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O perigo do pecado não-abandonado

por Jonathan Edwards

As instruções para você auto-examinar quanto a algum pecado do qual talvez você não esteja ciente já foram dadas. Como estão as coisas na sua vida? Você acha que está vivendo em algum caminho mal? Não estou perguntando se você está livre de pecado. Isso não é o esperado, pois não há quem não peque (1 Rs 8.46). Mas há algum tipo de pecado incorporado ao seu estilo de vida e prática? Sem dúvida alguns estão limpos nessa questão, alguns "irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor… que guardam as suas prescrições, e o buscam de todo coração; não praticam a iniqüidade e andam nos seus caminhos" (Sl 119.1-3).

Permita que sua consciência responda sobre como você vê sua própria vida. Você pratica algum pecado pela força do hábito? Você se deu permissão para isso? Se esse for o caso, considere o seguinte:

Se você tem procurado a salvação e ainda não a encontrou, a razão disso pode ser algum tipo de pecado em sua vida.

Talvez tenha se perguntado qual é o problema que o deixa tão preocupado em relação à sua salvação – quando diligentemente você a tem buscado – e ainda não teve retorno. Muitas vezes já implorou a Deus, e ele ainda não atentou para você. Outros recebem conforto, mas você ainda permanece em trevas. Mas isso não deve surpreender, se você se agarrou a algum pecado por muito tempo. Não é isso uma razão suficiente para que todas as suas orações e todas as suas pretensões deixem de ser atendidas?
Se você tem tentado reter seu pecado enquanto busca o Salvador, você não está buscando a salvação da maneira correta. O caminho certo é abandonar sua perversidade. Se você tem algum membro corrupto e não o corta fora, corre o risco de ele o levar para o inferno (Mt 5.29,30).

Se a graça parece estar definhando ao invés de florescer na sua alma, talvez a causa disso seja algum tipo de pecado.

A maneira de crescer na graça é andar em obediência, e ser muito determinado nisso. A graça vai florescer no coração de todo aquele que vive dessa maneira. Se você vive em algum caminho mau, ele será como uma doença incubada sugando sua vitalidade. O pecado então o manterá pobre, fraco e desfalecido.
Basta que um pecado seja praticado habitualmente para anular sua prosperidade espiritual e frear o crescimento e a força da graça em seu coração. Ele entristecerá o Espírito Santo (Ef 4.30). Ele impedirá a boa influência da Palavra de Deus. O tempo que ele permanecer será como uma úlcera, que o mantém fraco e deficiente, embora você se alimente da melhor e mais proveitosa comida espiritual.

Se você caiu em grande pecado, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha sido a raiz fundamental do seu grande fracasso.

Uma pessoa que não evita o pecado e não é meticulosamente obediente, não pode ser guardada dos grandes pecados. O pecado em que vive será sempre uma abertura, uma porta aberta pela qual Satanás encontrará a entrada. É como uma brecha na fortaleza, por onde o inimigo pode entrar e encontrar seu caminho. Se você caiu num pecado terrível, talvez seja essa a razão.
Ou se você permite algum tipo de pecado como um escape para sua corrupção, ele será como uma brecha numa represa que, se abandonada, se abrirá sempre mais até que não seja mais possível contê-la.

Se você vive em trevas espirituais, sem sentir a presença de Deus, a razão disso pode ser algum tipo de pecado.

Se você lamenta não ter um pouco da doce comunhão com o Senhor; se sente que Deus o desertou; se Deus parece ter lhe escondido sua face e raramente lhe mostra evidências da sua glória e graça; ou se parece que você foi deixado tateando e vagueando no deserto – essa pode ser a razão. Talvez você clame a Deus freqüentemente. Talvez você passe noites em claro e dias tristes. Se está vivendo desta maneira, é muito provável que essa seja a causa, a raiz dos seus desenganos, o seu Acã, o causador de problemas que ofende a Deus e traz tantas nuvens de trevas sobre sua alma. Você está entristecendo o Espírito Santo, e por isso você não recebe o seu conforto.

Cristo prometeu que se revelaria aos seus discípulos, mas com a condição de que eles guardassem os seus mandamentos: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele" (Jo 14.21). Mas se você rotineiramente vive em desobediência aos seus mandamentos, não é de se admirar que ele não se manifeste a você. A maneira de receber o favor divino é andar perto dele.

Se você duvida da sua salvação, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha levantado essas dúvidas.

O melhor jeito de se ter a clara evidência da sua salvação é por meio de um andar junto a Deus. Isso, como já notamos, é também a maneira de se ter a graça florescendo na alma. E quanto mais graça vigorosa de Deus em nós, mais provável é que seja vista. E quando Cristo se revela a nós, temos a certeza do seu amor e favor.

Mas se você vive com algum tipo de pecado, não é de surpreender que isso diminua grandemente a sua certeza. Afinal de contas, isso subjuga o exercício da graça e esconde a luz da face de Deus. E pode acontecer de você nunca saber se é um verdadeiro cristão até que tenha abandonado totalmente o pecado no qual vive.

Se Deus o reprovou, talvez algum tipo de pecado em sua vida explique o motivo.

Provavelmente a prática de um hábito pecaminoso ou o fato de tolerar um ato maldoso tenha sido a razão de ter recebido uma reprovação e um castigo dolorosos. Às vezes, Deus é excessivamente severo no trato com seu povo pelos seus pecados neste mundo. Deus não permitiu que Moisés e Arão entrassem na Terra Prometida porque o haviam desobedecido e pecado com seus lábios nas águas de Meribá. E como Deus foi terrível quando tratou com Davi! Que aflição levou para sua família! Um dos seus filhos violentou sua irmã; outro matou o irmão e depois de expulsar seu pai do trono na vista de todo Israel, deflorou a concubina de seu pai perante todos. O seu fim foi terrível; machucou completamente o coração de seu pai (2 Sm 18.33). Imediatamente depois, aconteceu a rebelião de Seba (2 Sm 20). No fim da vida, Davi viu seu outro filho usurpar o trono.

Quão severamente Deus tratou Eli por ele ter vivido no pecado, não refreando seus filhos da maldade! Os dois filhos foram mortos no mesmo dia, e o próprio Eli morreu violentamente. A arca foi levada cativa (1 Sm 4). A casa de Eli foi amaldiçoada para sempre; o próprio Deus jurou que a iniqüidade da casa de Eli nunca seria expiada por meio de sacrifícios e ofertas (1 Sm 3.13,14). O sacerdócio foi tirado de Eli e transferido para outra linhagem. Nunca mais houve um sacerdote na família de Eli (2 Sm 12.31).
O motivo das repreensões divinas que recebeu é algum tipo de pecado na sua vida? Na verdade, no tocante aos acontecimentos da Providência, você não pode ser julgado pelos seus vizinhos, porém com certeza você deveria se perguntar se Deus está contendendo com você (Jó 10.2).

Se a morte lhe causa medo, talvez seja porque você está vivendo em algum tipo de pecado.

Quando pensa na morte, você se encolhe a esse pensamento? Quando tem uma doença, ou quando alguma coisa ameaça sua vida, você sente medo? Os pensamentos de morte e a eternidade alarmam você, embora seja um cristão?
Se você vive num caminho mau, provavelmente essa seja a razão de seus medos. O pecado deixa a sua cabeça sensual e mundana e, portanto o impede de desfrutar de uma alegria celestial. O pecado diminui a graça e impede o desfrute das antecipações do conforto celestial que, de outra maneira, você desfrutaria. O pecado impede o sentimento da presença e do favor divinos. Sem isso, não é de espantar que você não veja a morte diante de si sem temor.

Não permaneça em qualquer tipo de pecado. Se, ao ler este livro [artigo], você percebeu que vive em um tipo de pecado, considere que de agora em diante, se viver da mesma maneira, estará vivendo com um pecado conhecido. Se era ou não era conhecido no passado, você talvez tenha vivido assim inadvertidamente. Mas, agora que é consciente dele, se continuar nele, seu pecado não será um pecado da ignorância, mas você se mostrará como um dos que vivem intencionalmente em caminhos de pecados conhecidos.

Sobre o autor: Jonathan Edwards (1703-1758) foi pastor congregacionalista e pregador influente durante o Grande Reavivamento nos Estados Unidos. Foi o maior teólogo-filósofo das Américas dos anos 1700, e um forte apologista calvinista contra a teoria do livre-arbítrio.

Extraído de John MacArthur, Jr. Sociedade sem Pecado. 1ª Edição. Editora Cultura Cristã, 2002. São Paulo, SP.

Diretrizes Para se Conduzir em Sua Caminhada Cristã


Jonathan Edwards

Carta de Jonathan Edwards, endereçada a uma jovem senhora, no ano de 1741

    Minha querida jovem amiga,

    Como você desejou que eu lhe enviasse, por escrito, algumas diretrizes para se conduzir em sua caminhada cristã, eu irei agora responder a seu pedido. A doce recordação das grandes coisas que vi ultimamente em sua igreja me inclina a fazer tudo quanto estiver ao meu alcance no propósito contribuir para a alegria espiritual e a prosperidade do povo de Deus ali.

    1. Eu lhe aconselharia a sustentar no mais alto nível o esforço e a seriedade para com a religião, como se você se encontrasse em um estado natural, e estivesse buscando conversão. Nós aconselhamos as pessoas sob convicção [de pecado] a serem sérias e decididas para o reino do céu; mas, depois que eles se convertem, não devem ser menos prestos, laboriosos, e sérios em toda obra de religião — devem ser mais; porque eles estão debaixo de obrigações infinitamente maiores.

    Por falta disto, muitas pessoas, poucos meses depois da conversão, começam a perder o doce e vívido senso das coisas espirituais, se tornam frios e opacos, e “traspassam a si mesmos com muitos sofrimentos;” sendo que, se tivessem feito como fez o apóstolo (Filipenses 3:12-14), seu caminho teria sido “como a luz que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.”

    2. Não deixe de buscar, se esforçar, e orar por aquelas muitas coisas pelas quais nós exortamos os não-convertidos a que se esforcem, a um grau ao qual você já alcançou na conversão. Ore para que seus olhos possam ser abertos, que você possa receber visão, que você possa se conhecer, e seja trazida aos pés de Deus; e que você possa ver a glória de Deus e Cristo, e ter o amor de Cristo derramado abundantemente em seu coração. Mesmo aqueles que possuem a maioria dessas qualidades, ainda precisam de oração; porque permanecem tanta cegueira e dureza, orgulho e corrupção, que eles ainda precisam que a obra de Deus seja feita neles, os iluminando e estimulando, e os livrando mais e mais das trevas para a maravilhosa luz de Deus, e sendo como que novos convertidos e ressurretos da morte. Há muitos poucos pedidos [de oração] que sejam apropriados para um homem impenitente, que não sejam também, em algum sentido, apropriados para o piedoso.

    3. Quando você ouvir um sermão, ouça para você. Embora o que é dito possa ser mais especialmente dirigido a um não-convertido, ou àqueles que, em outro aspecto, estão em circunstâncias diferentes da sua; contudo, deixe que o intuito principal de sua mente seja considerar: “Em que sentido isto se aplica a mim? E em que eu deveria melhorar, para o bem de minha própria alma?”

    4. Embora Deus perdoe e esqueça seus pecados passados, não os esqueça: lembre-se freqüentemente de que você era uma escrava miserável na terra do Egito. Traga com freqüência à mente seus atos específicos de pecado antes da conversão; como o bendito apóstolo Paulo, mencione constantemente suas antigas blasfêmias, espírito perseguidor, e suas injúrias aos santos; humilhando seu coração, e reconhecendo que era “o menor dos apóstolos,” e não merecedor “de ser chamado um apóstolo,” e o “menor de todos os santos,” e o “principal dos pecadores.” Confesse freqüentemente seus antigos pecados a Deus, e deixe que este texto esteja sempre em sua mente: “para que te lembres e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus.” (Ezequiel 16:63)

    5. Lembre-se de que você tem mais motivos, em algumas ocasiões, para estar mil vezes mais prostrada e humilhada pelos pecados que cometeu desde a sua conversão, do que pelos que cometeu antes dela; em razão da obrigação infinitamente maior de se viver para Deus, e por ver a fidelidade de Cristo, a continuidade imutável de sua bondade, a despeito de toda a sua indignidade desde a sua conversão.

    6. Esteja sempre grandemente humilhada por seus restos de corrupção, e nunca pense que você os mortificou o bastante; mas, todavia, não desanime ou desencoraje por isto; pois, embora nossa pecaminosidade exceda, nós temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo o justo; a preciosidade do seu sangue, o mérito de sua justiça, e a grandeza de seu amor e fidelidade, sobrepujam infinitamente as montanhas mais altas de nossos pecados!

    7. Quando você se ocupar no dever da oração, ou vir à ceia do Senhor, ou atender a qualquer outro dever da adoração divina — venha a Cristo como o fez Maria Madalena! Venha, e se lance aos seus pés, os beije, e derrame o doce ungüento perfumado de amor divino, fruto de um coração puro e contrito, tal como ela despejou seu precioso perfume quebrando seu puro jarro de alabastro! “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os és e os ungia com o ungüento.” (Lucas 7:37-38)

    8. Lembre-se de que o orgulho é a pior víbora que habita o coração, o grande perturbador da paz das almas, e da doce comunhão com Cristo: ele foi o primeiro pecado cometido, e está entranhado em cada parte do edifício de Satanás, e é com a maior dificuldade que ele é extirpado: ele é a mais reclusa, secreta, e enganosa de todas as luxúrias — e freqüentemente rasteja de forma imperceptível no meio da religião, até mesmo, às vezes, sob a capa da própria humildade! “Temer o Senhor é odiar o mal. O orgulho, a arrogância, o mau caminho, e a boca perversa, eu os aborreço.” (Provérbios 8:13).

    9. Que você possa fazer juízo correto de si mesma, sempre encarando como sendo as melhores descobertas, e os melhores confortos, aqueles que geralmente têm estes dois efeitos: os que fazem você menos e menor, e mais e mais como uma criança; e os que mais impulsionam e fixam seu coração em uma disposição total e firme de negar a si mesma, e gastar e ser gasta para Deus.

    10. Se a qualquer tempo você estiver em dúvida sobre o estado de sua alma, em trevas e estúpidas ciladas da mente — é apropriado revisar sua experiência passada; mas não gaste muito tempo e força deste modo. Se vai aplicar-se a algo, com todas as suas forças, se aplique em perseguir seriamente uma experiência renovada, nova luz, e novos atos vívidos de fé e amor. Uma nova descoberta da glória da face de Cristo irá fazer mais no sentido de dissipar nuvens de escuridão, do que o faria examinar velhas experiências através de um ano inteiro, por melhores que sejam os sinais que disto possa resultar.

    11. Quando o exercício da graça for escasso, e a corrupção prevalecer, e isto significa: o medo prevalecer; não anseie pelo temor de decair ou qualquer outra coisa, senão pelo reavivamento e prevalecência do amor de Deus no coração. Através disto, o medo será efetivamente expulso, como as trevas desaparecem de um quarto, ao entrar nele os agradáveis raios de sol.

    12. Então aconselhe e advirta outros a que façam isto cedo, e de forma afetuosa, e de forma completa. Lembre-se de que você está falando aos seus iguais — deixe que suas advertências sejam entrecruzadas com expressões de seu senso de sua própria indignidade, e da graça soberana que te faz diferença.

    13. Se você organizasse reuniões piedosas com outras jovens, indo assisti-las de vez em quando, além das outras reuniões a que você comparece, penso que seria muito apropriado e proveitoso.

    14. Sob certas dificuldades, ou quando em grande necessidade de, ou grandes aspirações, ou qualquer misericórdia particular, para você para ou outros — separe um dia para oração secreta e para jejuar sozinha; e deixe que o dia seja gasto, não somente em petições pelas misericórdias que você deseja, mas perscrutando seu coração, examinando sua vida passada, e confessando seus pecados perante Deus — não como se costuma fazer em oração pública, mas em uma declaração muito particular perante Deus dos pecados de sua vida passada, desde a sua infância até ali, antes e depois da conversão, com as circunstâncias e agravantes que os assistem, despejando todas as abominações de seu coração de forma muito particular, e tão completa quanto possível, perante ele.

    15. Não dê aos adversários da cruz ocasião de reprovar a verdadeira religião por sua causa. Quão santo deve ser o comportamento do filho de Deus, do redimido e amado pelo Filho de Deus! Portanto, “andai como filhos da luz, e do dia,” e “adornem a doutrina de Deus nosso Salvador.” E especialmente, abunde naquilo que se chama virtudes cristãs — que faz você ser como o Cordeiro de Deus. Seja submissa e humilde de coração, e cheia do puro, divino, e humilde amor para com todos. Abunde em ações de amor e abnegação para com outros. Deixe haver em você uma disposição para considerar os outros como melhores do que você.

    16. Em todos os dias de sua vida, ande com Deus, e siga a Cristo, como uma pequena, pobre, e desamparada criança, agarrando a mão de Cristo, mantendo seu olhar nas marcas das feridas em suas mãos e no seu lado, de onde veio o sangue que a limpa do pecado, e esconde sua nudez debaixo das bordas da brilhante veste branca de Sua retidão.

    17. Ore muito pelos ministros e pela igreja de Deus; especialmente, para que ele continue o glorioso trabalho que começou, até que o mundo esteja repleto de Sua glória.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho

Dispenseiro da Multiforme Graça: Um pouco da vida de Jonathan Edwards

por Rosalee Appleby


        “Há duas maneiras de representar e recomendar uma religião verdadeira e seu poder no mundo: pelo ensino e pelo exemplo duma vida. Ambas são abundantemente exemplificadas nas Escrituras Sagradas”.

        Isto Jonathan Edwards escreveu, e ele mesmo demonstrou-lhe a veracidade. Raras vezes, olhando para todo o passado, achamos outro homem que conhecia tão bem as Escrituras e ao mesmo tempo exibia seus ensinamentos numa vida tão santa, como o grande avivalista americano do século dezoito. Era brilhante de intelecto, poderoso em escrever e santo em todo o seu modo de viver.

        Jonathan entrou para a Universidade de Yale com doze anos de idade e, aos dezesseis, formou-se com as mais altas honras. Tinha por costume, durante sua vida, passar treze horas por dia em seu gabinete, em estudos, meditação e comunhão com Deus. Combinou o preparo intelectual com profundas experiências, durante o Avivamento que veio à América por meio de seu maravilhoso ministério. Nasceu três meses depois de John Wesley, 5 de outubro de 1703, e foi um instrumento escolhido para uma Visitação Divina na América, enquanto John Wesley estava sendo usado para despertar a Inglaterra.
        Ainda na meninice, lia obras de pensadores profundos, deleitando-se nelas e em experiências graciosas. Edwards muito cedo penetrava nas doutrinas bíblicas, não meramente no conhecimento intelectual, mas naquela compreensão espiritual que vem do Espírito Santo.


        CONVERSÃO

        “Eu tive muita preocupação a respeito de minha alma, desde a infância, mas passei duas épocas de vivificação antes da experiência de ser transformado, a qual me trouxe nova disposição e entendimento das coisas espirituais. A primeira vez foi na meninice, antes de entrar para a Universidade. Aconteceu durante um Avivamento poderoso na igreja de meu pai. Naquele tempo preocupavam-me constantemente as coisas religiosas e a salvação de minha alma. Era ativo no serviço do Reino; orava secretamente cinco vezes por dia. Eu e colegas de escola contruímos um abrigo numa floresta como esconderijo para oração. Além disso, eu tinha outros lugares para intercessão escondidos no bosque, aonde ia sozinho e ficava quebrantado em súplicas diante de Deus”.

        Apesar do lar exemplar de Jonathan – era filho dum ministro – e apesar de suas muitas preocupações espirituais, ele somente foi convertido na mocidade. Formou-se na Universidade aos dezesseis anos, ficando depois mais dois anos em preparo para o ministério. Durante o tempo na Universidade, disse ele, sentiu grande ansiedade, especialmente nos últimos anos, quando foi atacado de pleurisia, que quase o levou deste mundo. “Deus sacudiu-me em cima do abismo do inferno. Assim fui levado a buscar a salvação de modo nunca usado antes. Senti o desejo de me separar de todas as coisas deste mundo por causa de Cristo. A busca da salvação tornou-se a preocupação principal de minha vida”.
        “Desde aquele tempo comecei a ter uma nova compreensão e novas idéias sobre Cristo, Sua obra redentora e a maravilha do Seu plano de salvação. Uma doce sensibilidade vinha à minha alma, de vez em quando, e eu exultava na meditação sobre isso. Tinha grande desejo de passar meu tempo a ler e meditar sobre a beleza e o esplendor de Jesus, a excelência de Sua pessoa, e o caminho da salvação pela graça. Não encontrava quaisquer livros tão agradáveis como aqueles que tratavam destes assuntos. As palavras de Cantares 2:1 me deleitavam: “Eu sou a Rosa de Sarom, o lírio dos vales”. Parecia que este verso expressava a formosura e encanto de Cristo. Mas se estava alegre em sentir-me tão bem, não me sentia satisfeito. Havia anelos profundos da alma para Deus e Seu Filho, por mais santidade. Às vezes meu coração estava tão cheio que quase se arrebentava. Isto me trazia à memória o que dissera o salmista: “A minha alma está quebrantada de desejar”. Sentia tristeza em não ter voltado para Deus mais cedo, para ter tido mais tempo de crescer na graça. Gastava horas em pensar sobre as coisas divinas, muitas vezes andando pelas florestas e lugares solitários, em meditação, comunhão e súplicas a Deus. Em qualquer lugar onde estivesse, petições de minha alma subiam ao Trono. A oração me era tão natural como o respirar, e um modo de satisfazer meu coração ardente de amor. O deleite que agora sentia nas coisas de religião era bem mais diferente daquele que experimentara na meninice, como um cego antes de enxergar, não tendo noção das cores, tão belas e agradáveis. O gozo, agora, nas meditações espirituais era mais puro, mais íntimo, mais completo”.

        NO MINISTÉRIO

        Jonathan Edwards, que contava somente dezenove anos quando foi licenciado a fim de pregar o evangelho, escreveu setenta resoluções que alguém disse ser “o sumário mais inspirado do dever cristão, o compêndio mais poderoso de padrão evangélico que a mente do homem até agora tem expressado”. Algumas destas regras para a disciplina da própria vida eram:

            * Nunca fazer coisa alguma, seja do corpo ou alma, senão aquela que glorifique a Deus, nem permitir tal coisa quando houver possibilidade de impedi-la.
            * Nunca perder um momento de tempo, mas usá-lo como proveito à medida das possibilidades.
            * Viver abundantemente durante esta vida aqui no mundo.
            * Estudar as Escrituras tão ardente, constante e freqüentemente, que seja possível perceber um crescimento no conhecimento delas.
            * Procurar, cada semana, crescer em espiritualidade e na experiência da graça divina.
            * Nunca falar coisa alguma de alguém, incompatível com o mais alto padrão de honra.
            * Agir do mesmo modo que faria se já tivesse visto a felicidade do céu ou o terror do inferno.
            * Nunca fazer coisa alguma que não faria se já estivesse na hora de ouvir a última trombeta, no Dia do Juízo.


        SANTIFICAÇÃO DA VIDA

        Nesse tempo, Edwards escreveu: “Queimava em meu coração o desejo de ser em tudo um crente completo, conformado à bendita semelhança de Cristo e de modo que pudesse viver, em todas as coisas, segundo as regras puras e abençoadas do evangelho”.

        Jonathan viveu uma vida de simplicidade e disciplina em seu lar. Casou-se com uma bela moça, culta e consagrada – uma verdadeira companheira, que sabia compartilhar de seus ideais e entender suas experiências espirituais. Oito filhas e três filhos nasceram a este feliz casal. Sua vida diária foi tão bem planejada que se diz ter feito ele, em poucos anos, o que outros não fizeram durante uma vida longa. Levantava-se às quatro ou cinco horas da madrugada e, metodicamente, marcava tempos definidos para orar três vezes ao dia. “Edwards reconhecia que o poder do ministério de um homem não está em proporção com sua atividade, mas com sua comunhão com Deus e seu entendimento espiritual da verdade. Se alguém tivesse dúvida de tais costumes no ministério, estudasse os resultados que acompanham este modo de viver”.

        Por meio da oração e através da pregação poderosa, um Despertamento começou a ser sentido. A respeito, disse Edwards: “De repente, veio sobre o povo uma convicção profunda, uma preocupação séria a respeito de religião e de coisas eternas, tornando-se isto geral na cidade, entre pessoas de todas as idades ou posições sociais. O ruído entre ossos secos tornava-se cada vez mais acentuado. Conversas fora do espiritual ou de coisas eternas eram rejeitadas. Em qualquer grupo e em todas as ocasiões só se falava nestas coisas exceto quando havia necessidade de tratar de negócios. A mentalidade popular foi elevada acima de tudo quanto era mundano”.

        “Quase não havia uma só pessoa, jovem ou velha, que não estivesse profundamente interessada nas verdades eternas. Aqueles que se haviam revelado mais vaidosos e descuidados, aqueles que tinham falado levianamente de uma religião vital e experimental eram agora despertados. A conversão de almas continuou de modo maravilhoso, aumentando dia a dia. Almas em massa vieram a Jesus Cristo. Durante dias e meses, contemplamos pecadores saindo das trevas para Sua maravilhosa luz, tirados “dum lago horrível, dum charco de lodo”, para terem seus pés firmados sobre uma rocha, e seus passos firmados pelo Salvador.

        Uma carta circular, assinada pelos ministros, apelando por oração, ajudou a espalhar o avivamento por outros lugares. Um pastor, que mais tarde tornou-se presidente da “Princeton University”, escreveu: “Grande número de pessoas vinha diariamente a seu pastor pedir conselhos sobre coisas eternas. Maior número veio em três meses para esse fim do que viera em trinta anos antes”.

        “Esta obra de Deus continuou, e o número de santos verdadeiros, multiplicado, fez em pouco tempo uma alteração gloriosa na cidade (Northampton). Assim, durante a primavera e o verão seguintes (1735), a cidade parecia cheia da presença divina. Ela nunca estivera tão cheia de amor, prazer e alegria, mas ao mesmo tempo tão cheia de ansiedade. Quando se reunia, a mocidade gastava seu tempo em conversar sobre a excelência de Cristo e seu amor; a glória do caminho da salvação e a graça soberana de Deus; Sua obra gloriosa em converter almas, a veracidade da Bíblia, Sua perfeição, etc. Até nas ocasiões de casamento, as quais, antes eram tempo somente para prazeres e diversões, aproveitava-se a oportunidade para discutir sobre religião, com toda seriedade”.

        Quando encontramos um homem escolhido por Deus para a vinda dum Despertamento espiritual a um país, vale a pena estudar-lhe a vida. Edwards escreveu: “A santidade de Deus sempre Se revelou em mim como atributo sublime de Seu carácter. As doutrinas da soberania divina, a graça livre em mostrar misericórdia a quem Ele deseja manifestá-la e a dependência do homem da operação do Espírito Santo têm-se-me revelado como doutrinas gloriosas. Tenho amado as doutrinas do Evangelho. Considero o Evangelho um rico tesouro, o tesouro que mais hei desejado. O caminho da salvação em Cristo é para mim glorioso e excelente, agradável e bel”o.

        “Por muitas vezes tenho estado cônscio da glória da Terceira Pessoa da Trindade, de Sua obra santificadora, de Suas operações santas, comunicando à alma luz e vida divinas. Deus, na dádiva do Seu Santo Espírito, tem-Se revelado como uma fonte infinita de glória e doçura, suficiente para encher e satisfazer a alma, derramando sobre nós aquela gloriosa comunhão, como o sol em todo o seu esplendor difunde luz e vida. Vem sobre mim uma sensibilidade da excelência da Bíblia, como a luz da vida. Sinto fome da Palavra, desejando que ela habite ricamente em meu coração”.

        Mais de duzentos anos são passados desde o tempo de Jonathan Edwards. Vivemos numa época mais necessitada de um Avivamento Espiritual do que aquela em que ele viveu. Temos o mesmo Deus, com o mesmo poder e desejo de nos abençoar. O que nos falta, hoje, não está do lado divino, mas do humano – um instrumento preparado, um profeta que venha de Deus, um homem em cuja vida o poder do Alto tenha livre curso. Que Deus levante nesta hora, em nosso Brasil, homens para a brecha, atalaias para o muro, arautos para um novo dia!



Fonte: Monergismo

Resoluções

 Jonathan Edwards


Estando ciente de que sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus, humildemente Lhe rogo que, através de sua graça, me capacite a cumprir fielmente estas resoluções, enquanto elas estiverem dentro da Sua vontade, em nome de Jesus Cristo.


1. RESOLVI que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante todo tempo de minha peregrinação, sem nunca levar em consideração o tempo que isso exigirá de mim, seja agora ou pela eternidade fora. Resolvi que farei tudo o que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar.

2. Resolvi permanecer na busca contínua de novas maneiras para poder promover as resoluções acima mencionadas.

3. Resolvido a arrepender-me, caso eu um dia me torne menos responsável no tocante a estas resoluções, negligenciando uma ínfima parte de qualquer uma delas e confessar cada falha individualmente assim que cair em mim.

4. Resolvi, também, nunca negar alguma maneira ou coisa difícil, seja no corpo ou na alma, menos ou mais, que leve à Glorificação de Deus; também não sofrê-la se tiver como evitá-la.

5. RESOLVI jamais desperdiçar um só momento do meu tempo; pelo contrário, sempre buscarei formas de torná-lo o mais proveitoso possível.

6. Resolvi viver usando todas minhas forças enquanto viver.

7. RESOLVI jamais fazer alguma coisa que eu não faria, se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida.

8. Resolvi ser a todos os níveis, tanto no falar como no fazer, como se não houvesse ninguém mais vil que eu sobre a terra, como se eu próprio houvesse cometido esses mesmos pecados ou apenas sofresse das mesmas debilidades e falhas que todos os outros; também nunca permitirei que o tomar conhecimento dos pecados dos outros me venha trazer algo mais que vergonha sobre mim mesmo e uma oportunidade de poder confessar meus próprios pecados e miséria a Deus.

9. Resolvi pensar e meditar bastante e em todas as ocasiões sobre minha própria morte e sobre circunstâncias relacionadas com a morte.

10. Resolvi, sempre que experimentar e sentir dor, relacioná-la com as dores do martírio e também do inferno.

11. Resolvi que sempre que pense em qualquer enigma sobre a salvação, fazer de tudo imediatamente para resolvê-lo e entendê-lo, caso nenhuma circunstância me impeça de fazê-lo.

12. Resolvi, assim que sentir um mínimo de gratificação ou deleite de orgulho ou de vaidade, eliminá-lo de imediato.

13. Resolvi nunca cessar de buscar objectos precisos para minha caridade e liberalidade.

14. Resolvi nunca fazer algo em forma de vingança.

15. Resolvi nunca sofrer nenhuma das mais pequenas manifestações de ira vinda de seres irracionais.

16. Resolvi nunca falar mal de ninguém, de forma tal que afecte a honra da pessoa em questão, nem para mais nem para menos honra, sob nenhum pretexto ou circunstância, a não ser que possa promover algum bem e que possa trazer um real benefício.

17. Resolvi viver de tal forma como se estivesse sempre vivendo o meu último suspiro.

18. Resolvi viver de tal forma, fora e sempre, como vivo dentro dos meus melhores padrões de santidade privada e daqueles momentos que tenho maior clarividência sobre o conteúdo de todo o evangelho e percepção do mundo vindouro.

19. Resolvi nunca fazer algo de que tenha receio de fazer uma hora antes de soar a última trombeta.

20. Resolvi manter a mais restrita temperança em tudo que como e tudo quanto bebo.

21. Resolvi nunca fazer algo que possa ser contado como justa ocasião para desprezar ou mesmo pensar mal de alguém de quem se me aperceba algum mal.
(Resoluções 1 a 21 foram escritas em New Haven em 1722)

22. Resolvi esforçar-me para obter para mim mesmo todo bem possível do mundo vindouro, tudo quanto me seja possível alcançar de lá, com todo meu vigor em Deus – poder, vigor, veemência, violência interior mesmo, tudo quanto me seja possível aplicar e admoestar sobre mim de qualquer maneira que me seja possível pensar e aperceber-me.

23. Resolvi tomar acção deliberada e imediata sempre que me aperceber que possa ser tomada para a glória de Deus e que possa devolver a Deus sua intenção original sobre nós, seu desígnio inicial e sua finalidade. Caso eu descubra, também, que em nada servirá a glória de Deus exclusivamente, repudiarei tal coisa e a terei como uma evidente quebra da resolução nr.4.

24. Resolvi que, sempre que encetar e cair por um caminho de concupiscência e mau, voltar atrás e achar sua origem em mim, tudo quanto origina em mim tal coisa. Depois, encetar por uma via cuidadosa e precisa de nunca mais tornar a fazer o mesmo e de orar e lutar de joelhos e com todas as minhas forças contra as origens de tais ocorrências.

25. Resolvi examinar sempre cuidadosamente e de forma constante e precisa, qual a coisa em mim que causa a mínima dúvida sobre o verdadeiro amor de Deus para direccionar todas as minhas fortalezas contra tal origem.

26. Resolvi abater tais coisas (pecados) com precisão meticulosa que tenham como abater minha segurança.

27. Resolvi nunca omitir nada de livre vontade, (a menos que essa omissão traga glória a Deus); irei, então e com frequência, rever todas as minhas omissões.

28. Resolvi estudar as Escrituras de tal modo firme, preciso, constante e frequente que me seja tornado possível e que me aperceba em mim mesmo de que estou crescendo no conhecimento real das mesmas.

29. Resolvi nunca ter como uma oração ou petição, nem permitir que passe por oração, algo que seja feito de tal maneira ou sob tais circunstâncias que me possam privar de esperar que Deus me atenda. Também não aceitarei como confissão algo que Deus não possa aceitar como tal.

30. Resolvi extenuar-me e esforçar-me ao máximo de minha capacidade real para, a cada semana, ser levado a um patamar mais real de meu exercício religioso, um patamar mais elevado de graça e aceitação em Deus, do que tive na semana anterior.

31. Resolvi nunca dizer nada que seja contra alguém, excepto quando tal coisa se ache de pleno acordo com a mais elevada honorabilidade evangélica e amor de Deus para com a sua humanidade, também de pleno acordo com o grau mais elevado de humildade e sensibilidade sobre meus próprios erros e falhas e de pleno acordo àquela regra de ouro celestial; e, sempre que disser qualquer coisa contra alguém, colocar isso mesmo mediante a luz desta resolução convictamente.

32. Resolvi a que, deverei ser de tal confiança até para mim mesmo, este provérbio não se torne nem parcialmente verdadeiro a meu respeito, que diz: “Mas, o homem fiel, quem o achará?” Prov.20:6.

33. Resolvi, fazer tudo que poderei fazer para tornar a paz acessível, possível de manter, de estabelecer, sempre que tal coisa nunca possa interferir ou inferir contra outros valores maiores e de aspectos mais relevantes. (Dez.26, 1722)

34. Resoluto a nada falar que não seja inquestionavelmente verídico e realmente verdadeiro em mim.

35. Resolvi que, sempre que me puser a questionar se cumpri todo meu dever, de tal forma que minha serenidade e paz de espírito sejam ligeiramente perturbadas através de tal procedimento, o poise diante de Deus e depois verificar como tal problema foi resolvido. (Dez.18, 1722)

36. Resoluto a nunca dizer nada de mal sobre ninguém que seja, a menos que algum bem se adivinhe nascer disso mesmo. (Dez.19, 1722)

37. Resolvi inquirir todas as noites, ao deitar-me, onde e em quais circunstancias fui negligente, que actos cometi e onde me pude negar a mim mesmo. Também farei o mesmo no fim de cada ano, mês e semana. (Dez.22 e 26, 1722).

38. Resolvi nunca mais dizer nada, nem falar, sobre algo que seja ridículo, seja uma forma de piada ou de chacota sobre o dia do Senhor. (Noite de Sábado, Dez.23, 1722).

39. Resolvi a nunca fazer algo que possa questionar sobre sua lealdade e conformidade à lei de Deus, para que eu possa mais tarde verificar por mim se tal coisa me é licito fazer ou não. A menos que a omissão de questionar me seja tornada licita.

40. Resolvi inquirir cada noite de minha existência, antes de adormecer, se fiz as coisas da maneira mais aceitável que eu poderia ter feito, em relação a comer e beber. (Jan.7,1723).

41. Resolvi inquirir de mim mesmo no final de cada dia, de cada semana, mês e ano, onde e em que áreas poderia haver feito melhor e mais eficazmente. (Jan.11,1723).

42. Resolvi que, com frequência renovarei minha dedicação de mim mesmo a Deus, o mesmo voto que fiz em meu baptismo, o qual recebi quando fui recebido na comunhão da igreja e o qual reassumo neste dia 12 de Janeiro de 1723.

43. Resolvi que a partir daqui, até que eu morra, nunca mais agirei como se me pertencesse a mim mesmo de algum modo, mas inteiramente e sobejamente pertencente a Deus, como se cada momento de minha vida fosse um normal dia de culto a Deus. Sábado, 12 de Janeiro de 1723.

44. Resolvido que nenhuma área desta vida terá qualquer influencia sobre qualquer de minhas acções; apenas a área da vivência para Deus. E que, também, nenhuma acção ou circunstância que seja distinta da religião seja a que me leve a concretizar. (Jan.12, 1723).

45. Resoluto também a que, nenhum prazer ou deleite, dor, alegria ou tristeza, nenhuma afeição natural, nem nenhuma das suas circunstâncias co-relacionadas, me seja permitido a não ser aquilo que promova a piedade. (Jan.12 e 13 de 1723).

46. Resolvi nunca mais permitir qualquer medida de qualquer forma de inquietude e falta de à-vontade diante de minha mãe e pai. Resolvi nunca mais sofrer qualquer de seus efeitos de vergonha, muito menos alterações de minha voz, motivos e movimentos de meu olhar e de ser especialmente vigilante acerca dessas coisas quando relacionadas com alguém de minha família.

47. Resolvido a encetar tudo ao meu alcance para me negar tudo quanto não seja simplesmente disposto e de acordo com uma paz benévola, universalmente doce e meiga, repleta de quietude, hábil, contente e satisfeita em si mesma, generosa, real, verdadeira, simples e fácil, cheia de compaixão, industriosa e empreendedora, cheia de caridade real, equilibrada, que perdoa, formulada por um temperamento sincero e transparente; e também farei tudo quanto tal temperança e temperamento me levar a fazer. Examinarei e serei severo e acutilante nesse exame cada semana se por acaso assim fiz e pude fazer. Sábado de manhã, 5 Maio de 1723.

48. Resolvido a, constantemente e através da mais acutilante beleza de carácter, empreender num escrutínio e exame minucioso e muito severo, para constatar e olhar qual o estado real de toda a minha alma, verificando por mim mesmo se realmente mantenho um interesse genuíno e real por Cristo ou não; e que, quando eu morrer não tenha nada de que me arrepender a respeito de negligencias deste tipo. (Maio 26, 1723).

49. Resoluto a que tal coisa (de não ter afecto por Cristo) nunca aconteça, se eu a puder evitar de alguma maneira.

50. Resolvi que, sempre agirei de tal maneira, que julgarei e pensarei como o faria dentro do mundo vindouro apenas. 5 De Julho, 1723.

51. Resolvi que, agirei de tal forma em todos os sentidos, como iria desejar haver feito quando me achasse numa situação de condenação eterna. (8 de Julho, 1723).

52. Eu, com muita frequência, ouço pessoas duma certa idade avançada falarem como iriam viver suas vidas de novo caso lhes fosse dada uma segunda oportunidade de a tornarem a viver. Eu resolvi viver minha vida agora e já, tal qual eu fosse desejar vivê-la caso me achasse em situação de desejar vivê-la de novo, como eles, caso eu chegue a uma sua idade avançada como a sua. (8 De Julho, 1723).

53. Resolvi apetrechar e aprimorar cada oportunidade, sempre que me possa achar num estado de espírito sadio e alegremente realizado, para me atirar sobre o Senhor Jesus numa reentrega também, para confiar nele, consagrando-me a mim mesmo inteiramente a ele também nesse estado de espírito; que a partir dali eu possa experimentar que estou seguro e assegurado, sabendo que persisto a confiar no meu Redentor mesmo assim. (8 De Julho, 1723).

54. Sempre que ouvir falar algo sobre alguém que seja digno de louvor e dignificante e o possa ser em mim também, resolvi tudo encetar para conseguir o mesmo em mim e por mim. (8 De Julho, 1723).

55. Resolvi tudo fazer como o faria caso já tivesse experimentado toda a felicidade celestial e todos os tormentos do inferno. (8 De Julho, 1723).

56. Resolvi nunca desistir de vencer por completo qualquer de minhas veleidades corruptas que ainda possam existir, nem nunca tornar-me permissivo em relação ao mínimo de suas aparências e sinais, nem tão pouco me desmotivar em nada caso me ache numa senda de falta de sucesso nessa mesma luta.

57. Resolvi que, quando eu temer adversidades ou maus momentos, irei examinar-me a ver se tal não se deve a: não ter cumprido todo meu dever e cumprir a partir de então; e permitir que tudo o mais em minha vida seja providencial para que eu possa apenas estar e permanecer inteiramente absorvido e envolvido com meu dever e meu pecado diante de Deus e homens. (9 De Junho e 13 de Julho, 1723).

58. Resolvido a não apenas extinguir nem que seja algum leve ar de antipatia, simpatia fingida que encobre meu estado de espírito, impaciência em conversação, mas também e antes poder exprimir um verdadeiro estado de amor, alegria e bondade em todos os meus aspectos de vida e conversação. (27 De Maio e 13 De Julho, 1723).

59. Resoluto a que, sempre que me achar consciente de provocações de má natureza e de mau espírito, que me esforçarei para antes evidenciar o oposto disso mesmo, em boa natureza e maneira; sim, que em tempos tal qual esses, manifestar a boa natureza de Deus, achando, no entanto, que em algumas circunstancias tal comportamento me traga desvantagens e que, também, em algumas outras circunstancias, seja mesmo imprudente agir assim. (12 De Maio, 2 e 13 de Julho).

60. Resolvi que, sempre que meus próprios sentimentos comecem a comparecer minimamente desordenados, sempre que me tornar consciente da mais ligeira inquietude interior, ou a mínima irregularidade exterior, me submeterei de pronto à mais estrita e minuciosa examinação e avaliação pessoal. (4 e 13 de Julho, 1723).

61. Resolvido a que falta de predisposição nunca me torne relaxado nas coisas de Deus e que nunca consiga retirar minha atenção total de estar plenamente fixada e afixada só em Deus, exista a desculpa que existir para me tentar; tudo que a fala de predisposição me instiga a fazer, abre-me o caminho do oposto para fazer. (21 De Maio e 13 de Julho, 1723).

62. Resolvido a nunca fazer nada a não ser como dever; e, depois, de acordo com Ef.6:6-8, fazer tudo voluntariosamente e alegremente como que para o Senhor e nunca para homem; “Sabendo que cada um, seja escravo, seja livre, receberá do Senhor todo bem que fizer”. (25 De Junho, 13 de Julho 1723).

63. Supondo que nunca existiu nenhum individuo neste mundo, em nenhuma época do tempo, que nunca haja vivido uma vida cristã perfeita a todos os níveis e possibilidades, tendo o Cristianismo brilhante em todo seu esplendor mesmo tendo essa vida visionada de qualquer ângulo possível e sob qualquer pressão, eu resolvi ser esse mesmo ser a viver essa mesma vida, mesmo que tenha de me esforçar no máximo de todas as minhas capacidades inerentes e mesmo que fosse o único em meu tempo. (14 De Janeiro e 3 de Julho 1723).

64. Resolvi que quando experimentar em mim aqueles “gemidos inexprimíveis”, Rom.8:26, os quais o Apóstolo menciona e dos quais o Salmista descreve como, “A minha alma se consome de anelos por tuas ordenanças a todo o tempo”, Sal.119:20, que os promoverei também com todo vigor existente em mim e que não me “cansarei” (Is40:31) no esforço de dar azo a meus desejos tornados profundos nem me cansarei de repetir esses mesmos pedidos e gemidos em mim, nem de o fazer numa seriedade contínua. (23 De Julho e 10 de Agosto 1723).

65. Resolvi que, me tornarei exercitado em mim mesmo durante toda a minha vida, com toda a franqueza que é possível, a sempre declarar meus caminhos a Deus e abrir toda a minha alma a Ele: todos os meus pecados, tentações, dificuldades, tristezas, medos, esperanças, desejos e toda outra coisa sob qualquer circunstância. Tal como o Dr. Manton diz em seu sermão nr.27, baseado no Sal.119. (26 De Julho e 10 de Agosto, 1723).

66. Resolvi que, sempre me esforçarei para manter e revelar todo o lado benigno de todo semblante e modo de falar em todas as circunstâncias de toda a minha vida e em qualquer tipo de companhia, a menos que o dever de ser diferente exija de mim que seja de outra maneira.

67. Resolvi que, depois de situações aflitivas, avaliarei em que aspectos me tornei diferente por elas, em quais aspectos melhorei meu ser e que bem me adveio através dessas mesmas situações.

68. Resolvi confessar abertamente tudo aquilo em que me acho enfermo ou em pecado e também confessar todos os casos abertamente diante de Deus e implorar a necessária condescendência e ajuda dele até nos aspectos religiosos. (23 de Julho e 10 de Agosto, 1723).

69. Resoluto a fazer tudo aquilo que, vendo outros fazerem, eu possa haver desejado ter sido eu a fazê-lo. (11 De Agosto, 1723).
70. Que haja sempre algo de benevolente toda vez que me expresse em palavra. (17 De Agosto, 1723).


Apesar da sua biografia apresentar contrastes dramáticos, estas são, na realidade, apenas algumas facetas diferentes de uma afinidade com um Deus SOBERANO. Assim, Jonathan Edwards tanto pregava sermões vívidos sobre o fogo do inferno, quanto se expressava em poesia e de forma lírica em suas apreciações sobre a natureza, pois o Deus que criou o mundo em toda a sua beleza, também é perfeito em sua santidade. Edwards combinava o exercício mental e intelectual de um gigante com piedade quase infantil, pois ele percebia Deus tanto como infinitamente complexo quanto como maravilhosamente simples. Na sua igreja em Northampton, sua consistente exaltação da majestade divina gerou muitas reacções diferentes — primeiro ele foi exaltado como grande líder e, em seguida, foi demitido do seu púlpito. Edwards sustentava a doutrina de que o Deus onipotente exigia arrependimento e fé das suas criaturas humanas; por isso, ele proclamava tanto a absoluta soberania de Deus quanto as urgentes responsabilidades dos homens.





Tradução livre: José Mateus (Portugal)
Revisado por: Felipe Sabino de Araújo Neto


Como saber se você é um Verdadeiro Cristão

Jonathan Edwards


Tiago 2:19
"Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem".
Como você sabe se pertence a Deus? Nós vemos nestas palavras no que algumas pessoas confiam como sendo uma evidência de sua aceitação diante de Deus. Algumas pessoas pensam que elas estarão certas diante de Deus se não forem tão más como algumas pessoas ímpias. Há um sistema evangelístico em uso comum que pergunta às pessoas certas questões.
Uma das questões é: "Suponha que tu morras hoje. Por que Deus deveria deixar-te entrar no Seu céu?" 
Uma resposta muito comum é: "Eu creio em Deus". Aparentemente o apóstolo Tiago conhecia pessoas que diziam a mesma coisa: Eu sei que estou no favor de Deus, porque eu conheço estas doutrinas religiosas. Certamente Tiago admite que este conhecimento é bom. Não somente é bom, mas é também necessário. Ninguém que não acredite em Deus, pode ser um Cristão; e mais do que isto, no Único e Verdadeiro Deus. Isto é particularmente verdadeiro para aqueles que tiveram a grande vantagem de realmente conhecer o apóstolo, alguém que poderia lhes dizer em primeira mão de sua experiência com Jesus, o Filho de Deus. Imagine o grande pecado de uma pessoa, que conheceu Tiago, e depois recusou crer em Deus! Certamente isto faria sua condenação maior. Certamente, todos Cristãos sabem que esta crença no Único Deus é somente uma parte das boas coisas "porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam". (Hebreus 11:6)
Todavia, Tiago é claro que embora esta crença seja uma boa coisa, definitivamente ela não é prova de que uma pessoa é salva. O que ele pretende dizer é isto: "Você diz que é um Cristão e que está no favor de Deus. Você pensa que Deus permitirá que você entre no céu, e a prova disto é: você crê em Deus. Mas, isto não á uma evidência de maneira nenhuma, porque os demônios também crêem, e eles estão certos de que serão punidos no inferno". Os demônios crêem em Deus, podem estar certos disto! Eles não somente crêem que Ele existe, mas eles crêem que Deus é um santo Deus, um Deus que odeia o pecado, um Deus de verdade, que prometeu julgamentos, e que cumprirá Sua vingança sobre eles. Esta é a razão dos demônios "estremecerem" ou tremerem - eles conhecem Deus mais claramente que a maioria dos seres humanos, e eles estão amedrontados. Todavia, nada na mente do homem, que os demônios possam experimentar também, é sinal de que a graça de Deus esteja em nossos corações.
Este raciocínio pode facilmente ser girado ao redor. Supor que os demônios tenham, ou encontrem dentro de si mesmos, algo da graça salvadora de Deus, não prova que eles irão para o céu. Isto provaria um erro de Tiago. Mas, quão absurdo! A Bíblia deixa claro que os demônios não têm esperança de salvação, e que sua crença em Deus não tira sua futura punição. Portanto, crer em Deus não é prova de salvação para os demônios, e pode-se dizer com segurança que tampouco para os seres humanos.


Os Demônios têm um Conhecimento de Deus.

Isto é visto mais claramente quando pensamos sobre o que os demônios são de fato. Eles não são santos: qualquer coisa que eles experimentem, não pode ser uma santa experiência. O diabo é perfeitamente mau. "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira". (João 8:44) "Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo". (1 João 3:8) Portanto, os demônios são chamados espíritos maus, espíritos impuros, poderes das trevas, e assim por diante. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Efésios 6:12).
Assim, é óbvio que qualquer coisa nas mentes de demônios não podem ser santas, ou conduzir à verdadeira santidade por si mesma. Os demônios claramente sabem muitas coisas sobre Deus e religião, mas eles não possuem um santo conhecimento. As coisas que eles conhecem em suas mentes podem fazer impressões em seus corações - realmente, veremos que os demônios possuem sentimentos muito fortes sobre Deus; tão forte, na realidade, que eles "estremecem". Mas, eles não possuem sentimentos santos porque eles não têm nada a ver com a obra do Espírito Santo. Se esta é a verdade sobre a experiência dos demônios, isto é também verdadeiro sobre a experiência dos homens.
Note isto, que não importa quão genuínos, sinceros, e poderosos estes pensamentos e sentimentos são. Os demônios, sendo criaturas espirituais, conhecem Deus em um caminho que os homens na terra não podem. O conhecimento deles sobre a existência de Deus é mais concreto do que o conhecimento de qualquer homem possa ser. Porque eles estão presos na batalha com as forças do bem, eles possuem uma sinceridade de conhecimento também. Em uma ocasião, Jesus expulsou alguns demônios. "Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus?", eles clamaram, "Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" (Mateus 8:29).
Que experiência pode ser mais nítida do que esta? Todavia, apesar dos pensamentos e sentimentos deles serem genuínos e poderosos, eles não eram santos. Também podemos ver que os santos objetos de seus pensamentos não fazem seus pensamentos e sentimentos serem santos. Os demônios sabem que Deus existe! Mateus 8:29 mostra que eles sabem mais sobre Jesus do que muitas pessoas! Eles sabem perfeitamente que Jesus julgara-los algum dia, porque Ele é santo. Mas é claro, que pensamentos e sentimentos genuínos, sinceros e poderosos sobre coisas santas e espirituais, não são prova da graça de Deus no coração. Os demônios têm estas coisas, e enxergam adiante a punição eterna no inferno. Se os homens não têm mais do que os demônios têm, eles sofrerão do mesmo modo. Só o conhecimento de Deus não é prova de salvação.
Nós podemos fazer diversas conclusões baseadas nestas verdades. Primeiramente que, não importa quanto as pessoas possam saber sobre Deus e a Bíblia, isto não é um sinal certo de salvação. O diabo antes de sua queda, era uma das mais brilhantes estrelas da manhã, uma labareda de fogo, um que excedia em força e sabedoria. (Isaías 14:12, Ezequiel 28:12-19).
Aparentemente, como um dos principais anjos, Satanás conhecia muito sobre Deus. Agora que ele está caído, seu pecado não tem destruído suas memórias de antes. O pecado destrói a natureza espiritual, mas não as habilidades naturais, tais como a memória. Que os anjos caídos têm muitas habilidades naturais pode ser visto em muitos versos da Bíblia, por exemplo, Efésios 6:12. "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". No mesmo modo, a Bíblia diz que Satanás é "mais astuto" do que os outros seres criados. (Gênesis 3:1, também 2 Coríntios 11:3, Atos 13:10) Portanto, podemos ver que o Diabo sempre teve grandes habilidades mentais e que é capaz de conhecer muito sobre Deus, sobre o mundo visível e invisível, esobre muitas outras coisas. Visto que sua ocupação no princípio era ser um anjo principal diante de Deus, é somente natural que compreender estas coisas sempre tenha sido de primeira importância para ele, e que todas suas atividades tenham a ver com estas áreas de pensamentos, sentimentos e conhecimento.
Porque era sua ocupação original ser um dos anjos diante da própria face de Deus e porque o pecado não destrói a memória, é claro que Satanás conhece muito mais sobre Deus do que qualquer outro ser criado. Depois da queda, podemos ver de suas atividades como a tentação, etc., (Mateus 4:3) que ele tem gastado seu tempo para aumentar seu conhecimento e suas aplicações práticas. Que o seu conhecimento é grande pode ser visto em quão enganador ele é quando tenta as pessoas. A astúcia de suas mentiras mostra quão sagaz ele é. Certamente não poderia manejar tão bem suas ludribriações sem um conhecimento real e verdadeiro dos fatos.
Este conhecimento de Deus e de Suas obras é desde o princípio. Satanás existia desde a Criação, como Jó 38:4-7 mostra: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência...Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Assim, ele deve conhecer muito sobre a maneira como Deus criou o mundo, e como Ele governa todos os eventos do universo. Além do mais, Satanás viu como Deus desenvolveu Seu plano de redenção no mundo; e não como um inocente espectador, mas como um inimigo ativo da graça de Deus. Ele viu Deus trabalhar nas vidas de Adão e Eva, em Noé, Abraão, e Davi. Ele deve ter tomando um especial interesse na vida de Jesus Cristo, o Salvador dos homens, a Palavra de Deus encarnada. Quão próximo prestou atenção a Cristo? Quão cuidadosamente ele observou Seus milagres e ouviu Suas palavras? Isto é o porque Satanás se pôs contra a obra de Cristo, e foi para o seu tormento e angústia que Satanás assistiu a obra de Cristo desvelada com sucesso. Satanás, então, conhece muito sobre Deus e sobre a obra de Deus. Ele conhece o céu em primeira mão. Ele conhece o inferno também, com conhecimento pessoal como sua principal residência, e tem experimentado seus tormentos por todos estes milhares de anos. Ele deve ter um grande conhecimento da Bíblia: pelo menos, podemos ver que ele conhecia o suficiente para ver se conseguia tentar nosso Salvador. Além do mais, ele tem tido anos de estudo dos corações dos homens, seus campo de batalha onde ele luta contra nosso Redentor. Quanto labores, esforços, e cuidados o Diabo usou através dos séculos a medida que ludibriava os homens. Somente um ser com seu conhecimento e experiência sobre a obra de Deus, e sobre o coração do homem, portanto, poderia imitar a verdadeira religião e transformar-se em um anjo de luz. (2 Coríntios 11:14).
Portanto, podemos ver que não há nenhuma quantidade de conhecimento sobre Deus e religião que poderia provar que uma pessoa tem sido salva de seu pecado. Um homem pode falar sobre a Bíblia, Deus, e a Trindade. Ele pode ser capaz de pregar um sermão sobre Jesus Cristo e tudo que Ele fez. Imaginem, alguns podem ser capazes de falar sobre o caminho da salvação e a obra do Espírito Santo nos corações dos pecadores, talvez até mesmo mostrar a outros como se tornarem Cristãos. Todas estas coisas podem edificar a igreja e iluminar o mundo, todavia, não é uma prova certa da graça de Deus no coração de uma pessoa.
Pode também ser visto que as pessoas meramente concordarem com a Bíblia não é um sinal certo de salvação. Tiago 2:19 mostra que os demônios realmente, verdadeiramente, crêem na verdade. Da mesma forma que eles crêem que há um só Deus, eles concordam com toda a verdade da Bíblia. O diabo não é um herético: todos os artigos de sua fé estão firmemente estabelecidos na verdade.
Deve ser entendido que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia tenciona dizer não um mero concordar com a verdade, mas outro tipo de crença. "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido". (1 João 5:1) Este outro tipo de conhecimento é chamado "a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade". (Tito 1:1) Há um acreditar espiritual na verdade, o que será explicado mais tarde.

As Experiências Religiosas não são prova de salvação.

Algumas pessoas têm fortes experiências religiosas, e pensam delas como uma prova da obra de Deus em seus corações. Freqüentemente, estas experiências dão às pessoas um sentimento da importância do mundo espiritual, e a realidade das coisas divinas. Contudo, elas, também, não são uma prova certa da salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que têm um grande efeito em suas atitudes de coração. Freqüentemente, essas experiências dão às pessoas um sentido da importância do mundo espiritual, e da realidade das coisas divinas. Contudo, essas, também, não são uma prova seguro de salvação. Os demônios e os seres humanos condenados têm muitas experiências espirituais que causam um grande efeito nas atitudes de seus corações. Eles vivem no mundo espiritual e vêem em primeira mão como este é de fato. Os sofrimentos deles mostram-lhes o valor da salvação e o valor de uma alma humana em uma maneira mais poderosa do que se possa imaginar. A parábola em Lucas capítulo 16 ensina isto claramente, porque o homem sofrendo pergunta se Lázaro pode ser enviado para avisar seus irmãos, a fim de evitarem este lugar de tormento. Sem dúvidas, as pessoas no inferno têm uma idéia distinta da vastidão da eternidade, e da brevidade da vida. Eles estão completamente convencidos de que todas as coisas desta vida não são importantes quando comparadas com as experiências do mundo eterno. As pessoas que estão agora no inferno têm um grande sentido da preciosidade do tempo, e das maravilhosas oportunidades que as pessoas têm, as que possuem o privilégio de ouvir o Evangelho. Elas estão completamente conscientes da loucura do pecado, da negligência das oportunidades, e de se ignorar as advertências de Deus. Quando os pecadores descobrem por experiência pessoal o resultado final de seupecado há "pranto e ranger de dentes" (Mateus 13:42) Assim, até mesmo as mais poderosas experiências religiosas não são um sinal seguro da graça de Deus no coração.
Os demônios e as pessoas condenadas também têm um forte senso da majestade e poder de Deus. O poder de Deus é mais claramente demonstrado na execução de Sua divina vingança sobre Seus inimigos. "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" (Romanos 9:22). Estremecendo, os diabos aguardar a punição final deles, debaixo de um poderoso senso da majestade de Deus. Eles sentem isto agora, certamente, mas no futuro isto se mostrará em altíssimo grau, quando "se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder. Como labareda de fogo..." (2 Tessalonicenses 1:7-8) Neste dia, eles desejarão fugir, se esconder da presença de Deus. "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele." (Apocalipse 1:7) Portanto, todos O verão na glória de Seu Pai. Porém, obviamente, nem todos que O verão, serão salvos.

Objeção #1- As pessoas são diferentes dos demônios.

Agora, é possível que algumas pessoas possam objetar-se à tudo isto, dizendo que os homens ímpios deste mundo são totalmente diferentes dos demônios. Eles estão sob circunstâncias diferentes e são diferentes espécies de seres. Um objetor pode dizer: "Aquelas coisas que são visível e presentes para os demônios, são invisíveis e futuras para os homens. Além disso, as pessoas têm a desvantagem de terem corpos, que restringem a alma, e impedem que as pessoas vejam estas coisas espirituais em primeira mão. Portanto, mesmo se os demônios possuem um grande conhecimento e experiência pessoal das coisas de Deus, e não têm graça, a conclusão não se aplica a mim". Ou, colocando de uma outra forma: se as pessoas possuem estas coisas nesta vida, isto pode ser muito bem um sinal seguro da graça de Deus em seus corações.
Na resposta, concorda-se que nenhum homem nesta vida jamais terá o grau destas coisas como os demônios as têm. Nenhuma pessoa jamais estremecerá, com a mesma quantidade de temor que os demônios estremecem. Nenhum homem, nesta vida, pode jamais ter o mesmo tipo de conhecimento que o Diabo tem. É claro que os demônios e os homens condenados entendem a vastidão da eternidade, e a importância do outro mundo, mais do qualquer outra pessoa viva, e assim eles desejam ardentemente a salvação ainda mais.
Porém, podemos ver que os homens neste mundo podem ter experiências do mesmo tipo daquelas dos demônios e pessoas condenadas. Eles têm a mesma percepção mental, as mesmas opiniões e emoções, e os mesmos tipos de impressões na mente e no coração. Note, que para o apóstolo Tiago isto é um argumento convincente. Ele argumenta que se as pessoas pensam que acreditar em um único Deus é prova da graça de Deus, ela não é prova, pois os demônios crêem no mesmo. Tiago não está se referindo ao ato de crer somente, mas também às emoções e ações que vão juntas com sua crença. Estremecer é um exemplo de emoções do coração. Isto mostra que as pessoas têm o mesmo tipo de percepção mental, e que reagir no coração da mesma maneira, não é sinal seguro de graça.
A Bíblia não declara quantas pessoas neste mundo podem ver a glória de Deus, sem possuírem a graça de Deus nos seus corações. Não nos é informado exatamente em que grau Deus Se revela a certas pessoas, e quantas deles responderam em seus corações. É muito tentador dizer que se uma pessoa tem uma certa quantidade de experiência religiosa, ou uma certa quantidade de verdade, ela deve ser salva. Talvez, seja até possível para alguns povos não-salvos terem experiências maiores do que aqueles que possuem a graça em seus corações. Assim, é errado olhar para a experiência ou conhecimento em termos de quantidade. Os homens que possuem uma genuína obra do Espírito Santo em seus corações, têm experiências e conhecimento de um diferente tipo.

Objeção #2- As pessoas podem ter sentimentos religiosos que os demônios não podem.

Neste ponto, alguém pode replicar estes pensamentos dizendo: "Eu concordo com você. Eu vejo que crer em Deus, entendendo Sua majestade e santidade, e conhecendo que Jesus morreu por pecadores, não é prova da graça em meu coração. Eu creio que os demônios podem saber estas coisas também. Porém, eu tenho algumas coisas que eles não. Eu tenho alegria, paz e amor. Os demônios não podem tê-los, de forma que isto deve mostrar que sou
salvo."
Sim, é verdade que você tem algo a mais do que os demônios possam ter, mas isto não é nada melhor do que os demônios possam ter. Uma experiência pessoal de amor, alegria, etc., não pode ser porque eles tenham qualquer causa neles diferentes de um demônio, mas somente diferentes circunstâncias. As causas, ou origens, de seus sentimentos não são as mesmas. Esta é a razão porque estas experiências não são melhores do que aquelas dos demônios. Para explicar melhor:
Todas as coisas que foram discutidas antes sobre os demônios e pessoas condenadas, surgiram de duas principais causas, entendimento natural e amor próprio. Quando eles pensam sobre eles próprios, estas suas coisas são as que determinam seus sentimentos e reações. O entendimento natural mostra-lhes que Deus é santo, enquanto que eles são ímpios. Deus é infinito, mas eles são limitados. Deus é poderoso, e eles são fracos. O amor próprio dá-lhes um senso da importância da religião, do mundo eterno, e um desejo pela salvação. Quando estas duas causas trabalham juntas, os demônios e os homens condenados conscientizam-se da terrível majestade de Deus, quem eles sabem que será seu Juiz. Eles sabem que o julgamento de Deus será perfeito e sua punição será para sempre. Portanto, estas duas causas juntas com seus sentimentos causarão sua angústia no dia do julgamento, quando eles verão a glória visível de Cristo e Seus santos.
A razão porque muitas pessoas sentem alegria, paz e amor hoje, enquanto os demônios não, pode ser mais devido suas circunstâncias, do que qualquer diferença em seus corações. As causas em seus corações são as mesmas. Por exemplo, o Espírito Santo está agora atuando no mundo impedindo que todos da humanidade sejam tão maus como poderiam ser (2 Tessalonicenses 2:7). Isto está em contraste aos demônios, que são tão maus como eles poderiam ser o tempo todo. Além do mais, Deus em Sua misericórdia dá dons à todas pessoas, tal como a chuva para a colheita (Mateus 5:45), o calor do sol, etc.
Não somente isto, mas freqüentemente as pessoas recebem muitas coisas na vida que lhes trazem felicidade, tais como relacionamentos pessoais, prazeres, músicas, boa saúde, e assim por diante. Mais importante de tudo, muitas pessoas ouvem as novas de esperança: Deus enviou um Salvador, Jesus Cristo, que morreu para salvar pecadores. Nestas circunstâncias, o entendimento natural das pessoas pode fazer com que sintam coisas que os demônios não podem sentir.
O amor próprio é uma força poderosa nos corações dos homens, forte o bastante para fazer com que as pessoas, mesmo sem a graça, amem aos que os amam: "E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam." (Lucas 6:32) É uma coisa natural para uma pessoa que vê Deus ser misericordioso, e que sabe que eles não são tão maus como poderiam ser, serem conseqüentemente seguros do amor de Deus por eles. Se seu amor por Deus vem somente de seus sentimentos de que Deus te ama, ou porque você tem ouvido que Cristo morreu por você, ou algo similar, então, a origem de seu amor por Deus é somente o amor próprio. Isto reina nos corações dos demônios também.
Imagine a situação dos demônios. Eles sabem que eles são irrefreáveis em sua maldade. Eles sabem que Deus é seu maior inimigo e sempre será. Embora eles estejam sem qualquer esperança, ainda estão ativos e lutando. Pense apenas, o que aconteceria se eles tivessem algo da esperança que as pessoas têm? O que aconteceria se os demônios, com seu conhecimento de Deus, tivessem suas maldades refreadas? Imaginem se um demônio, depois de todos seus temores sob o julgamento de Deus, fosse repentinamente levado a imaginar que Deus pudesse ser sue Amigo? Que Deus poderia perdoá-lo e permiti-lo, com pecado e tudo, no céu? Oh a alegria, a maravilha, a gratidão que nós veríamos! Não seria este demônio um grande amante de Deus, visto que, apesar de tudo, todo mundo ama as pessoas que lhes ajudam? O que mais poderia causar sentimentos tão poderosos e sinceros? É alguma maravilha, que muitas pessoas são enganadas dessa maneira? Especialmente visto que as pessoas têm os demônios para promover esta ilusão. Eles têm promovido isto agora e por muito séculos, e ah!, eles são muito bons nisto.

As verdadeiras experiências espirituais têm uma origem diferente.

Agora chegamos à pergunta: se todas estas várias experiências e sentimentos vêm de nada mais do que os demônios são capazes de possuir, quais são os tipos de experiências que são verdadeiramente espirituais e santas? O que tenho que encontrar em meu coração, como um sinal seguro da graça de Deus ali? Quais são as diferenças que mostram-nas serem do Espírito Santo? Esta é a resposta: aqueles sentimentos e experiências que são bons sinais da graça de Deus no coração diferem das experiências dos demônios em sua origem e em seus resultados. Sua origem é a percepção da devastadoramente santa beleza e amabilidade das coisas de Deus. Quando uma pessoa entende em sua mente, ou melhor ainda, quando ela sente seu próprio coração cativado pela atratividade do Divino, isto é um sinal inequívoco da obra de Deus.
Os demônios e condenados no inferno não experimentam agora, e nunca experimentarão nem um pouco disto. Antes da queda deles, os demônios tinham esta percepção de Deus. Mas em sua queda, eles a perderam, e a única coisa que eles poderiam perder do seu conhecimento de Deus. Temos visto como os demônios possuem claras idéias sobre como Deus é poderoso, sobre Sua justiça, santidade, e assim por diante. Eles conhecem muitos dos fatos sobre Deus.
Mas agora eles não têm um indício sobre como Deus é. Eles não podem saber o que Deus é mais do que um cego pode saber sobre cores! Os demônios têm uma forte percepção da terrível majestade de Deus, mas eles não vêem Sua amabilidade. Eles têm observado Sua
obra entre a raça humana por estes milhares de anos, deveras com toda a atenção; mas eles não podem ver um vislumbre de Sua beleza. Não importa quanto eles saibam sobre Deus (e temos visto que eles sabem realmente muito), o conhecimento que eles possuem nunca lhes trará a este alto e espiritual conhecimento de como Deus é. Pelo contrário, quanto mais eles sabem sobre Deus, mais eles O odeiam. A beleza de Deus consiste primariamente nesta santidade, ou excelência moral, e isto é o que eles mais odeiam. É porque Deus é santo que os demônios Lhe odeiam. Alguém pode supor que se Deus fosse menos santo, os demônios Lhe odiariam menos. Sem dúvidas os demônios devem odiar qualquer Ser santo, não importa quem Ele seja. Mas, certamente, eles odeiam este Ser ainda mais, por ser infinitamente santo, infinitamente sábio, e infinitamente poderoso!
Pessoas ímpias, incluindo aquelas ainda vivas, verão no dia do julgamento tudo o que há para ver de Jesus Cristo, exceto Sua beleza e amabilidade. Não há nenhuma coisa sobre Cristo que pudermos pensar, que não será posta diante deles em poderosa luz naquele brilhante dia. Os ímpios verão Jesus "vindo nas nuvens, com grande poder e glória". (Mateus 13:26) Eles verão Sua glória visível, que é muito, muito maior do que podemos imaginar agora. Os ímpios serão totalmente convencidos de tudo o que Cristo é. Eles serão convencidos sobre Sua onisciência, a medida que eles virem seus pecados repassados e julgados. Eles verão em primeira mão a justiça de Cristo, a medida que suas sentenças forem anunciadas. Sua autoridade será feita absolutamente convincente quando cada joelho se dobrar, e cada língua confessar a Jesus como Senhor. (Filipenses 2:10,11) A divina majestade será impressa sobre eles em um modo totalmente efetivo, a medida que os ímpios forem lançados no inferno, e entrarem no seu
estado final de sofrimento e morte. (Apocalipse 20:14,15) Quanto isto acontecer, todo seu conhecimento de Deus, tão verdadeiro e poderoso como possa ser, não valerá nada, e menos do que nada, porque eles não verão a beleza de Cristo.
Portanto, é esta visão da amabilidade de Cristo que faz a diferença entre a graça salvadora do Espírito Santo, e as experiências dos demônios. Esta visão ou percepção é que faz averdadeira experiência Cristã diferente de qualquer outra. A fé do povo eleito de Deus é baseada nisto. Quando uma pessoa vê a excelência do evangelho, percebe a beleza e amabilidade do plano divino da salvação. Sua mente é convencida de que isto é de Deus, e crê nisto com todo seu coração. Como o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 4:3,4: "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." Isto é dizer, como foi explicado antes, que os incrédulos podem ver que há um evangelho, e entender os fatos sobre ele, mas eles não vêem sua luz. A luz do evangelho é a glória de Cristo, Sua santidade e beleza. Justamente após isto nós lemos: 2 Coríntios 4:6 "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo." Claramente, é esta divina luz, brilhando em nossos corações, que nos capacita a ver a beleza do evangelho e a ter uma fé salvadora em Cristo. Esta luz sobrenatural nos mostra a superlativa beleza e amabilidade de Jesus, e nos convence de Sua suficiência como nosso Salvador. Somente um Salvador glorioso e majestoso pode ser nosso Mediador, permanecendo entre o culpado, pecadores merecedores do inferno como nós mesmos, e um Deus infinitamente santo. Esta luz sobrenatural nos dá uma percepção de Cristo que nos convence de uma maneira que nada mais poderia fazer.

Uma verdadeira experiência espiritual transforma o coração.

Quando o pior dos pecadores é levado a ver a divina amabilidade de Cristo, ele não mais especula porque Deus deve estar interessado nele, para salvá-lo. Antes, ele não poderia entender como o sangue de Cristo poderia pagar a penalidade pelos pecados. Mas agora, ele pode ver a preciosidade do sangue de Cristo, e como Ele é digno de ser aceito como um resgate para o pior dos pecados. Agora, a alma pode reconhecer que ele é aceito por Deus, não por causa do que ele é, mas por causa do valor que Deus põe no sangue, na obediência, e na intercessão de Cristo. Ver este valor e dignidade dá à pobre alma culpada, um descanso que não pode ser encontrado em qualquer sermão ou livreto.
Quando uma pessoa chega a ver o fundamento apropriado da fé e da confiança com seus próprios olhos, esta fé é salvadora. "Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna." (João 6:40) "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti. Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste". (João 17:6-8) É esta visão da divina beleza de Cristo que cativa as vontades e atraí os corações dos homens. Uma visão da grandeza visível de Deus em Sua glória pode esmagar os homens, acima daquilo que poderão suportar. Isto será visto no dia do julgamento, quando os ímpios serão trazidos diante de Deus. Eles serão esmagados, sim, mas a hostilidade do coração permanecerá integralmente e a oposição da vontade continuará. Mas por outro lado, um simples raio da glória moral e espiritual de Deus e da suprema amabilidade de Cristo brilhando no coração, sujeita toda hostilidade. A alma é inclinada a amar a Deus como se por um poder onipotente, de modo que agora não somente o entendimento, mas todo o ser recebe e abraça o amável Salvador.
Esta percepção da beleza de Cristo é o principio da verdadeira fé salvadora na vida de um verdadeiro converso. Esta é totalmente diferente de qualquer sentimento vago que Cristo lhe ama ou morreu por ele. Este tipo de sentimentos confusos podem causar um tipo de amor e alegria, porque a pessoa sente uma gratidão por ter escapado da punição de seu pecado. Na realidade, estes sentimentos são baseados no amor próprio, e de nenhuma maneira em um amor por Cristo. É uma coisa triste que tantas pessoas são iludidas por esta falsa fé.
Por outro lado, um vislumbre da glória de Deus na face de Jesus Cristo causa no coração um supremo e genuíno amor por Deus. Isto é porque a luz divina mostra a excelente natureza da amabilidade de Deus. Um amor baseado nisto está muito, muito acima de qualquer coisa que venha de um amor próprio, o qual os demônios podem possuir tão bem como os homens. O verdadeiro amor por Deus que vêm desta visão de Sua beleza causa uma alegria santa e espiritual na alma; uma alegria em Deus, e um regozijo nEle. Não há regozijo em nós mesmos, pelo contrário há regozijo somente em Deus.

As experiências genuínas espirituais têm resultados diferentes

A visão da beleza das coisas divina causará verdadeiros desejos pelas coisas de Deus. Estes desejos são diferentes das aspirações dos demônios, as quais acontecem porque os demônios sabem da maldição que lhes esperam, e desejam que isto possa ser de alguma forma diferente. Os desejos que vêm desta visão da beleza de Cristo são desejos naturais livres, como um bebê desejando leite. Porque estes desejos são tão diferentes das suas falsificações, eles ajudam à distinguir a genuína experiência da graça de Deus da falsa.
As falsas experiências espirituais têm a tendência de causar orgulho, que é um pecado especial do diabo. "Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo".(1 Timóteo 3:6) O orgulho é um resultado inevitável das experiências espirituais falsas, embora elas sejam freqüentemente cobertas com um disfarce de grande humildade. A experiência falsa é enamorada com si própria e cresce assim. Ela vive da própria exibição de um jeito ou outro. Uma pessoa pode ter um grande amor por Deus, e ser orgulhosa da grandeza de seu amor. Ele pode ser muito humilde, e deveras orgulhoso de sua humildade. Mas, as emoções e experiência que vêm da graça de Deus são exatamente opostas. A verdadeira obra de Deus no coração causa humildade. Elas não podem causar qualquer tipo de exibicionismo ou auto-exaltação. A percepção da terrível, santa, e gloriosa beleza de Cristo mata o orgulho e humilha a alma. A luz da amabilidade de Deus, e esta somente, mostra à alma sua própria vileza. Quando uma pessoa entende isto, inevitavelmente começa um processo de fazer Deus maior e maior, e ele mesmo menor e menor.
Outro resultado da graça de Deus operante no coração é que a pessoa odiará cada mal e reagirá a Deus com um coração e uma vida santa. As experiências falsas podem causar uma certa quantia de zelo, e até muito do que é comumente chamado religião. Contudo, não é um zelo pelas boas obras. Sua religião não é um serviço de Deus, mas antes um serviço próprio. Isto é como o apóstolo Tiago o coloca neste mesmo contexto, "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" (Tiago 2:19,20) Em outras palavras, os feitos, ou boas obras, são evidências de uma genuína experiência da graça de Deus no coração. "E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade". (1 João 2:3,4) Quando o coração tem sido encantado pela beleza de Cristo, como poderia responder de outra forma?

A visão da beleza de Cristo - o maior dom de Deus!

Quão excelente é esta bondade interna e a verdadeira religião que vêm desta visão da beleza de Cristo! Aqui você tem as mais maravilhosas experiências dos santos e anjos no céu. Aqui você tem a melhor experiência do próprio Jesus Cristo. Embora sejamos meras criaturas, isto é um tipo de participação na própria beleza de Deus. "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina." (2 Pedro 1:4). "Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiamcomo bem lhes parecia; mas este [Deus], para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade." (Hebreus 12:10) Por causa do poder desta obra divina, há uma habitação mútua de Deus em Seu povo. "Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele".
Este relacionamento especial faz com que a pessoa envolta seja tanto feliz como abençoada, como nenhuma criatura existente. Este é um dom especial de Deus, que Ele dá somente para Seus favoritos. Ouro, prata, diamantes, e reinos terrestres são dados por Deus para pessoas que a Bíblia chama de cães e porcos. Mas o grande dom de contemplar a beleza de Cristo, é uma benção especial de Deus para Seus queridos filhos. Carne e sangue não podem dar este dom: somente Deus pode concedê-lo. Este foi o dom especial pelo qual Cristo morreu para obter para Seus eleitos. Este é o sinal mais alto de seu eterno amor, o melhor fruto de Seus labores, e a mais preciosa aquisição de Seu sangue.
Por este dom, mais do que qualquer outro, os santos brilham como luzes no mundo. Este dom, mais do que qualquer outro, é seu o conforto. É impossível que a alma que possua este dom possa perecer. Este é o dom da vida eterna. Este é o início da vida eterna: aquele que o tem, não pode jamais morrer. Este é o amanhecer da luz da glória. Ele vem do céu, tem uma qualidade celestial, e guiará seu portador ao céu. Aqueles que possuem este dom, podem vagar no deserto ou serem lançados pelas ondas do mar, mas finalmente chegarão ao céu. Lá a faísca celestial se tornará perfeita e elevada. No céu, as almas dos santos serão transformadas em uma brilhante e pura labareda de fogo, e eles brilharão eternamente como o sol no reino de seu Pai. Amém.

Jonathan Edwards: Teólogo do Coração e do Intelecto


Nas proximidades do aniversário da Reforma, publicaremos alguns textos de e sobre Jonathan Edwards,  (5 de outubro de 1703 - 22 de março de 1758) que foi um ministro congregacional, teólogo calvinista e é considerado um dos maiores filósofos norte-americanos.

Não deixem de visitar o Jonathan Edwards Center at Yale onde foram disponibilizadas todas obras deste humilde servo do Deus Altíssimo.

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por Alderi S. Matos

Introdução

Jonathan Edwards, um pastor congregacional norte-americano que viveu no século XVIII, foi uma das personalidades religiosas mais destacadas da história da igreja nos últimos três séculos. Os estudiosos da sua vida e obra o tem considerado o maior filósofo e teólogo já produzido pelos Estados Unidos e especialmente o mais importante e influente dos calvinistas americanos.(1) Benjamin B. Warfield cita o testemunho do filósofo francês Georges Lyon, segundo o qual, tivesse Edwards permanecido apenas no campo da filosofia e da metafísica, sem enveredar pela teologia, ele talvez viesse a ocupar "um lugar ao lado de Leibnitz e Kant entre os fundadores de sistemas imortais."(2) 
O fato é que, tendo sido inicialmente, durante a sua juventude, atraído pela filosofia, notadamente sob a influência de grandes empiricistas e cientistas ingleses como John Locke (1632-1704) e Isaac Newton (1642-1717), eventualmente as preocupações de ordem religiosa tornaram-se poderosamente dominantes em sua vida e pensamento. Tais preocupações finalmente o levaram ao ministério pastoral e à teologia.
Além da sua notável produção filosófica e teológica, Edwards destaca-se por outros fatores. Ele foi também um extraordinário pregador, cujos sermões, proferidos com a mais sincera convicção, causavam um poderoso impacto.(3)  Em virtude disso, ele veio a ser um dos protagonistas do célebre avivamento religioso americano que ficou conhecido como o Grande Despertamento (1735-44). Mais ainda, com sua pena habilidosa, Edwards tornou-se o principal estudioso e intérprete do avivamento, registrando descrições e análises sobre os seus fenômenos espirituais e psicológicos que até hoje não foram superadas.
Finalmente, Edwards impressiona por sua grande síntese entre fé e razão, tanto em sua vida pessoal quanto em sua produção literária. Dotado de uma mente inquiridora e disciplinada, e acostumado a refletir sobre um tema até as suas últimas implicações, ele também foi um homem de espiritualidade profunda e transbordante, que teve como a maior das suas preocupações a celebração da graça e da glória de Deus.
No Brasil, a vida e contribuição de Edwards ainda são essencialmente desconhecidas nos meios evangélicos, até mesmo nos círculos acadêmicos.(4) A única coisa que muitos associam com ele é o célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado,"(5)  que, embora aborde um tema importante da sua teologia, está longe de ser representativo da sua obra como um todo e certamente não expressa algumas das principais ênfases da sua reflexão.
O objetivo do presente artigo é oferecer uma introdução ao estudo de Jonathan Edwards, o homem, o líder, o pensador cristão. Iniciaremos com uma síntese da sua vida e carreira ministerial, continuando com a apresentação e classificação dos seus escritos e uma análise de alguns pontos salientes da sua reflexão teológica, entre os quais as suas idéias acerca do avivamento.(6)
I. Dados Biográficos
Jonathan Edwards nasceu em East Windsor, Connecticut, em 5 de outubro de 1703, sendo seu pai um piedoso ministro congregacional. Precoce e religioso desde a sua meninice, aos 12 anos ele escreveu a uma de suas irmãs:
Pela maravilhosa bondade e misericórdia de Deus, houve neste lugar uma extraordinária atuação e derramamento do Espírito de Deus,... tenho razões para pensar que agora diminuiu em certa medida, mas espero que não muito. Cerca de treze pessoas uniram-se à igreja em um estado de plena comunhão.(7)
Depois de dar os nomes dos convertidos, ele acrescentou: "Acho que muitas vezes mais de trinta pessoas se reunem às segundas-feiras para falar com o Pai acerca da condição das suas almas."
O lar de Edwards estimulou de maneira poderosa a sua vida espiritual e intelectual. Ele começou a estudar latim aos seis anos e aos treze também já havia adquirido um respeitável conhecimento de grego e hebraico. Após quatro anos de estudos no Colégio de Yale, em New Haven, Edwards obteve o seu grau de bacharel em 1720. Logo em seguida, encetou seus estudos teológicos na mesma instituição, obtendo o grau de mestre em 1722. Após pastorear uma igreja presbiteriana em Nova York por oito meses (1722-23) e atuar como professor assistente em Yale por dois anos, em 1726, aos 23 anos de idade, Edwards passou a trabalhar como pastor-assistente do seu avô, Solomon Stoddard (1643-1729), o famoso ministro da igreja de Northampton, Massachusetts. Essa igreja era provavelmente a maior e a mais influente da província, à exceção de Boston. Houve uma época em que chegou a ter seiscentos e vinte membros, incluindo quase toda a população adulta da cidade.
Em julho de 1727, Edwards casou-se com Sarah Pierrepont, então com 17 anos, filha de James Pierrepont, o conhecido pastor da igreja de New Haven, e bisneta do primeiro prefeito de Nova York. Os historiadores destacam a grande harmonia, amor e companheirismo que caracterizou a vida do casal.(8)  Eles gostavam de andar a cavalo ao cair da tarde para poderem conversar e antes de se recolherem sempre tinham juntos os seus momentos devocionais.
Jonathan e Sarah tiveram 11 filhos, todos os quais chegaram à idade adulta, fato raro naqueles dias. Em 1900, um repórter identificou 1400 descendentes do casal Edwards. Entre eles houve 15 dirigentes de escolas superiores, 65 professores, 100 advogados, 66 médicos, 80 ocupantes de cargos públicos, inclusive 3 senadores e 3 governadores de estados, além de banqueiros, empresários e missionários.(9)
Em 1729, com a morte do seu avô, Jonathan tornou-se o pastor titular da igreja de Northampton, na qual, através de sua poderosa pregação, ocorreu um grande avivamento cinco anos mais tarde (1734-35).(10)  O Grande Despertamento, que tivera os seus primórdios alguns anos antes entre os presbiterianos e reformados holandeses na Pensilvânia e Nova Jersey, cresceu com as pregações de Edwards e atingiu o seu apogeu no ano de 1740, com o trabalho itinerante do grande avivalista inglês George Whitefield (1714-1770).(11)
Em 1750, após 23 anos de pastorado, Jonathan Edwards foi despedido pela sua igreja. A razão principal foi a sua insistência de que somente pessoas convertidas participassem da Ceia do Senhor, em contraste com a prática anterior do seu avô. No seu sermão de despedida, depois de advertir a igreja sobre as contendas que nela havia e os perigos que isso representava, ele concluiu:
Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (1 Pe 3.10-11). Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em 2 Coríntios 13.11: "Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco".(12) 
No ano seguinte, Edwards foi para Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachusetts, onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário entre os índios. Em 1757, a sua excelência como educador e sua fama como teólogo e filósofo fizeram com que ele fosse convidado para ser o presidente do Colégio de Nova Jersey, a futura Universidade de Princeton. Em 22 de março de 1758, um mês após a sua posse, Edwards morreu devido a complicações resultantes de uma vacina contra varíola.
II. Produção Literária
A produção literária de Jonathan Edwards foi gigantesca.(13)  Antes de completar vinte anos, quando ainda estudava teologia em Yale, ele começou a escrever o tratado filosófico Sobre o Ser. Pouco depois (1722-23), ele redigiu as suas célebres Resoluções e começou a escrever o seu Diário e as Miscelâneas. As Resoluções são 70 regras de disciplina pessoal que Edwards comprometeu-se a ler uma vez por semana durante o resto da sua vida.(14)  Em seu Diário, ele faz um profundo auto-exame e preocupa-se em avaliar até que ponto estava cumprindo com as resoluções. Já as Miscelâneas são cadernos teológicos ou uma espécie de diário intelectual que Edwards escreveu ao longo de trinta e cinco anos e mostram o desenvolvimento do seu pensamento. Edwards também escreveu sobre suas experiências de vida em sua Narrativa Pessoal (1739), que oferece uma visão fascinante da sua infância, do relacionamento com o seu pai e de suas lutas com o seu próprio pecado e com as doutrinas calvinistas da soberania de Deus e da predestinação.
Algumas das obras mais penetrantes de Edwards tratam do fenômeno da psicologia religiosa, a partir das suas próprias experiências com os reavivamentos de Northampton e, posteriormente, com o Grande Despertamento como um todo. Seu primeiro escrito a tratar da natureza da experiência religiosa nesse contexto foi uma carta escrita em 1736, publicada no ano seguinte sob o título Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus (também conhecida como Narrativa de Conversões Surpreendentes). Essa carta analisa eventos ocorridos durante o reavivamento local em Northampton (1734-35). Alguns anos mais tarde Edwards publicou Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito de Deus (1741) e Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento da Religião na Nova Inglaterra (1742), tratando do movimento mais amplo.(15) Em 1746, ele publicou seu estudo mais amadurecido sobre a experiência do avivamento, o Tratado Sobre as Afeições Religiosas, baseado em uma série de sermões sobre 1 Pedro 1:8 ("... a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória"). Nessa obra ele argumenta que o verdadeiro cristianismo não é evidenciado pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas está presente sempre que um coração é transformado para amar a Deus e buscar o seu prazer.
Edwards também produziu muitas obras teológicas altamente significativas. À semelhança das suas obras sobre a experiência religiosa, os seus escritos teológicos têm uma dimensão prática, estando diretamente ligados a acontecimentos e preocupações do seu tempo. Por exemplo, a controvérsia em que se envolveu com a sua congregação sobre quem tinha o direito de participar da Santa Ceia levou-o a escrever Qualificações para a Comunhão, em 1749, onde argumenta que somente pessoas convertidas devem receber o sacramento.
Rejeitado por sua igreja, Edwards passou os últimos oito anos da sua vida na remota Stockbridge, período esse que foi o mais fértil na sua reflexão e produção teológica. Foi nessa época que ele escreveu seu monumental tratado A Liberdade da Vontade(16)  (1754), onde argumenta que o ser humano é certamente livre (uma idéia crescentemente popular na Idade da Razão), mas Deus permanece soberano e é o único responsável pela salvação humana.(17)  Outras obras escritas nesse período foram: O Fim Para o Qual Deus Criou o Mundo e A Natureza da Verdadeira Virtude(18)  (publicadas postumamente em 1765); O Pecado Original (1758); e História da Obra da Redenção.
Edwards não chegou a concluir sua História da Obra da Redenção, um colossal tratado teológico na forma de uma história, em que ele planejava traçar a atuação de Deus desde a criação até os seus próprios dias. A fim de preparar-se para essa tarefa, Edwards leu todas as obras históricas a que teve acesso. O material básico do tratado, uma série de preleções feitas em 1739, foi publicado na Escócia em 1774 e nos Estados Unidos em 1786.
Outro volumoso conjunto de escritos deixados por Edwards são os seus sermões, um dos quais, "Deus é Glorificado na Dependência do Homem" (1 Co 1:29-31), pregado a um grupo de pastores de Boston em 1731, foi o primeiro dos seus escritos a ser publicado. Outro importante sermão é "Uma Luz Divina e Sobrenatural" (Mt 16:17), proferido em 1733. Ocupam lugar de destaque os seus 15 sermões sobre "A Caridade e seus Frutos" (1 Coríntios 13), pregados à igreja de Northampton em 1738, mas publicados somente em 1851.
A correspondência pessoal de Edwards também constitui-se em um volumoso e valioso conjunto de escritos, pois nela ele aborda os mesmos temas palpitantes dos seus tratados e sermões.(19)  O seu "Relato do Reavivamento de Northampton em 1740-42" faz parte de uma carta que escreveu a um destacado ministro de Boston.
Edwards também escreveu uma biografia do famoso missionário aos indígenas norte-americanos David Brainerd (1718-1747) e publicou o seu Diário, um clássico devocional. Brainerd estava para casar-se com Jerusha, uma filha de Edwards, e morreu na casa deste aos 29 anos de idade, vitimado pela tuberculose.
III. Contexto Religioso e Intelectual
Quando Jonathan Edwards iniciou o seu ministério, a região em que vivia, a Nova Inglaterra, já vinha sendo colonizada pelos ingleses e seus descendentes há um século. Os colonizadores foram os célebres puritanos, calvinistas que lutaram por uma igreja mais pura no seu país de origem e que eventualmente vieram para o Novo Mundo a fim de viverem sem impedimentos de acordo com as suas convicções religiosas. Ao chegarem a Massachusetts, primeiro a Plymouth (1620) e depois a Salem e Boston (1629-30), eles procuraram edificar uma comunidade verdadeiramente cristã e uma igreja composta de pessoas convertidas e comprometidas com Deus. Apesar de alguns problemas, e de certa intolerância para com outros grupos que pensavam de maneira diferente, eles conseguiram realizar esses ideais por algum tempo.
Eventualmente, depois de um período inicial de sofrimentos e provações amargas, os colonos prosperaram materialmente na nova terra cheia de tantas oportunidades. No final do século XVII, a vida na Nova Inglaterra era em grande parte pacífica e confortável. A maioria das pessoas pertencia à classe média e quase não havia pobreza. O nível educacional também era relativamente alto.(20) Todo esse progresso havia sido alcançado por causa dos valores religiosos e éticos dos puritanos, como o seu amor ao trabalho, sua disciplina de vida, sua rejeição de vícios e a preocupação em serem bons mordomos das bênçãos de Deus. Porém, juntamente com a prosperidade material, ocorreu um declínio no fervor religioso entre as novas gerações. O cristianismo de muitos tornou-se meramente nominal; o mundanismo e a apatia espiritual afetaram seriamente as igrejas.
Ao mesmo tempo, as novas ideologias vindas da Europa estavam exercendo uma influência crescente sobre a sociedade. A Idade da Razão caracterizou-se pela crença na capacidade do ser humano para o bem, especialmente ao agir segundo os ditames da razão. O racionalismo iluminista e sua versão religiosa, o deísmo, ameaçavam diretamente não somente as convicções evangélicas e reformadas dos puritanos, mas também os próprios fundamentos do cristianismo histórico. Muitos pensadores europeus e americanos rejeitavam a idéia de uma humanidade pecadora que estava sob o julgamento de um Deus justo.
Como um homem culto e inquiridor, alguém que levava a sério as realidades e desafios do seu tempo, Edwards propôs-se, em sua reflexão e em sua prática, a defrontar-se com esse duplo ataque experimentado pela fé reformada. Ele envidou esforços não somente no sentido de que a vida e a espiritualidade da igreja resgatassem o que havia de positivo na experiência e contribuição dos puritanos, mas ao mesmo tempo procurou fazê-lo de maneira intelectualmente defensável, buscando demonstrar que não havia qualquer conflito intransponível entre fé e razão.
Sendo um líder solidamente firmado na tradição puritana, com sua ênfase na experiência espiritual, e não somente no conhecimento intelectual das verdades da fé, Edwards recebeu com alegria a eclosão do avivamento em sua própria igreja e posteriormente em escala mais ampla, não só na Nova Inglaterra mas em outras partes das colônias americanas. Os pregadores do Grande Despertamento não puseram de lado a ênfase puritana nas doutrinas, mas apelaram fortemente às emoções.(21)  Alguns deram ênfase excessiva às manifestações físicas associadas com os sentimentos religiosos. As pessoas tocadas por um sermão poderiam desmaiar, gritar, contorcer-se, cantar e ter outros tipos de reações físicas.
Obviamente, nem todos os líderes religiosos ficaram empolgados com tais ocorrências. Muitos clérigos influenciados pelo racionalismo, dos quais o mais famoso era Charles Chauncy, de Boston, ressentiam-se com o entusiasmo religioso gerado pelo avivamento. Eles o consideravam uma ameaça à autoridade estabelecida da igreja. Entendiam que o subjetivismo religioso apelava aos instintos inferiores e que uma pessoa racional não necessitaria que as suas crenças fossem substanciadas por um coração aquecido e muito menos por desmaios, gemidos ou pulos de alegria.(22) Assim sendo, surgiram dois partidos: os pastores contrários ao avivamento, chamados Old Lights, que temiam uma ruptura da ordem e da autoridade religiosa, e os New Lights, favoráveis ao movimento, muitos dos quais também preocupavam-se com as distorções ocorridas.
IV. Interpretando o Avivamento
Jonathan Edwards defrontou-se com a difícil tarefa de defender o avivamento dos ataques dos críticos e ao mesmo tempo apontar os desvios e falsas concepções acerca da vida espiritual que o movimento podia gerar. Suas excepcionais qualificações intelectuais e espirituais contribuíram para fazer dele o notável intérprete do Grande Despertamento. Nas suas primeiras análises do tema, Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus (1736), Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito de Deus (1741) e Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento da Religião na Nova Inglaterra (1742), ele não só descreve com detalhes os acontecimentos verificados na sua igreja e na região, mas preocupa-se em responder às acusações de que o reavivamento limitava-se a emoções, superficialidade e desordem. Ele admitiu que o emocionalismo podia prejudicar o cristianismo autêntico, mas também defendeu o avivamento apontando para o culto mais intenso e para as vidas permanentemente transformadas.(23)
Curiosamente, ao escrever a última obra mencionada acima, Edwards baseou-se em parte nas experiências da sua esposa. Em janeiro de 1742, quando ele estava ausente fazendo conferências, Sarah teve uma intensa crise espiritual marcada por desmaios, visões e êxtases. Quando Edwards regressou, toda a cidade estava comentando o assunto. Ele sentou-se com Sarah, pediu-lhe que lhe contasse tudo o que ocorrera e escreveu toda a sua história. Sarah lhe disse que havia recebido uma certeza do favor de Deus como nunca havia experimentado até então, bem como o mais profundo sentimento de alegria espiritual. Edwards convenceu-se de que a experiência da sua esposa foi uma crise espiritual a ser atribuída à atuação de Deus e afirmou que a partir de então ela passou a realizar os seus deveres domésticos como um "serviço de amor" marcado por constante satisfação, paz e alegria.(24)
Todavia, suas idéias mais refletidas e profundas encontram-se no seu grande clássico, o Tratado Sobre as Afeições Religiosas (1746), escrito numa época em que a Grande Despertamento já havia perdido o seu ímpeto inicial. Edwards argumenta que a verdadeira religiosidade reside no coração, a sede dos afetos, emoções e inclinações. Ao mesmo tempo, ele descreve com detalhes os tipos de emoções religiosas que são em grande parte irrelevantes para qualquer aferição de uma verdadeira espiritualidade. A obra termina com uma apresentação das doze "marcas" que indicam a presença da religião verdadeira. Ele acentua, em síntese, que não é a quantidade de emoções que indicam a presença da verdadeira espiritualidade, mas a origem de tais emoções em Deus e a sua manifestação através de obras consoantes com a lei de Deus.
Portanto, Edwards destacou a centralidade das afeições na genuína experiência religiosa. Conforme ele mesmo afirma, "as Escrituras Sagradas em toda parte colocam a religião mui fortemente nas afeições, tais como temor, esperança, amor, ódio, desejo, alegria, tristeza, gratidão, compaixão e zelo."(25)  Como pondera George Marsden, Edwards defendeu a religião do coração em contraste com os críticos do reavivamento que ficavam somente com uma religião da cabeça, um cristianismo que limitava-se a crer nas doutrinas certas e observar uma moralidade apropriada.(26)  Por outro lado, em seu tratado Edwards delineou cuidadosamente alguns testes bíblicos para avaliar a genuína experiência religiosa, incluindo entre eles a ênfase na obra graciosa de Deus, doutrinas consistentes com a revelação bíblica e uma vida caracterizada pelos frutos do Espírito.
Essa ênfase numa espiritualidade calorosa e experimental é que torna Edwards tão atraente para o grande pastor e escritor reformado do século XX que foi D. Martin Lloyd-Jones. Ele considera que "em Edwards chegamos ao zênite ou ao ápice do puritanismo, pois nele temos o que vemos em todos os outros [puritanos], mas, em acréscimo, este espírito, esta vida, esta vitalidade adicional."(27)  Além das experiências da sua esposa, Edwards também relata experiências pessoais de intensa emoção religiosa. Ele fala, por exemplo, do que lhe aconteceu em 1737, quando orava nos bosques, em meio a uma cavalgada, e teve uma visão da glória de Cristo que o manteve "a maior parte do tempo num mar de lágrimas, chorando em voz alta."(28)
Edwards admite, portanto, a possibilidade de manifestações emocionais e mesmo físicas como conseqüência de uma experiência religiosa genuína, de um verdadeiro encontro com Deus. Ele pode apontar para inúmeros exemplos bíblicos em que manifestações gloriosas do Ser Divino causaram um poderoso impacto sobre diferentes personagens. O que ele não concebe é que tais manifestações sejam evidências decisivas a favor ou contra a autenticidade de uma experiência religiosa. Elas não constituem uma norma geral: a maneira como alguém experimenta a realidade de Deus não é necessariamente igual à de outro. O que realmente revela se a experiência é verdadeira ou espúria são os efeitos, os frutos revelados na vida e na conduta, a médio e longo prazo.
V. A Centralidade de Deus
A espiritualidade e a prática pastoral de Edwards têm o seu fulcro em suas concepções a respeito de Deus. A sua teologia, suas noções acerca do avivamento, sua cosmovisão e a sua ética individual e social têm aqui o seu ponto de partida. Para Edwards, como bem aponta Lloyd-Jones, a religião é acima de tudo um encontro vivo e existencial com Deus.(29)  Edwards dá forte ênfase à soberania, ao amor e à glória de Deus. O próprio propósito de Deus ao criar o universo foi expressar o seu amor, comunicar-se com as suas criaturas, revelar a sua glória e o seu resplendor. Para Edwards, como destaca Marsden, "a essência da verdadeira experiência religiosa consiste em ser prostrado pela visão da beleza de Deus, ser atraído pela glória das suas perfeições, sentir o seu amor irresistível."(30) 
Assim atua a graça soberana de Deus: o coração humano é transformado pelo seu poder irresistível, mas esse poder não é exercido como uma força externa imposta à vontade. Antes, quando os olhos são abertos e a pessoa é cativada pela beleza, glória e amor de Deus, quando a pessoa vê esse amor manifesto supremamente na beleza do amor sacrificial de Cristo, ela é alegremente compelida a abandonar o amor-próprio como o princípio central da vida, voltando-se para o amor de Deus.(31)  Edwards descreve o lado humano dessa experiência regeneradora como o recebimento de um sexto sentido – um senso da beleza, glória e amor de Deus.
Assim sendo, o conhecimento de Deus na verdadeira experiência cristã será um conhecimento "sensível." Ele é diferente do mero conhecimento especulativo, do mesmo modo como o sabor do mel é diferente da simples compreensão de que o mel é doce. Portanto, a verdadeira experiência cristã não fundamenta-se apenas no conhecimento e na afirmação das doutrinas cristãs verdadeiras, por importantes que elas sejam. Antes, é um conhecimento afetivo, ou um senso das verdades que as doutrinas descrevem. É o que Edwards afirma em seu célebre sermão "Uma Luz Divina e Sobrenatural":
Aquele que é espiritualmente iluminado... não crê de maneira meramente racional que Deus é glorioso, mas tem um senso da natureza gloriosa de Deus em seu coração. Não há somente uma percepção racional de que Deus é santo, e de que a santidade é uma coisa boa, mas há uma percepção do caráter atraente da santidade de Deus. Não há apenas a conclusão especulativa de que Deus é gracioso, porém o senso de quão amável Deus é, ou o senso da beleza deste atributo divino.(32)
Além de afirmar a centralidade de Deus na vida espiritual e na experiência religiosa do crente, Edwards também o faz com relação ao mundo material. As novas concepções científicas e filosóficas da Idade de Razão davam ênfase a um universo cada vez menos dependente de Deus. Este parecia desnecessário em um cosmos que funcionava independentemente seguindo as suas próprias leis. O Ser Supremo dos deístas estava mui distante da sua criação. Edwards reagiu contra essas idéias, afirmando que Deus deve ocupar um lugar central em toda a visão da realidade. A essência de Deus é o amor, o que para Edwards significa que Deus está constantemente comunicando o seu caráter, beleza, amor e glória às suas criaturas. Deus não é somente o Criador, mas a cada momento sustenta a sua criação e fala por meio dela. Deus é distinto da criação; todavia, a criação tem uma qualidade pessoal, sendo parte da linguagem pela qual Deus expressa a sua bondade e glória às suas criaturas.(33)
VI. Da Teologia à Ética
Sem abandonar a antropologia reformada tradicional, Edwards lhe dá novas ênfases e a expõe de maneira peculiar em sua reação aos postulados do arminianismo e do racionalismo. Como John H. Leith aponta, Edwards dá muito maior atenção à vontade humana do que o fez Calvino.(34)  Em A Liberdade da Vontade, Edwards argumenta que a vontade não é uma faculdade independente, mas uma expressão da motivação humana mais fundamental. "Querer" algo é agir de acordo com os motivos mais fortes que existem no íntimo do indivíduo. O ser humano é moralmente livre para fazer o que lhe agrada, porém o que lhe agrada é determinado por motivos dos quais ele não é senhor.(35)  Mark Noll observa que o que Edwards faz aqui é argumentar de maneira agostiniana e calvinista que as ações humanas são sempre consistentes com o caráter humano.(36)
Particularmente importantes para Edwards são as implicações soteriológicas dessa concepção da natureza humana. Aquele que é pecador por natureza jamais escolheria glorificar a Deus, a menos que o próprio Deus transformasse o caráter dessa pessoa, implantando um novo "senso do coração" para amar e servir a Deus. A regeneração, um ato de Deus, é o fundamento do arrependimento e da conversão, que são ações humanas. Em O Pecado Original, Edwards argumenta que toda a humanidade estava presente em Adão quando este pecou e por isso todos partilham da tendência para o pecado e da culpa que Adão trouxe sobre si mesmo. Assim, os indivíduos são responsáveis pela sua própria pecaminosidade e ao mesmo tempo estão presos aos ditames de uma natureza caída, até que sejam convertidos pela graça soberana de Deus.
Noll observa que grande parte dos temas centrais da teologia de Edwards estão presentes na reflexão ética que dominou o último período da sua vida.(37)  Ele estava especialmente preocupado em contestar a "nova filosofia moral" do Iluminismo, segundo a qual o ser humano possui certa faculdade natural que, adequadamente cultivada, aponta o caminho para uma vida virtuosa. Em reação a isso, Edwards afirma enfaticamente que a verdadeira virtude não pode ser entendida à parte de Deus e da sua revelação. Em A Natureza da Verdadeira Virtude, Edwards argumenta que a genuína moralidade somente pode resultar da graça regeneradora de Deus.
A abordagem de Edwards nessa obra é tríplice. Primeiramente, ele reconheceu algum valor na obra dos novos moralistas. Por causa da graça comum, as pessoas possuem uma capacidade natural de agir eticamente em um determinado sentido. Em segundo lugar, no entanto, Edwards insistiu que os benefícios sociais da virtude natural ficam aquém da verdadeira virtude. Para ele, o fundamento inabalável continua sendo a graça regeneradora pela qual Deus vivifica o pecador. Estritamente falando, não há nenhuma coisa verdadeiramente boa que não seja sempre e em toda parte dependente de Deus. Finalmente, Edwards também procurou demonstrar que a imagem da virtude apresentada pelos novos filósofos morais era simplesmente um misto de prudência, interesse pessoal e amor-próprio. Com tudo isso, ele quis preservar a particularidade da graça e reafirmar a bondade de Deus como a única fonte legítima da verdadeira virtude.(38)
Essas considerações suscitam novamente a questão do avivamento, porque para Edwards existe sempre uma profunda conexão entre ética e espiritualidade. Não se pode separar a autêntica experiência de Deus dos frutos individuais e comunitários que necessariamente produz. É essa precisamente a ênfase do Tratado sobre as Afeições Religiosas, no qual Edwards analisa o avivamento a partir da experiência pessoal do crente. Ao enumerar os sinais fidedignos e não fidedignos da verdadeira espiritualidade, ele fornece princípios valiosos pelos quais é possível avaliar se uma obra espiritual ou um movimento religioso procede efetivamente do Espírito de Deus. Luiz Mattos sintetiza tais princípios da seguinte maneira:
Quaisquer manifestações externas resultantes de experiências extraordinárias não constituem um sinal confiável de espiritualidade e não evidenciam uma obra genuína do Espírito.
Uma obra autêntica do Espírito de Deus produz uma transformação radical da natureza da alma individual, que irá manifestar-se em uma conduta e em práticas inteiramente novas, revelando progressivamente a própria imagem de Cristo implantada no crente.(39)
Em outras palavras, a experiência religiosa verdadeira produz uma mudança ética individual que eventualmente irá externar-se na coletividade. Se tal mudança não puder ser percebida, seja no indivíduo, seja na comunidade, o reavivamento deve ser contestado como uma obra genuína de Deus. Esse aspecto social do reavivamento é elaborado por Edwards no seu tratado inconcluso História da Obra da Redenção, no qual, sob a ótica de sua posição pós-milenista, ele argumenta que uma coletividade que experimenta o avivamento irá apresentar os sinais da manifestação do reino de Deus. Essa sociedade "será dramaticamente transformada, não por qualquer esforço humano político ou revolucionário, mas pela ética do Reino a permear todos os relacionamentos."(40)
Finalmente, é nas magníficas obras gêmeas O Fim Para o Qual Deus Criou o Mundo e A Natureza da Verdadeira Virtude, bem como na rica série de sermões intitulada A Caridade e Seus Frutos, que Edwards expressa alguns de seus mais sublimes pensamentos acerca da experiência religiosa, focalizando-a, como é sempre a sua preocupação, firmemente em Deus. Embora existam fins subordinados pelos quais Deus decidiu criar o mundo, entre os quais a felicidade do ser humano, somente pode haver um fim último e supremo, a saber, a manifestação da glória do próprio Deus. A felicidade é parte do propósito final de Deus para o ser humano, mas não a felicidade que provém de um estilo de vida egocêntrico, e sim aquela que resulta de se viver para a glória de Deus. Isso se evidencia acima de tudo através do amor, primeiramente para com Deus e então para com as outras pessoas.
Um avivamento genuíno é aquele em que Deus, sua glória e vontade, constituem a motivação primordial, todos os outros interesses estando subordinados a esse. Como aponta Luiz Mattos, "a expectativa de manifestações extraordinárias ou dons extraordinários não percebe de maneira adequada o alvo final de Deus ao conceder tais despertamentos."(41)  A manifestação suprema a ser desejada é o fruto mais rico do Espírito de Deus, o amor, que irá traduzir-se em relacionamentos humanos transformados e enriquecidos.
Conclusão
Jonathan Edwards foi inteiramente contrário à separação entre "coração" e "cabeça" que tantas vezes tem afetado os evangélicos. Uma das peculiaridades da sua obra teológica é justamente o fato de unir o mais rico sentimento religioso aos mais elevados poderes intelectuais. Por um lado, à semelhança de muitos filósofos seculares do Iluminismo, ele acreditava que o ser humano é capaz de raciocinar adequadamente e resolver problemas de maneira lógica. Por outro lado, Edwards fez uma síntese entre fé e razão que o põe em continuidade com grande parte da história do pensamento cristão.
Embora tenha sido um pensador independente e original, ele estava cônscio da obra de precursores seus como os reformadores e os puritanos, e certamente foi influenciado por eles. Ainda que não tenha sido um seguidor servil de Calvino, Edwards foi um defensor convicto do calvinismo. A sua originalidade está não tanto no conteúdo do seu pensamento quanto na sua maneira de pensar, produzindo uma grande quantidade de argumentos novos e profundos em apoio das antigas doutrinas da graça. Warfield opina que a defesa do calvinismo feita por Edwards deteve por mais de um século a conquista da Nova Inglaterra pelo arminianismo.(42)
Como bem aponta Lloyd-Jones, Edwards evidencia-se pelo equilíbrio em suas posições teológicas e práticas.(43)  Ao mesmo tempo que combate o arminianismo, ele também se opõe ao hiper-calvinismo. Ele afirma com igual ênfase a importância da vida piedosa, de devoção e cultivo da interioridade, mas também a necessidade de que essa vida produza frutos visíveis nos relacionamentos e na comunidade. No entanto, as suas escolhas e prioridades são bem definidas. Apesar da grande atração que sente pela razão e pelo intelecto, nele o aspecto espiritual sempre domina o intelectual e as Escrituras sempre se sobrepõem às especulações filosóficas.
Edwards não esconde a sua apreciação por uma espiritualidade fervorosa e intensa. Ele é de fato o teólogo do avivamento, da experiência, do coração.(44)  Mas isso não significa que a experiência seja o critério da verdade. Significa apenas que o cristianismo tem de ser experimental e prático, não apenas racional e cognitivo. A norma suprema de fé e o critério pelo qual se deve aquilatar toda e qualquer experiência religiosa é sempre a Escritura. Curiosamente, Edwards entende que não somente os adeptos do avivamento podem apelar erroneamente para as suas experiências pessoais subjetivas, como também os opositores do avivamento. Aqueles que não vivenciaram certas realidades espirituais, aqueles que não experimentaram determinadas "afeições" religiosas em sua vida, também não podem apelar para essa falta de uma experiência mais profunda de Deus para condenar os que a tiveram.
Por todas essas razões, Edwards é muito útil para as discussões atuais acerca da verdadeira espiritualidade. Seu critério básico para definir a questão é o mesmo que deve ser observado pela igreja contemporânea: verificar até que ponto Deus ocupa o lugar central da vida, do culto, das práticas e do testemunho. Além de advertir contra o mero emocionalismo, que excita as emoções mas não produz transformações duradouras, Edwards também combate o erro de se dar ênfase não a Deus, mas às respostas humanas a Deus, algo tão comum nos nossos dias com toda a celebração do eu, a empolgação religiosa e os testemunhos auto-gratulatórios. Em última análise, o que determina se a conversão e a vida espiritual são genuínas ou não, são os seus frutos visíveis: convicção de pecado, seriedade nas coisas espirituais, preocupação com a glória de Deus, apego às Escrituras, mudança no comportamento ético, relações pessoais transformadas e influência regeneradora na comunidade.

English Abstract
The author’s main intent is to provide some introductory notions regarding the life and thought of Jonathan Edwards as one of the brightest theologians in American history. Edwards’ career as minister, preacher, and revivalist is highlighted, as well as his work as a gifted thinker and writer. His contribution as a prolific and creative theologian in the Calvinistic-Puritan tradition is especially stressed. The author argues that both in his life and his thought Edwards made a remarkable sinthesis of reason and feeling, heart and intellect, which is today rarely seen in evangelical circles. Reacting against growing Arminianism and Rationalism in New England, he argued for a deep and responsible spirituality marked by intense devotion to God, utter dependence on divine grace, and a life of personal and social integrity. The central theme in Edwards’ thought is to be found in God’s beauty, glory and grace. The experiential and sensible knowledge of such a God leads to a changed inner life as well as transformed relationships and community life.
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1 Jonathan Edwards passou a despertar grande interesse entre os estudiosos a partir da início da década de 1930, graças ao trabalho de pesquisadores como Perry Miller, que o caracterizou como "o maior filósofo-teólogo que já adornou o cenário americano." Ver Paul Helm, "Edwards, Jonathan," em The New International Dictionary of the Christian Church, gen. ed. J.D. Douglas (Grand Rapids: Zondervan, 1978).
2 Benjamin B. Warfield, "Edwards and the New England Theology," Encyclopedia of Religion and Ethics, 1912. Também em The Works of B.B. Warfield, Vol. 9 (Studies in Theology), 515-538.
3 Segundo Warfield, foi em seus sermões que os estudos de Edwards produziram seus frutos mais ricos. Os sermões de Jonathan Edwards constituem o maior conjunto de manuscritos originais desse autor ainda disponíveis.
4 Uma exceção é o trabalho de Luiz Roberto França de Mattos, "Jonathan Edwards and the Criteria for Evaluating the Genuineness of the ‘Brazilian Revival’," Dissertação de Mestrado, São Paulo, Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 1997.
5 Jonathan Edwards, Pecadores nas Mãos de um Deus Irado, 3ª ed. (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, c.1993). Esse sermão foi pregado por Edwards na cidade de Enfield, Connecticut, em 1741.
6 Obviamente, a literatura acerca de Edwards e seu pensamento é imensa. Alguns poucos exemplos são os seguintes: Perry Miller, Jonathan Edwards (Westport: Greenwood, 1995 [1949] ); C. Cherry, The Theology of Jonathan Edwards: A Reappraisal (Bloomington: Indiana University Press, 1990 [1966]); Iain H. Murray, Jonathan Edwards: A New Biography (Southampton, Inglaterra: Banner of Truth, 1987); John H. Gerstner, Jonathan Edwards: A Mini-Theology (Wheaton, Illinois: Tyndale, 1987); Gerald R. McDermott, One Holy and Happy Society: The Public Theology of Jonathan Edwards (Pennsylvania State University Press, 1992); John E. Smith, Jonathan Edwards: Puritan, Preacher, Philosopher (South Bend: University of Notre Dame, 1992); John E. Smith et al., A Jonathan Edwards Reader (New Haven: Yale University Press, 1995); Stephen Stein, ed., Jonathan Edwards’ Writings: Text, Context, Interpretation (Bloomington: Indiana University Press, 1996); Michael J. McClymond, Encounters With God: An Approach to the Theology of Jonathan Edwards (Oxford University Press, 1997).
7 "The Earliest Known Letter of Jonathan Edwards," Christian History 4:4, 34. Minha tradução. A carta também menciona as últimas mortes que ocorreram na cidade e dá informações sobre a saúde dos membros da família, inclusive a sua própria dor de dente.
8 Elisabeth S. Dodds, "My Dear Companion," Church History 4:4, 15-17. George Whitefield narra em seu diário a profunda impressão que a vida familiar dos Edwards lhe causou e como isso o levou a renovar suas orações por uma boa esposa para si mesmo. (George Whitefield’s Journals [Londres: Banner of Truth, 1960], 476-77, citado em Edwin S. Gaustad, ed., A Documentary History of Religion in America: To the Civil War, 2ª ed. [Grand Rapids: Eerdmans, 1993], 196).
9 Dodds, "My Dear Companion," 16.
10 O reavivamento ocorreu quando Edwards pregou uma série de sermões sobre a justificação pela fé.
11 Sobre o avivamento entre os presbiterianos, ver o artigo do Rev. Frans Leonard Schalkwijk, "Aprendendo da História dos Avivamentos," em Fides Reformata 2:2, 61-68.
12 Christian History 4:4, pág. 4. Minha tradução.
13 Mark A. Noll classifica os escritos de Edwards em teológicos, psicológicos, metafísicos e éticos. "Edwards, Jonathan," em Walter Elwell, ed., Evangelical Dictionary of Theology (Grand Rapids: Baker, 1984), 343-46.
14 A primeira resolução afirma: "Resolvo que farei tudo aquilo que mais contribua para a glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e prazer, durante toda a minha existência..., assim como para o bem e o benefício da humanidade em geral." A de nº 42 declara: "Resolvo renovar freqüentemente a minha consagração a Deus que foi feita em meu batismo, a qual solenemente renovei quando fui recebido à comunhão da igreja, e solenemente confirmo neste dia 12 de janeiro de 1723."
15 Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito de Deus resultou de um sermão pregado por Edwards em uma formatura de Yale, em setembro de 1741. A essência dos seus argumentos foi desenvolvida em Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento.
16 Como na maioria dos casos, esse título é apenas uma abreviação do enorme título original: "Uma cuidadosa e estrita investigação das modernas noções predominantes acerca daquela liberdade da vontade que se supõe ser essencial para a agência moral, virtude e vício, recompensa e punição, aplauso e repreensão."
17 Esse tratado foi escrito para contestar não somente o argumento arminiano acerca do livre arbítrio, mas também o determinismo anti-evangelístico do hiper-calvinismo.
18 O Fim para o Qual Deus Criou o Mundo e A Natureza da Verdadeira Virtude (escritos em 1753-54) não devem ser vistos como tratados separados, mas como obras complementares: o fim para o qual Deus criou o mundo deve ser o objetivo de uma vida verdadeiramente virtuosa e santa. Mattos, "Jonathan Edwards and the Criteria for Evaluating the Genuineness of the ‘Brazilian Revival’," 124.
19 Uma das principais edições das obras de Jonathan Edwards é The Works of Jonathan Edwards, 2 vols. (Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1990 [1960]). A editora da Universidade de Yale também está publicando as obras completas de Edwards desde 1957. Os volumes lançados até agora são os seguintes: 1. A Liberdade da Vontade (1957); 2. As Afeições Religiosas (1959); 3. O Pecado Original (1970); 4. O Grande Despertamento (1972); 5. Escritos Apocalípticos (1977); 6. Escritos Científicos e Filosóficos (1980); 7. A Vida de David Brainerd (1985); 8. Escritos Éticos (1989); 9. História da Obra da Redenção (1989); 10. Sermões: 1720-1723 (1992); 11. Escritos Tipológicos (1993); 12. Escritos Eclesiásticos (1993); 13. Miscelâneas (1994); 14. Sermões e Discursos: 1723-1727 (1996); 15. Escritos Bíblicos (1997); 16. Cartas e Escritos Pessoais (1997). Outra obra significativa é: Alexander B. Grosart, ed., Selections from the Unpublished Writings of Jonathan Edwards, reimpressão (Ligonier: Soli Deo Gloria Publications, 1992 [1865]).
20 J. Stephen Land e Mark A. Noll, "Colonial New England: An Old Order, a New Awakening," Church History 4:4, pág. 9.
21 Ibid. Todavia, é importante ressaltar que os principais pregadores do Grande Despertamento, o inglês George Whitefield e o próprio Jonathan Edwards, eram calvinistas ortodoxos que davam às suas mensagens um teor intensamente bíblico, doutrinário e fervoroso, sem apelar ao emocionalismo.
22 Essas acusações tornaram-se mais plausíveis quando, após a famosa campanha evangelística de Whitefield em 1739-40, surgiram imitadores extremados que utilizavam técnicas manipulativas com os seus auditórios.
23 Noll, "Edwards, Jonathan," 345.
24 Dodds, "My Dear Companion," 17.
25 The Works of Jonathan Edwards, Vol. 2: Treatise Concerning Religious Affections, ed. J.E. Smith (New Haven: Yale University Press, 1959), 102. Minha tradução.
26 George M. Marsden, "Jonathan Edwards Speaks to our Technological Age," Church History 4:4, pág. 27.
27 D.M. Lloyd-Jones, Jonathan Edwards e a Crucial Importância de Avivamento (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, s/d), 5. Em particular, ele opina que o elemento do Espírito Santo é mais proeminente em Edwards do que em qualquer outro puritano. Ibid., 4.
28 The Works of Jonathan Edwards, 2 vols. (Edimburgo: Banner of Truth, 1990), I:47.
29 Lloyd-Jones, Jonathan Edwards, 14.
30 Marsden, "Jonathan Edwards Speaks," 27.
31 Ibid., 27-28
32 Works of Jonathan Edwards, II:14. Edwin S. Gaustad transcreve as principais partes desse sermão em A Documentary History, 214-220 (o trecho acima está na p. 216).
33 Marsden, "Jonathan Edwards Speaks," 28.
34 John H. Leith, An Introduction to the Reformed Tradition, ed. rev. (Atlanta: John Knox, 1981), 120.
35 John T. McNeill, The History and Character of Calvinism (Londres: Oxford University Press, 1954), 363.
36 Noll, "Edwards, Jonathan," 344.
37 Ibid., 345.
38 Ibid., 346.
39 Mattos, "Jonathan Edwards," 98. Minha tradução.
40 Ibid., 122. Minha tradução.
41 Ibid., 151. Minha tradução.
42 Warfield, "Edwards and the New England Theology."
43 Lloyd-Jones, Jonathan Edwards, 13.
44 Ibid., 20-21.