fim, a tradição ensina que ele foi exilado para o Egito, onde foi apedrejado e morto por seu próprio povo. Jeremias não teve convertidos a apresentar como fruto de uma vida toda de ministério.

Suponhamos que Jeremias tivesse assistido um seminário sobre o crescimento de igreja e aprendido uma filosofia pragmática de ministério. Você acha que isso teria mudado seu estilo de ministério confrontador? Podem imaginá-lo apresentando um Show de variedades ou utilizando o humor para tentar conseguir o afeto das pessoas? Ele poderia ter aprendido como reunir uma multidão apreciável, mas certamente não teria realizado o ministério para o qual Deus o chamara.

O apóstolo Paulo também não usou um método baseado em técnicas de marketing, embora alguns autodenominados experts tenham procurado mostrá-lo como modelo para o neopragmatismo. Um dos que advogam as técnicas de marketing afirma: “Paulo foi o maior de todos os peritos em táticas. Constantemente ele estudava as estratégias e táticas para identificar as que lhe permitiriam atrair o maior número de ‘candidatos’ e conseguir o maior número possível de conversões”. [17] É claro que a Bíblia nada diz em respaldo a essa afirmação. Pelo contrário, o apóstolo Paulo evitou métodos engenhosos e artifícios que o conduzissem as pessoas a falsas conversões, através da persuasão carnal. Ele memo escreveu:

    Eu, irmão, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi com fraqueza, temor e grande tremor que eu estivesse entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e, sim, no poder de Deus (I Coríntios 2:1-5).

À igreja em Tessalônica ele relembrou:

    Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros (I Tessalonicenses 2:3-6).

A exatidão bíblica é o único critério pelo qual devemos avaliar nossos métodos de ministério.

Qualquer filosofia de ministério do tipo “fins-que-justificam-os-meios” inevitavelmente comprometerá a doutrina, a despeito de qualquer proposição em contrário. Se a eficácia se tornar o indicador do que é certo ou errado, sem a menor dúvida nossa doutrina será diluída. Em última análise, o conceito de verdade para um pragmatista é moldado pelo que parece ser eficaz e não pela revelação objetiva das Escrituras.

Uma consideração da metodologia do movimento de crescimento de igrejas revela como isso acontece. O movimento estuda todas as igrejas que estão crescendo, até mesmo aquelas que possuem doutrinas falsas no âmago de seu ensino. Igrejas denominacionais liberais, seitas carismáticas extremadas e ditaduras de hiperfundamentalismo militante são observadas para o escrutínio dos especialistas. Às vezes, princípios de crescimento são tirados até mesmo das igrejas dos mórmons ou dos Salões do Reino das Testemunhas de Jeová. O especialista em crescimento de igreja procura características comuns a todas as igrejas que estão crescendo e advoga quaisquer métodos que pareçam estar produzindo resultados. E a questão principal é sempre o crescimento numérico.

Será que devemos crer que o crescimento em uma igreja não-cristã comprova que Deus está ali operando? Deveríamos utilizar a metodologia de grtupos religiosos que corrompem o evangelho? Não é justo questionarmos se qualquer crescimento resultante de tais métodos é ilegítimo, sendo engendrado por meios carnais? Afinal, se um método demonstra ser bem-sucedido tanto para uma determinada seita quanto para o povo de Deus, não existe razão para supormos que os resultados positivos são sinônimo da bênção de Deus.

Algo que está completamente ausente da maior parte da literatura sobre crescimento de igreja é uma análise crítica da eficiente plataforma doutrinária sobre a qual muito do crescimento da igreja contemporânea é construído. Certo autor, falando acerca de Peter Wagner, disse:

    Wagner não faz avaliação negativa de quem quer que seja. Ele fez sua carreira a partir da descoberta do que é bom em igrejas que estão crescendo e em ratificar isso, sem fazer muitas perguntas críticas. Isso lhe permite apresentar como modelos de vida de igreja não apenas as Igrejas Vineyard, de John Wimber, mas também a Catedral de Cristal, de Robert Schuller, toda a denominação Batista do Sul e qualquer outra denominação que esteja em crescimento. [18]

O fato de uma igreja estar crescendo é freqüentemente confundido com a aprovação divina. Afinal, as pessoas raciocinam, por que ser crítico sobre qualquer ensinamento que Deus está abençoando com crescimento numérico? Não é melhor tolerar as imperfeições doutrinárias e os lapsos de ortodoxia, por amor ao crescimento e à unidade? Desta forma, o pragmatismo amolda e dá forma à perspectiva doutrinária das pessoas.

O próprio Peter Wagner, por exemplo, anteriormente um não-carismático, mudou seu pondo de vista a fim de aceitar o movimento de sinais e maravilhas e o movimento da “Terceira Onda”, por razões que são amplamente pragmáticas. E ele é bastante franco a esse respeito:

    Orgulho-me de estar entre os que advogam o evangelismo de poder como uma ferramenta importante para o cumprimento da grande comissão em nossos dias. Uma das razões por que estou tão entusiasmado é que o evangelismo de poder está produzindo resultados. Em geral, o evangelismo mais eficaz do mundo contemporâneo é o que vem acompanhado por manifestações de poder sobrenatural. [19]

É óbvio, então, que o pragmatismo de Wagner moldou a sua doutrina e não vice-versa.

Ele admite isso. Declara que a metodologia do movimento de crescimento de igrejas é “fenomenológica” e não teológica. Wagner admite que essa abordagem “pode parecer totalmente subjetiva para teólogos tradicionais”. [20] E continua: “Como ponto de partida, o crescimento de igreja sempre focaliza o ‘é’ antes de olhar para o ‘deveria ser’... O que os cristãos experimentaram acerca da obra de Deus no mundo e em suas vidas nem sempre é precedido de cuidadosas racionalizações teológicas. Muitas vezes, a seqüência é exatamente o oposto: a teologia é moldada pela experiência cristã”. [21]

Sendo este o caso, não é sem sentido a afirmação de Wagner ao falar que seu pragmatismo “não é do tipo que compromete a doutrina”? [22] Afinal, se a experiência sugere que sinais e maravilhas são ferramentas eficazes para o crescimento de igreja e se é legítimo permitir que nossa experiência molde nossa teologia, é lógico que alguém modifique sua doutrina – como fez o próprio Wagner – para acomodar-se a alguma observação pragmática e heurística. Deve-se, então, simplesmente, encontrar uma forma de se reinterpretar ou adaptar as Escrituras a fim de que estas se encaixem em qualquer esquema doutrinário que o pragmatismo pareça impor.

É tolice pensar que alguém pode ser bíblico e pregamático, ao mesmo tempo. O pragmatista deseja saber o que produz resultados. O pensador bíblico se importa tão-somente com o que a Bíblia ordena. As duas filosofias se opõem mutuamente no nível mais básico.

A Era do Pragmatismo

Não obstante, o pragmatismo filosófico nunca tem estado mais popular nas igrejas evangélicas. O movimento de crescimento de igrejas, que por muitos anos foi um importante fator na atividade missionária mundial, está agora exercendo tremenda influência no evangelicalismo ocidental. As galinhas do pragmatismo estão voltando ao lar para se empoleirarem. As igrejas da América do Norte estão, às centenas, experimentando as metodologias pragmáticas, e o resultado tem sido uma explosão de interesses em técnicas inovadoras a respeito de crescimento de igreja. O movimento de crescimento de igrejas fez uma aliança extra-oficial com aqueles que crêem ser o evangelismo primordialmente uma aventura de marketing.

O pragmatismo na igreja reflete bem o espírito de nossa época. Livros com títulos tais como: Marketing seu Próprio Ministério, Marketing a Igreja, e O Desenvolvimento do Marketing Eficaz e das Estratégias de Comunicação para Igrejas são a última moda. A indústria publicadora cristã vem produzindo, para líderes de igrejas, conselhos e mais conselhos tirados de campos seculares de estudo – psicologia, marketing, administração, política, entretenimento e negócios – enquanto os comentários, livros de auxílio para estudo bíblico e livros acerca de questões bíblicas estão em declínio.

O modelo para o pastor contemporâneo não é mais o profeta nem o pastor, é o executivo de corporação, o político ou, pior ainda, o apresentador de programas de “bate-papo” na televisão. A maioria das igrejas contemporâneas estão preocupadas com índices de audiência, pesquisas de popularidade, imagem corporativa, estatísticas de crescimento, lucro financeiro, pesquisas de opinião pública, gráficos populacionais, dados de recenseamento, tendências da moda, status das celebridades, a lista dos dez mais e outras questões pragmáticas. O que está desaparecendo é a paixão da igreja pela pureza e pela verdade. Ninguém parece se importar, desde que a reação das pessoas seja entusiástica.

Tozer percebeu que o pragmatismo havia se introduzido furtivamente na igreja de seus dias. Ele escreveu: “Digo sem hesitação que uma parte, uma grande parte, das atividades existentes hoje nos círculos evangélicos não são apenas influenciados pelo pragmatismo, mas parecem totalmente dominados por ele”. [23] Tozer descreveu o perigo que até mesmo o pragmatismo “consagrado” representa para a igreja:

    A filosofia pragmática... não faz perguntas embaraçosas a respeito da sabedoria daquilo que estamos realizando ou a respeito de sua moralidade. Aceita como corretos e bons nossos alvos escolhidos, buscando meios e maneiras eficientes para alcançá-los. E, quando descobre algo que tem êxito, logo encontra um texto bíblico para justificá-lo, “consagra-o” ao Senhor e vai em frente. Em seguida alguém escreve um artigo em uma revista, depois sai um livro, e, finalmente, o inventor recebe um título de honra. Após tudo isso, qualquer indignação quanto à sua biblicidade ou até mesmo quanto ao seu valor moral é completamente rejeitada. Não há como se argumentar contra o sucesso. O método produz resultados, portanto, deve ser bom. [24]

Uma Filosofia Falida

Você percebe como esta nova filosofia necessariamente corrompe a sã doutrina? Descarta o próprio método de Jesus – pregar e ensinar – como instrumentos primordiais do ministério, substituindo-os por metodologias completamente vazias de conteúdo. Ela existe independentemente de qualquer credo ou canon. Aliás, evita dogmas ou convicções fortes, considerando-os como divisivos, indecorosos ou impróprios. Rejeita a doutrina como algo acadêmico, abstrato, estéril, ameaçador ou simplesmente não-prático. Em vez de ensinar o erro ou negar a verdade, ela faz algo bem mais sutil e igualmente eficaz do ponto de vista do inimigo. Não se preocupa com o conteúdo. Não ataca a ortodoxia frontalmente, mas presta culto à verdade apenas da boca para fora, enquanto mina, em silêncio, os alicerces da doutrina. Em vez de exaltar a Deus, esta filosofia deprecia as coisas que são preciosas para Ele. Nesse sentido, o pragmatismo se apresenta como um perigo mais sutil do que o liberalismo que ameaçou a igreja na primeira metade do século XX.

O liberalismo atacou a pregação bíblica. Um dosvultos liberais de maior influência nos Estados Unidos, no início do século XX, foi Harry Emerson Fosdick, que escreveu: “Pregadores que tomam textos da Bíblia e depois apresentam seu conteúdo histórico, seu significado lógico no contexto, seu lugar na teologia do escritor, anexadas a reflexões práticas, estão empregando mal a Bíblia.” [25] A mesma preocupação pragmática que invadiu o evangelicalismo de nossos dias levou Fosdick a seu ódio pela exposição bíblica:

    Com certeza, poderia qualquer outro procedimento estar mais predestinado à monotonia e à futilidade? Aliás, quem poderia afirmar que pelo menos um, dentre cem, dos ouvintes estaria preocuado com o que Moisés, Isaías, Paulo ou João queriam dizer naquela passagem específica ou que tenha vindo à igreja profundamente interessado em tais veículos? Ninguém que conversa com o público presume que o interesse vital das pessoas está centralizado no significado de palavras ditas há dois mil anos. [26]

A sugestão de Fosdick foi que os pregadores deveriam começar pelas necessidades sentidas no auditório: “Que eles não concluam, e, sim, comecem pensando nas necessidades vitais do auditório; e que todo o sermão seja organizado em torno de um esforço construtivo para atender estas necessidades”. [27]

“Tudo isso manifesta bom senso pela psicologia”, escreveu Fosdick, apelando ao pragmatismo como justificativa. “Todo mundo usa esse estilo, desde professores a anunciantes de alto nível. Por que tantos pregadores persisitem em um costume antiquado e negligenciam isso?” [28]

Trata-se exatamente da sabedoria convencional da “igreja amigável”, norteada por marketing. Começa levando em conta as necessidades sentidas e aborda-as por meio de tópicos. Se de algum modo as Escrituras são utilizadas, é apenas para ilustração – precisamente como advogou Fosdick. É simplesmente uma acomodação a uma sociedade viciada em auto-estima e entretenimento. A diferença é que agora este conselho provém de dentro do evangelicalismo. Segue o que está na moda, mas pouco se preocupa com o que é verdadeiro. Encaixa-se bem ao liberalismo, de onde procede. Porém, está totalmente fora de lugar entre os cristãos que professam crer que as Escrituras são a Palavra de Deus inspirada.

Um recente “best-seller” evangélico alerta os leitores a se colocarem de prontidão contra pregadores cuja ênfase está no interpretar as Escrituras e não no aplicá-las. Espere um pouco. Isto é um conselho sábio? Não, de modo algum. Não existe o perigo de a doutrina ser irrelevante; a verdadeira ameaça e a abordagem não doutrinária em busca de relevância sem doutrina. O cerne de tudo que é verdadeiramente prático encontra-se no ensino das Escrituras. Não tornamos a Bíblia relevante; ela o é, inerentemente, pelo simples fato de ser a Palavra de Deus. Afinal, como pode qualquer coisa que Deus diz ser irrelevante (II Timóteo 3:16,17)?

A Igreja Semelhante a um Barzinho

O pragmatismo radical da “abordagem amigável” rouba da igreja o seu papel profético. Transforma-a em uma organização popular, que recruta seus membros através de oferecer-lhes um ambiente de calor humano e amizade, no qual as pessoas comem, bebem e são entretidas. A igreja acaba funcionando mais como um clube do que como uma casa de adoração.

Isso não é um exagero. Um recente “best-seller” que advoga idéias pragmáticas de crescimento de igreja incluiu esta sugestão:

    Lembra-se como o bar da esquina costumava ser o lugar onde os homens da vizinhança se reuniam para assistir na TV os grandes eventos esportivos, tais como lutas e campeonatos mundiais de box? Embora os tempos tenham mudado, o mesmo conceito pode ser usado pela igreja para causar um grande impacto. A maior delas possui um grande auditório que poderia ser utilizado para reuniões especiais ao redor dos grandes eventos da mídia – esportes, debates políticos, entretenimentos especiais e coisas semelhantes. [29]

O cenário é construído em torno de pressuposições que são claramente antibíblicas. A igreja não é um clube à busca de novos sócios. Não é o barzinho do bairro onde a vizinhança se reúne. Não é um grêmio estudantil à procura de calouros. Não é um centro comunitário onde se realizam as festas. Não é um clube de campo para as massas. Não é um comitê eleitoral onde os problemas da comunidade são discutidos. Não é uma corte judicial para corrigir as injustiças sociais. Não é um fórum aberto, ou uma convenção política, ou até mesmo uma cruzada evangelística.

A igreja é o corpo de Cristo (I Coríntios 12:27), e as reuniões da igreja são para adoração e instrução. O único alvo legítimo da igreja é “o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:12) – crescimento vital, não apenas expansão numérica.

A idéia de que as reuniões da igreja deveriam ser usadas para encantar ou atrair os não-cristãos é um conceito relativamente novo. Nas Escrituras, não há qualquer sugestão quanto a isso; aliás, o apóstolo Paulo falou da presença de incrédulos na igreja como um evento excepcional (I Coríntios 14:23). Hebreus 10:24,25 indica que os cultos da igreja são para o benefício dos crentes e não dos incrédulos: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos”.

Atos 2:42 mostra-nos o padrão que a igreja primitiva seguia, quando se reunia: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”. Observe que adorar a Deus e encorajar os irmãos eram as prioridades da igreja primitiva. A igreja se reunia para a edificação e se dispersava para evangelizar o mundo.

Nosso Senhor comissionou seus discípulos para evangelizarem da seguinte forma: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19). Cristo deixou evidente que a igreja não deve esperar que o mundo venha ou que deve convidá-lo a vir às suas reuniões; Ele mostrou com clareza que a igreja deve ir ao mundo. É a responsabilidade de todo crente. Temo que uma abordagem que enfatiza a apresentação do evangelho de uma forma facilitada dentro da igreja, exime o crente de sua obrigação pessoal de ser uma luz no mundo (Mateus 5:16).

Novamente ressaltamos que a proclamação da Palavra de Deus deve ser central na igreja (I Coríntios 1:23; 9.16; II Coríntios 4:5; I Timóteo 6:2; II Timóteo 4:2). “Quer seja oportuno, quer não”, é tarefa dos ministros de Deus corrigir, repreender, exortar com toda a longanimidade e doutrina (II Timóteo 4:2). O pastor que coloca o entretenimento acima da pregação bíblica e vigorosa abdica da responsabilidade primária de sua função, ou seja, apegar-se “à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” (Tito 1:9).

A estratégia da igreja nunca foi de apelar ao mundo utilizando os termos do mundo. Não se espera que as igrejas estejam a competir pelo consumidor no mesmo nível que uma cerveja famosa ou uma grande rede de televisão. Não há como estimularmos crescimento genuíno via persuasão fascinante ou técnicas engenhosas. É o Senhor quem acrescenta as almas à igreja (Atos 2:47). Metodologias humanas não podem acelerar ou suplantar o processo divino. Qualquer crescimento adicional que venha a produzir não passará de uma pobre e infrutífera imitação.

Crescimento artificial ou não-natural, no reino biológico, pode causar deformação – ou pior, câncer. Crescimento sintético, no reino espiritual, é genuinamente doentio.

Boa Técnica? Não, Má Teologia

A filosofia que une técnicas de marketing com a teoria de crescimento da igreja resulta de uma péssima teologia. Pressupõe que se você empacotar adequadamente o evangelho, as pessoas serão salvas. Esta idéia tem suas raízes no arminianismo, que faz da vontade humana, e não do Deus soberano, o fator decisivo na salvação. Fala da conversão como uma “decisão por Cristo”. Essa linguagem e doutrina começaram a permear o ministério moderno. O alvo do ministério norteado por marketing é uma decisão humana imediata, em lugar de uma transformação radical do coração, operada pelo Deus Todo-Poderoso, por meio da obra do Espírito Santo em trazer convicção e através da verdade da Palavra. Uma crença sincera na soberania de Deus na salvação findaria muitas das tolices que hoje acontecem nas igrejas.

Além do mais, toda essa abordagem de agência publicitária com relação à igreja corrompe o cristianismo e atende às concupiscências carnais que estão arraigadas na estrutura do sistema mundano (I João 2:16). Temos uma sociedade repleta de pessoas que desejam o que querem, quando o querem. Estão presos a seu próprio estilo de vida, recreação e entretenimento. Querem conforto, felicidade e sucesso. E, quando a igreja apela a esses desejos egoístas, apenas alimenta um fogo que impede a verdadeira piedade.

A igreja se acomodou à nossa cultura ao inventar um tipo de cristianismo onde o tomar a cruz tornou-se opcional, ou até mesmo, impróprio. De fato, muitos dos membros das igrejas do ocidente crêem que servirão melhor a Deus se confrontarem o mundo o menos possível.

Tendo incorporado os valores do mundo, o cristianismo em nossa sociedade encontra-se moribundo. O mundanismo e a autoindulgência vêm sutil, porém efetivamente, devorando o coração da igreja. O evangelho freqüentemente pregado em nossos dias está tão distorcido que oferece o crer em Cristo como nada mais do que um simples meio para o contentamento e a prosperidade. O escândalo da cruz (Gálatas 5:11) tem sido sistematicamente removido, de modo que a mensagem se torne mais aceitável aos incrédulos. A igreja, de alguma forma, concebeu a idéia de que pode declarar paz com os inimigos de Deus.

E quando, em cima disso, rockeiros punk, ventrílocos, palhaços, atiradores de facas, lutadores profissionais, levantadores de peso, comediantes, dançarinos, malabaristas de circo, artistas de rap, atores e celebridades do “Show Business” assumem o lugar do pregador, a mensagem do evangelho recebe um golpe catastrófico: “E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14)

Creio que podemos ser criativos e inovadores quanto à forma de apresentarmos o evangelho, mas precisamos ter o cuidado de harmonizar nossos métodos com as profundas verdades espirituais que estamos procurando transmitir. É muito fácil trivializarmos a mensagem sagrada. Precisamos fazer com que a mensagem, e não o veículo em si, seja o cerne daquilo que desejamos comunicar ao auditório.

Não se precipite em abraçar as tendências das megaigrejas cheias de tecnologia. Não desdenhe a adoração e a pregação convencionais. Não precisamos de abordagens engenhosas para que as pessoas sejam salvas (I Coríntios 1:21). Precisamos apenas voltar a pregar a verdade e plantar a semente. Se formos fiéis nisso, o solo que Deus já preparou haverá de produzir fruto.

Mas, se a igreja não se voltar para o cristianismo bíblico, logo testemunharemos o fim de nossa influência em nome de Cristo. Todos se admiram em ver quão rapidamente a face de nosso mundo está se alterando. Ao mesmo tempo, poucos cristãos percebem quão assustadoramente rápido a igreja está caminhando rumo ao declínio. Podemos estar vivendo os últimos dias do evangelicalismo bíblico como força significativa em nossa nação. Não é fantasioso imaginar que daqui a uns vinte anos haverá missionários do mundo oriental vindo evangelizar os países ocidentais.

Admitir essa possibilidade me deixa profundamente preocupado. Nós que conhecemos e amamos a verdade precisamos ser a voz profética do nosso Deus e proclamar a santidade de seu nome. Precisamos exigir que qualquer esforço feito em nome de nosso Senhor manifeste também a integridade de sua natureza. Ele é “Santo, Santo, Santo” (Isaías 6:3) e precisa ser representado dessa forma. Qualquer outra coisa não é digna de sua grandeza, majestade e santidade.

O Irromper de Uma Lepra

No final do século XIX, Spurgeon vislumbrou essa tendência de se trazer diversão para dentro da igreja. Na medida em que se alastrava A Controvérsia do Declínio, em 1889, a saúde de Spurgeon se tornava precária, e, por isso, ele deixou de pregar em vários domingos. Mas, em uma Quinta-feira à noite, no mês de abril, Spurgeon pregou, no Tabernáculo, uma mensagem na qual ele afirmou:

    Creio não estar procurando erros onde o erro não existe; mas não consigo abrir os olhos sem ver coisas sendo feitas em nossas igrejas que, há trinta anos, não eram nem sonhadas. Em termos de diversão, os professos têm avançado no caminho do relaxamento. O que é pior, as igrejas agora pensam que sua responsabilidade é entreter as pessoas. Discordantes que costumavam protestar contra a ida a um teatro, agora fazem com que o teatro venha a eles. Muitos [templos de igrejas] não deveriam receber licença para exigir peças teatrais? Se alguém fosse sério em exigir obediência às leis, não teriam de obter uma licença para que suas igrejas funcionassem como teatros?

    Tampouco ouso falar a respeito do que tem sido feito nos bazares, jantares beneficentes etc. Se esses fossem organizados por pessoas mundanas decentes, não poderiam alcançar melhores resultados? Que extravagância ainda não foi experimentada? Que absurdo tem sido grande demais para a consciência daqueles que professam ser filhos de Deus e que não são deste mundo, mas chamados a andar com Deus em vida de separação?

    O mundo considera as altas pretensões de tais pessoas como hipocrisia; e, de fato, não conheço outro termo melhor para classificá-las. Imaginem aqueles que gostam da comunhão com Deus brincando de tolos, com roupas teatrais! Falam acerca do lutar com Deus na oração em secreto, mas fazem malabarismo com o mundo em uma jogatina irreconciliável. Será que isso está correto? O certo e o errado trocaram de lugar? Sem dúvida, existe uma sobriedade de comportamento que é coerente com a obra da graça no coração, e existe uma leviandade que indica que o espírito maligno está em supremacia.

    Ah! Senhores, pode ter havido uma época em que os cristãos eram por demais precisos, mas não é assim em meus dias. Pode ter existido uma coisa espantosa chamada rigidez Puritana, mas eu nunca a vi. Agora estamos bem livres desse mal, se é que ele existiu. Já passamos da liberdade para a libertinagem. Ultrapassamos o dúbio e caímos no perigoso, e ninguém pode profetizar onde haveremos de parar. Onde está a santidade de Deus hoje?... Ela não passa de algo turvo, tal qual um paio que fumega; é mais um objeto de ridicularização do que de reverência.

    Será que o grau de influência de uma igreja não pode ser medido por sua santidade? Se grandes hostes daqueles que professam ser cristãos fossem , quer em sua vida familiar, quer em seus negócios, santificados pelo Espírito, a igreja se tornaria uma grande potência no mundo. Os santos de Deus poderão lamentar juntamente com Jerusalém, ao perceberem que sua espiritualidade e santidade estão em níveis baixíssimos! Outros podem considerar isto como algo que não trará qualquer conseqüência; porém, nós o vemos como o irromper de uma lepra. [30]

Eis o desafio para a igreja de Cristo: “Purifiquemos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (II Coríntios 7:1). Não é a engenhosidade de nossos métodos, nem as técnicas de nosso ministério, nem a perspicácia de nossos sermões que trazem poder ao nosso testemunho. É a obediência a um Deus santo e a fidelidade ao seu justo padrão em nosso viver diário.

Precisamos acordar. O declínio é um lugar perigoso para ficarmos. Não podemos ser indiferentes. Não podemos continuar em nossa busca insensata por prazer e auto-satisfação. Somos chamados a lutar uma batalha espiritual e não poderemos ganhá-la apaziguando o inimigo. Uma igreja fraca precisa se tornar forte, e um mundo necessitado precisa ser confrontado com a mensagem da salvação; e talvez haja pouco tempo para isso. Como Paulo escreveu à igreja em Roma: “Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz (Romanos 13:11,12).

Notas

[1] - “Another Word Concerning the Down-Grade”, The Sword and the Trowel (agosto, 1887), p. 398.

[2] - Neil Postman, Amusing Ourselves to Death (Nova Iorque, Penguin, 1985), p. 63.

[3] - The Root of the Righteous (Harrisburg, Pensilvânia, Christian Publications, 1955), pp. 32-33.

[4] - R. Gustav Niebuhr, “Mighty Fortress: Megachurches Strive to Be All Things to All Parishioners”, The Wall Street Journal (13 de maio, 1991), A6.

[5] - Robert Johnson, “Heavenly Gifts: Preaching a Gospel of Acquisitiveness, a Showy Sect Prospers”, The Wall Street Journal (11 de dezembro, 1990), A1-8.

[6] - Ibid., A8.

[7] - A Theology of Church Growth (Grand Rapids, Michigan, Zondervan, 1981), pp. 23-24.

[8] - Cf. C. Peter Wagner e Donald A. McGavran, Understanding Church Growth, terceira edição (Grand Rapids, Michigan, Eerdmans, 1990), pp. 265-281. Wagner e McGavran argumentam que estabelecer alvo numérico é uma parte essencial na abordagem bíblica de crescimento de igreja: “Estabelecer alvo quanto ao número de membros da igreja está de acordo com o eterno propósito de Deus... A Escritura é consistente em apoiar a idéia de planejarmos cuidadosamente o crescimento da igreja” (p. 270). Contudo, Atos 18:4, 5 e 9 é a única passagem bíblica que eles citam a fim de sustentar o seu argumento; esta passagem nada afirma a respeito de estabelecer alvos numéricos ou quaisquer outros alvos.

[9] - “For Such a Time as This” (publicador desconhecido, 1970), citado por C. Peter Wagner, “Pragmatic Strategy for Tomorrow’s Mission”, em A. R. Tippet, God, Man and Church Growth (Grand Rapids, Michigan, Eerdmans, 1973), p. 147.

[10] - Understanding Church Growth, viii-ix.

[11] - Ibid., ix.

[12] - Ibid.

[13] - Leading Your Church to Growth (Ventura, Califórnia, Regal, 1984), p. 201.

[14] - Your Church Can Grow (Ventura, Califórnia, Regal, 1976), pp. 160-161.

[15] - Ibid., p. 161 (ênfase no original).

[16] - Barna, Marketing the Church, p. 145 (ênfase adicionada).

[17] - Ibid., pp. 31-32.

[18] - Tim Stafford, “Testing the Wine from John Wimber’s Vineyard”, Christianity Today (8 de agosto, 1986), p. 18.

[19] - The Third Wave of the Holy Spirit (Ann Arbor, Michigan, Vine, 1988), p. 87.

[20] - Church Growth: State of the Art (Wheaton, Illinois, Tyndale, 1986), p. 33.

[21] - Ibid.

[22] - Leading Your Church to Growth, p. 201.

[23] - God Tells the Man Who Cares (Harrisburg, Pensilvânia, Christian Publications, 1970), p. 71.

[24] - Ibid., p. 70.

[25] - “What Is the Matter with Preaching?”, Harpes Magazine (julho, 1928), p. 135.

[26] - Ibid.

[27] - Ibid.

[28] - Ibid., p. 136.

[29] - George Barna, The Frog in the Kettle (Ventura, Califórnia, Regal, 1990), pp. 94-95.

[30] - “A Dirige for the Down-Grade, and A Song for Faith”, The Metropolitan Tabernacle Pulpit, Vol. 35 (Londres, Passamore and Alabaster, 1889), pp. 267-268.

Fonte: O presente artigo é o Capítulo 3 do livro "Com Vergonha do Evangelho" de John. F. MacArthur, publicado pela Editora Fiel, 2ª edição - 2004

Via: Pulpito cristao